O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira, 10 de fevereiro, uma ordem executiva com a imposição de amplas tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio pelo país, inclusive sobre os embarques desses produtos pelo Canadá e do México, que juntos respondem por cerca de 40% das importações de aço dos EUA.
“Hoje estou simplificando nossas tarifas sobre aço e alumínio”, disse Trump no Salão Oval ao assinar ordens executivas. “São 25% sem exceções ou isenções”, disse. Esses produtos são exportados pelo Brasil ao país aos EUA. Procurado, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que não vai se manifestar.
O país da América do Norte é o maior comprador do aço brasileiro. Segundo dados do Instituto Aço Brasil, em 2022, os EUA compraram 49% do total do aço exportado pelo país. Em 2024, apenas o Canadá superou o Brasil na venda de aço aos Estados Unidos.
No caso do alumínio, a dependência dos EUA é menor. O país foi o destino de 15% das exportações de alumínio do Brasil em 2023. O principal comprador do alumínio brasileiro é o Canadá, que absorveu 28% das exportações desse produto naquele ano. Os dados são da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).
O republicano também disse que deve anunciar, nesta terça (11) ou na quarta-feira (12), tarifas recíprocas a países que “tiram vantagem” dos EUA. Em entrevista a repórteres no avião presidencial, a caminho do Super Bowl, Trump afirmou que os Estado Unidos vão cobrar o mesmo nível de taxas impostas pelos parceiros comerciais.
“Não vai afetar todos os países, porque há alguns com os quais temos tarifas similares; mas com aqueles que estão tirando vantagem dos EUA, teremos reciprocidade”, afirmou. Após ameaçar o Canadá e o México com tarifas de 25%, Trump concedeu a ambos um adiamento de 30 dias em 3 de fevereiro. Ele também anunciou uma cobrança de 10% a importações chinesas.
As tarifas retaliatórias da China contra produtos americanos entraram oficialmente em vigor no domingo, dia 9 (segunda-feira, pelo horário de Pequim). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou comentar o anúncio de Donald Trump.
Questionado pela imprensa sobre quais ações o Executivo brasileiro adotaria em resposta, Haddad respondeu que o governo tomou a decisão de só se manifestar “oportunamente”, com base em decisões concretas, e não em anúncios que, na avaliação do ministro, podem ser mal interpretados ou revistos.
“Então o governo vai aguardar decisão oficialmente antes de qualquer manifestação”, disse o ministro da Fazenda a jornalistas. Perguntado então se não haveria nada previsto sobre a taxação de big techs norte-americanas, Haddad voltou a dizer que vai aguardar a orientação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, depois de as medidas dos EUA serem efetivamente implementadas.
Durante o seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas sobre o aço e o alumínio, mas concedeu depois cotas de isenção para parceiros, incluindo Canadá, México e Brasil, que são os principais fornecedores desses produtos. O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Carlos Delorme Prado afirma que a possível taxação deve ter impacto nos setores atingidos, mas não deve causar maiores problemas para o conjunto da economia.
“Embora a taxação seja muito importante para essas indústrias, para o conjunto da economia brasileira o impacto não é tão grande assim. O Brasil vai ter que redirecionar essas exportações, ou então, o que eu acho mais importante, tentar aumentar o consumo doméstico de aço. O Brasil tem alternativas”, diz.
“É diferente do México e do Canadá, que são muito mais dependentes do mercado americano”, explicou Prado. O especialista acrescentou que o impacto será menor para o setor do alumínio. “O setor pode sofrer indiretamente porque as exportações de produtos de alumínio do Canadá para os Estados Unidos podem cair, isso pode afetar as exportações brasileiras para o Canadá. Mas, de qualquer maneira, o impacto é menor”, completou.