As vendas do comércio varejista recuaram 3,1% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), informou nesta quarta-feira, 6 de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação a agosto de 2020, as vendas do varejo recuaram 4,1%.
As vendas do varejo restrito, que incluem oito ramos acompanhados pelo IBGE, acumularam crescimento de 5,1% no ano e alta de 5,0% em doze meses. Quanto ao varejo ampliado, que inclui o comércio de material de construção e de veículos, as vendas caíram 2,5% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, vindo novamente pior do que as expectativas.
Na comparação a agosto de 2020, o varejo ampliado ficou estável (0,0%). As vendas do comércio varejista ampliado acumularam, desta forma, alta de 9,8% no ano e avanço de 8,0% em doze meses. Com a queda de 3,1%, o varejo passou a operar 4,3% abaixo do nível recorde da série histórica da pesquisa, registrada em novembro de 2020. O varejo ampliado, que recuou 2,5% por essa base de comparação, está 6,6% aquém do pico histórico de agosto de 2012.
Ribeirão Preto
Em ritmo de recuperação, as vendas nas lojas ribeirãopretanas cresceram pelo terceiro mês consecutivo, aponta levantamento do Centro de Pesquisas do Varejo (CPV) mantido pelo Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão e Região (Sincovarp) – atende 43 cidades – e pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL RP). Segundo a pesquisa, em agosto a alta média foi de 12,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Subiu 10,02 pontos percentuais em relação a julho, quando a variação positiva foi de 2,88%. Em junho, o crescimento foi de 4,83%. A alta de agosto foi puxada pelas vendas do Dia dos Pais, a primeira data comemorativa entre as mais importantes para o setor em que as lojas puderam atender o público com mais de 40% da capacidade (80%, o dobro) e com horário estendido até a meia-noite.
Segundo estimativa do CPV à época, o consumidor ribeirão-pretano deveria gastar 25% a mais na compra do presente do Dia dos Pais, celebrado em 8 de agosto. A previsão de alta teve por base o aumento generalizado de preços desencadeado pela crise de covid-19. O comércio de Ribeirão Preto projetava aumento de vendas entre 4% e 6%, em comparação com o mesmo período de 2020. O tíquete médio era estimado em R$ 200.
“Com a vacinação mais a recuperação dos empregos e da renda, aos poucos os consumidores estão voltando às compras”, diz Diego Gali Alberto, pesquisador e coordenador do CPV. “Enquanto muitos ainda estão cautelosos por conta do endividamento, outros estão segurando um pouco mais os gastos agora para poder comprar presentes melhores no fim do ano”, analisa.
Pré-pandemia
Com a queda de agosto, as vendas do varejo nacional estão agora 2,2% acima do nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as vendas operam 0,1% abaixo do pré-pandemia.
Das atividades acompanhadas pelo IBGE, estão acima do nível pré-pandemia os segmentos de material de construção (13,7%), artigos farmacêuticos (12%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,2%) e supermercados (1,6%). Estão abaixo do nível pré-crise sanitária o comércio de veículos (-3,5%), móveis e eletrodomésticos (-0,1%), vestuário (-4,3%), combustíveis (-7,9%), equipamentos de informática (-14,8%) e livros e papelaria (-37,4%).
Revisões
O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo em julho ante junho, de alta 1,2% para uma alta de 2,7%. No varejo ampliado, a taxa de julho ante junho foi revisada de alta de 1,1% para avanço de 5,7%. Segundo Cristiano Santos, analista da pesquisa do IBGE, a revisão é decorrente especialmente do modelo de ajuste sazonal da pesquisa. Segundo ele, não houve “grande revisão de dados primários”.
Média móvel trimestral
O índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista restrito – que inclui oito ramos do comércio – teve queda de 0,5% em agosto. No varejo ampliado, que acrescenta as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral das vendas registrou baixa de 1,3% em agosto.