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Vivemos a glorificação do mal

O final da Segunda Guerra Mundial em 1945 escancarou as atrocidades que aconteceram durante os anos do conflito, e para evitar a repetição destes fatos terríveis no futuro, no dia 10 de dezembro de 1948 foi proclamada pela Assemblei Geral das Nações Unidas (ONU) a Declaração Universal dos Direitos Humanos, enfatizando em todos os seus artigos, o direito dos seres humanos a uma vida digna, e que em todas as ocasiões em que haja conflito entre economia, mercado e o ser humano, prevaleça os direitos humanos.

No entanto a força do poder econômico colocou o ser hu­mano, principalmente dos países pobres em segundo plano, e os artigos constantes da Declaração não foram cumpridos nas suas integralidades, e as condições de vida das popula­ções que vivem nas periferias pobres; ficou no papel. Direitos Humanos pressupõe uma vida digna para todos, mas como o ser humano não se importa com o outro ser humano, essa dignidade é seletiva.

O Brasil nunca foi destruído por guerras ou revoluções, no entanto as classes poderosas que dominam a política brasilei­ra há séculos nos impõem uma destruição ética e moral, co­locando na presidência da República uma figura tacanha, que por desconhecimento, ignorância e mau caratismo, colocou acima da vida humana o deus marcado, e fez e faz de tudo para boicotar a vida humana.

E a destruição do caráter do ser humano é muito mais letal que a destruição dos bens materiais, e está levando o País para um beco sem saída. Não podemos mais aceitar a fome como sendo natural, nem tão pouco as condições aviltantes das moradias das populações pobres das periferias, aonde o saneamento básico nunca chegou, mas é um direito humano inalienável. A água é vida, no entanto 15% da população bra­sileira não tem acesso a água potável, apesar de 12% da água doce do mundo estar no Brasil. Apenas 51% do esgoto são coletados, e 40% tem algum tipo de tratamento, e ainda em pleno século 21 convivemos com lixões a céu aberto.

O clima de ódio e confronto com os outros poderes no inicio do seu mandato, mascarava a incompetência e as obtusidades de um presidente sem a mínima condição para governar. Mas a pandemia acabou desnudou o impostor, que não era tão impostor assim, pois já havia mostrado o seu mau caratismo ao Brasil. Negar a pandemia, atacar a ciência, ser contra as vacinas, induzindo os brasileiros a se aglomerarem dizendo que era uma gripezinha. E esse mau caratismo está custando caro ao povo brasileiro, pois o Brasil está no centro da pandemia mundial, com os hospitais entrando em colapso, e nos aproximando da marca de quatro mil mortes em apenas um dia.

A Constituição brasileira se ancorou na Declaração Uni­versal dos Direitos Humanos, e por isso é conhecida como a Constituição cidadã, o artigo 3° e o artigo 5º se fossem cumpridos já seriamos uma Nação. Acontece que pavimentar o caminho com a igualdade e a fraternidade não faz parte da ideologia da extrema direita que está no poder. Matar os pobres de fome de raiva e de sede é o mantra dessa gente, que no fundo não são gente.

Quem olha de cima as periferias pobres das grandes cidades, e vê uma aglomeração de casas e pessoas vivendo em condições que afrontam a Constituição – vai lembrar-se do samba do saudoso Wilson das Neves: “O dia que o morro descer e não for carnaval, ninguém vai ficar para assistir o desfile final (…)”.

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