Tribuna Ribeirão
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Ubirajara jubatus – Fóssil de ‘dino’ volta ao Brasil

FELIPE LIMA PINHEIRO/UNIPAMPAS

Chega ao Brasil neste do­mingo, 4 de junho, o fóssil do di­nossauro Ubirajara jubatus, con­trabandeado para a Alemanha na década de 1990, e repatriado, agora, depois de uma campanha nacional inédita contra o tráfico internacional de fósseis que mo­bilizou paleontólogos e autori­dades governamentais.

O fóssil será entregue ao Museu de Paleontologia Pláci­do Cidade Nuvens, no Ceará, na região do Araripe, onde o animal viveu há 110 milhões de anos. Foi o primeiro fóssil de dinossauro com estrutura si­milar a penas já encontrado na América do Sul.

As negociações para a devo­lução do material envolveram o Itamaraty, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e a Embaixada da Alemanha, em Brasília. O dinossauro bra­sileiro contrabandeado chegará à capital juntamente com uma comitiva do governo alemão em visita oficial ao país.

O dinossauro estava no Museu de História Natural de Karlsruhe. O atual diretor da ins­tituição, Norbert Lenz, e seu ante­cessor, Eberhard Frey, assinam o trabalho científico que descreveu a nova espécie. A repatriação só foi possível depois de determina­ção de autoridades da região de Baden-Wûrttemberg, em julho do ano passado, que apontaram “má conduta científica” na obten­ção do fóssil, conforme denúncia do Ministério Público Federal.

Desde 1942 a legislação bra­sileira determina que fósseis são patrimônio da União. Por isso, eles não podem ser comercializa­dos. Para que saiam do País, é exi­gida uma autorização formal. A exportação é totalmente proibida para os exemplares de referência de novas espécies, os holótipos, caso do Ubirajara jubatus.

Cientistas estrangeiros só podem coletar materiais bioló­gicos ou minerais em território nacional se incluírem em seu trabalho pesquisadores brasilei­ros. O trabalho de descrição do novo dino, publicado na Creta­ceous Research, não respeitava a legislação e acabou gerando uma mobilização inédita com a campanha virtual #Ubiraja­raBelongstoBR (Ubirajara per­tence ao Brasil).

Com o barulho internacional provocado pela ação, a revista científica logo anunciou a retra­tação do artigo; ou seja, retirou a publicação do trabalho. O pa­leontólogo Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, um dos integrantes da campanha para a repatriação, explica.

“O ponto inédito nessa questão toda, o grande divisor de águas, é que, pela primeira vez, um trabalho foi retirado de publicação, não por uma ques­tão técnica ou científica, mas sim por um problema ético. Isso é uma mancha para a car­reira dos pesquisadores, uma vergonha, e, por isso, a partir de agora, todo mundo vai pen­sar duas vezes antes de usar um fóssil contrabandeado.”

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