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Servidores perto de novo recorde

A greve do funcionalismo público de Ribeirão Preto entra em seu 18º dia neste sábado, 27 de abril, e como não há qualquer sinal de negociação à vista, deve bater o recorde do movimento paredista de 2017, quando a ca­tegoria parou por três semanas para forçar o governo Duarte Nogueira Júnior (PSDB) a con­ceder reajuste salarial.

Na próxima terça-feira (30), a paralisação vai completar 21 dias e a categoria vai igualar o re­corde. Será, então, a greve mais longa da história do funciona­lismo ribeirão-pretano – é a ter­ceira consecutiva na gestão tuca­na. O Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis (SSM/ RP) fará um ato em frente ao Pa­lácio Rio Branco, às nove horas, depois seguirá para o calçadão da praça XV de Novembro, no coração da cidade.

O sindicato vai montar um estande para coletar assinaturas da população e pressionar a Câ­mara de Vereadores a instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Quer que o Legislativo investigue as duas denúncias protocoladas na quinta-feira (25) que, segundo a entidade, são suficientes apara a abertura de um processo de im­peachment contra Nogueira.

Por 18 votos contra e cinco a favor, o Legislativo rejeitou a abertura de Comissão Proces­sante (CP) – a categoria lotou o plenário e protestou. Nesta sexta-feira (26), os servidores participaram de uma assembleia no período da manhã, na sede do sindicato, quando decidiram pela manutenção da greve, e de­pois saíram em passeata até o Palácio Rio Branco.

Em frente à sede do gover­no, promoveram o “enterro simbólico” do prefeito e dos 18 vereadores que votaram contra a CP. Segundo os dados oficiais da prefeitura, a adesão à greve caiu novamente ontem e está abaixo de 15% – garante que mais de 85% pessoas trabalha­ram normalmente e que 14,41% do quadro pararam. Durante a semana, o balanço oficial indi­cava participação de menos de 16% da categoria. As áreas mais afetadas continuam sendo as de educação e saúde – os 30% dos serviços exigidos por lei foram mantidos.

Na Secretaria Municipal da Educação, 1.060 professores, cozinheiros, inspetores, assis­tentes e demais funcionários continuam parados, 32,17% dos 3.298 profissionais da pas­ta, mesmo número de quinta-feira. Até a noite de quarta-fei­ra (24), o índice era de 34,69% (1.144 pessoas).

Dados apontam que a ade­são na Secretaria da Saúde foi de 3,6%, contra 5,19% do perí­odo anterior. O balanço oficial revela que 106 dos 2.947 médi­cos, enfermeiros, atendentes e demais funcionários entraram em greve, contra 153 do dia 25. Na Secretaria Municipal da Assistência Social houve es­tabilidade, com 33 servidores em greve, 7,69% dos 432 fun­cionários da Semas – eram 34 no dia 18 (ou 7,9%).

A data-base da categoria é 1º de março. Ribeirão Preto tem 9.204 funcionários na ati­va e mais 5.875 aposentados e pensionistas que recebem seus benefícios pelo IPM. Os servi­dores pedem reajuste de 5,48%. São 3,78% de reposição da in­flação acumulada entre feverei­ro de 2018 e janeiro deste ano, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indexador oficial usado pelo Instituto Brasileiro de Ge­ografia e Estatística (IBGE) –, e mais 1,7% de aumento real.

O mesmo percentual (5,48%) é cobrado sobre o va­le-alimentação da categoria e no auxílio nutricional dos apo­sentados e pensionistas. A pre­feitura diz que não pode conce­der aumento salarial porque já ultrapassou o limite prudencial de gastos com a folha de paga­mento estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 54% – diz que está acima de 55,8% e foi alertada pelo Tribu­nal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

A greve será julgada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), um colegiado da Corte Paulista que envolve todos os desembarga­dores. Na terça-feira (23), o juiz Gustavo Müller Lorenzato, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto, que concedeu duas liminares em ações impe­tradas pela prefeitura e pelo De­partamento de Água e Esgotos (Daerp) e restringiu a greve dos servidores municipais, anun­ciou incompetência do juízo de primeira instância para avaliar movimentos paredistas.

Ele suspendeu a multa diária de R$ 20 mil em caso de deso­bediência por parte do Sindicato dos Servidores Municipais (SS­M/R), mas manteve as demais sanções. Uma das liminares de­termina a manutenção de 100% dos trabalhadores em atividade nas secretarias municipais da Saúde, Educação e Assistência Social. A medida também pre­vê que sejam mantidos 50% dos funcionários nas demais reparti­ções, inclusive com escala emer­gencial de trabalho para evitar danos à população.

No dia 10 de abril, o ma­gistrado já havia ampliado a quantidade de repartições do Daerp que devem manter 100% do efetivo. No total, as decisões atingem mais de 90% dos 850 funcionários da autarquia. Ele não proibiu piquetes, mas au­torizou o uso da força policial em caso de vandalismo ou vio­lência. Ribeirão Preto tem 9.204 funcionários na ativa e mais 5.875 aposentados e pensionis­tas que recebem seus benefícios pelo Instituto de Previdência dos Municipiários (IPM).

No ano passado, depois de dez dias de greve, que terminou em 19 de abril, foi concedido re­ajuste salarial de 2,06% com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE, com acréscimo de 20% de ga­nho real, totalizando 2,5% de aumento. O mesmo percentual foi aplicado no vale-alimenta­ção, que passou de R$ 862 para R$ 883,55, aporte de R$ 21,55, e na cesta básica nutricional dos aposentados. Os dias parados não foram descontados, mas a categoria teve de repor o perío­do de greve.

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