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Uma rasteira na sociedade

Com o passar de pouco tempo, tudo vai ficando muito nítido. Claro está que nos defrontamos com um momento obscuro no Brasil. Além da agenda de reformas que escancaradamente é a agenda dos bancos e dos patrões, o país descamba em valores, afetos e na razão. Os governantes neoliberais, empoderados pelos escrutínios eleitorais caros e viciados, passam uma verdadeira rasteira no brasileiro comum. Impiedosamente. Os privilégios e privilegiados se alinham e se bordam em acordos clássi­cos da política nacional. O povo pobre que se lasque!

Qual é o custo de destruir, de não fazer, de fazer mal feito ou de fazer errado? Creio que fazer a gestão seja algo mais criativo e justo do que dizer simplesmente que não há dinheiro. O problema emerge do fato de que a imensa maioria da classe política possui projetos pessoais de poder. Abandonaram explicitamente os interesses sociais e participam de um jogo nefasto à nossa sociedade! O país grita a necessidade de pro­jetos e políticas consequentes nos mais diferentes setores da administra­ção pública. Não tem dinheiro para quê? Acompanha-se rotineiramente a maioria das decisões e das medidas que priorizam, sobretudo, uma agenda eleitoreira. Definitivamente, a reeleição no Brasil aliado a ho­mens públicos frustrados em suas carreiras de origem, é uma perversão da democracia representativa!

Dias atrás elencávamos numa conversa de cafeteria alguns itens relevantes para o bom desempenho à frente da máquina pública. A visão de mundo do gestor e sua maturidade profissional e emocional. A visão de mundo, os valores, a capacidade de discernimento e de mobilização da sociedade. A existência e manutenção de equipes técnicas multidisci­plinares capazes e motivadas em cada setor da administração. Interlo­cutores–cargos de primeiro e segundo escalão – idôneos e capacitados. Disponibilidade de uma imprensa livre, crítica, competente e conse­quente. Na inexistência desses quesitos as chances de termos resultados eficazes é praticamente nula. E é exatamente isso que temos assistido ao longo de muitos anos: estamos sendo incompetentes. Patinamos!

Políticas cujos os resultados excluem milhares ou milhões de bra­sileiros não é o caminho. Todas as vezes que um gestor público optar por uma política e tomar uma decisão, ele deverá se perguntar quem realmente está sendo beneficiado. Quem está se beneficiando e quem está sendo prejudicado pela ortodoxia fiscal reinante no país? As pessoas nascidas neste país precisam de um Estado justo, competente e conse­quente. Não é possível que governos se oponham ao Estado e entreguem ao mercado o destino da nação! O experimento que vocês estão cons­truindo tem nome: barbárie! Tudo descambará em violência, doença e conflitos intermináveis! Há inúmeros indicadores e episódios vindos à tona em 2019 que corroboram com o que estou dizendo.

O Executivo federal opta por gerenciar o país desconsiderando a razão. Não tendo lastro mínimo de conhecimento técnico e científico, somado a um anti-humanismo, faz do despreparo um modus de gover­nar. Banca posturas, decisões e rumos que isolam e envergonham o país. Qual é o preço de uma gestão pública equivocada? O que explica uma grossa parcela da nossa sociedade apoiar sua própria destruição?

Numa democracia forte e numa sociedade capaz de discernimento, jamais teria logro nas urnas ou no curso do mandado tamanha desfa­çatez!Ladeira abaixo, meus amigos!Não se iludam com os resultados medíocres da economia.Se a grande mídia se pautasse pela sensatez epor estar ao lado de pleitos e rotinas verdadeiramente democráticas, o auto­ritarismo no país jamais teria lugar; nem no passado, nem na atualidade. Preferem fazer média e acreditar que no fim tudo vai dar certo.

É muito acordo, acórdão, condescendência, falsa cordialidade, con­sumo, infantilidade, medo, mesquinhez, televisão, sofá, plástico e isopor. Pouca leitura. Pouquíssima! Ser brasileiro atualmente é uma ferida ex­posta. Células e tecidos expõem nossa derme como nunca anteriormente e os governos ainda nos pregam uma pernada.

O esforço deve ser no sentido de nos descolonizarmos como povo. Em cada atitude e gesto sermos autênticos e não abrirmos mão de uma soberania social.

“Há um contar de si no escolher” (João Cabral de Melo Neto).

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