O juiz da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, Lúcio Enéas Alberto da Silva Ferreira, ouviu nesta segunda-feira, 30 de outubro, os depoimentos dos ex-vereadores Samuel Zanferdini (PSD) e Maurílio Romano Machado (PP). Eles estão entre os 21 réus da ação penal que investiga a estreita relação entre a Atmosphera Construções e Empreendimentos e a Companhia de Desenvolvimento Econômico (Coderp), no âmbito da Operação Sevandija. Os dois chegaram a chorar durante os depoimentos.
O primeiro a depor foi o delegado de Polícia Civil Samuel Zanferdini. Ele depôs durante uma hora e negou a prática de atos ilícitos. Diz que não recebeu propina do empresário Marcelo Plastino – dono da Atmosphera que se matou em novembro do ano passado – e não barganhou cargos em troca de apoio político ao governo Dárcy Vera (PSD). Sobre o “cafezinho” agendado com Plastino, disse que não pôde comparecer e que o assunto a ser tratado era a demissão de um conhecido. Ele chorou ao lembrar da família, que sofreu com as denúncias.
Maurílio Romano depôs durante duas horas, na parte da tarde, e também chorou ao lembrar da trajetória de sua família – o tio-avô Costábile Romano foi prefeito de Ribeirão Preto e o pai, Marcelino Romano Machado, foi deputado federal constituinte. Ele também diz que jamais indicou apadrinhados para trabalhar na prefeitura via Atmosphera e que não recebeu vantagens financeiras.
Nesta terça-feira, dia 31, o ex-vereador Genivaldo Gomes (PSD) vai depor. Ele foi líder do governo Dárcy Vera no Legislativo. Hoje também estará no banco dos réus o ex-presidente da Câmara, Walter Gomes (PTB) – o único dos nove vereadores afastados em 1º de setembro que está preso, no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Serra Azul, acusado de tentar atrapalhar as investigações da Sevandija (é investigado por corrupção ativa e passiva, ocultação de bens e lavagem de dinheiro).
Na sexta-feira, 3 de novembro, ele vai se submeter a cirurgia para corrigir um desvio de septo. Walter Gomes quer que sua prisão preventiva seja transformada em domiciliar por causa de sua saúde – a defesa alega que ele corre risco até de ter um enfarte. Dos 21 réus nesta ação penal, sete já prestaram depoimento: Paulo Roberto de Abreu Júnior (ex-sócio do empresário Marcelo Plastino na Atmosphera), Alexandra Ferreira Martins (namorada do empresário que cometeu suicídio em novembro do ano passado), Sandro Rovani (ex-advogado do Sindicato dos Servidores Municipais), Vanilza Daniel (ex-gerente de Recursos Humanos da Coderp), Saulo Rodrigues (o ex-vereador conhecido como Pastor Saulo, do PRB), Zanferdini e Romano.
Todos os réus desta ação penal respondem por corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e associação criminosa. Todos também negam a prática de atos ilícitos – Alexandra Martins e Abreu Júnior fecharam acordo de delação premiada com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Também são réus nesta ação mais quatro ex-vereadores – Cícero Gomes da Silva (PMDB), José Carlos de Oliveira, o Bebé (PSD), Antonio Carlos Capela Novas (PPS), e Evaldo Mendonça, o Giló (PTB, genro da ex-prefeita Dárcy Vera).
Além deles, também são réus os ex-secretários Layr Luchesi Júnior (Casa Civil), Ângelo Invernizzi Lopes (Educação) e Marco Antônio dos Santos (Administração e ex-superintendente da Coderp e do Daerp) e Davi Mansur Cury (ex-superintendente da Coderp). A ex-prefeita Dárcy Vera não é ré nesta ação. Haverá interrogatórios ainda nos dias 7, 8, 16 e 22 de novembro.