O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público Estadual (MPE) responsável pelas investigações da Operação Sevandija, denunciou quatro pessoas por lavagem de dinheiro: os advogados Sandro Rovani – preso em Tremembé desde março do ano passado – e Marcelo Gir Gomes, Ana Cláudia Silveira Neto (filha de Rovani) e o empresário Paulo Roberto Nogueira.

O novo processo foi ajuizado na 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, que tem como titular o juiz Lúcio Alberto Enéas da Silva Ferreira, onde tramitam outras três ações penais da Operação Sevandija, força-tarefa do Gaeco com a Polícia Federal. A denúncia ainda será analisada pela Justiça. Para os promotores Leonardo Romanelli, Walter Manoel Alcausa Lopes e Frederico de Camargo, o advogado Gir Gomes, Ana Cláudia e Nogueira teriam lavado dinheiro para Rovani.
Ele é investigado em outras duas frentes da Sevandija – que envolvem honorários advocatícios e a Companhia de Desenvolvimento Econômico (Coderp). Há ainda outra ação que investiga fraudes no Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp). O MPE estima que o valor total desviado dos cofres públicos supere R$ 245 milhões.
Rovani é acusado de operar pagamentos ilícitos a agentes públicos da cidade, entre eles a ex-prefeita Dárcy Vera, por meio de um recolhimento indevido de honorários à advogada Maria Zuely Alves Librandi. O advogado Julio Mossim, que defende Gir Gomes, nega que seu cliente tenha praticado lavagem de dinheiro e afirma que vai provar isso à Justiça. Ele foi preso no final de maio suspeito de “lavar” R$ 1 milhão para Rovani. Seria o “laranja” do suposto esquema montado para desviar dinheiro da ação penal dos honorários advocatícios.
Em relação a Ana Cláudia Silveira Neto, de quem também é advogado, diz que ela é inocente e sacou dois cheques a mando de Rovani, mas sem saber de quem era. Rovani e Dárcy Vera sempre negaram o envolvimento em crimes de corrupção. Deflagrada em 2016, a Operação Sevandija tem hoje três processos penais aceitos pela Justiça. Na nova denúncia, o MPE aponta que os envolvidos teriam articulado um esquema para que valores fossem repassados pela advogada Maria Zuely Librandi a Rovani sem o conhecimento das autoridades. Extratos bancários registram um depósito de R$ 402 mil na conta de Marcelo Gir Gomes em 15 de setembro de 2016, duas semanas depois que a primeira fase da Sevandija foi deflagrada.
Ao mesmo tempo, o Gaeco aponta que valores referentes a cheques emitidos por Maria Zuely Librandi teriam sido depositados nas contas de uma empresa e de um comerciante até chegarem a Gir Gomes. Além disso, a promotoria apreendeu uma carta, de autoria atribuída a Sandro Rovani, em que ele teria mencionado repasses não feitos por Gir Gomes para cobrir despesas pessoais da mulher e a filha de Rovani, e solicitado que isso não mais se repetisse.
As investigações apontam que mesmo após a deflagração da Operação Sevandjia, Gomes e Rovani continuaram operando dinheiro da propina paga a agentes públicos em Ribeirão Preto. Segundo o delegado chefe da Polícia Federal, Edson Geraldo de Souza, os documentos apreendidos durante a operação reforçam as suspeitas levantadas.
Batizada de Houdini, uma alusão ao nome do ilusionista Harry Houdini, a operação apontou que, em uma demonstração de “ousadia”, os suspeitos usaram estratégias para tentar despistar cheques usados para pagamento de propina, que teriam sido emitidos pelo escritório da advogada Maria Zuely Librandi, ré no processo sobre fraudes em honorários advocatícios pagos pela prefeitura. O esquema causou um prejuízo de R$ 45 milhões aos cofres públicos. Os bens dos acusados foram bloqueados.