A Secretaria Municipal da Saúde emitiu nota na noite desta quarta-feira, 22 de julho, para avisar que não vai pedir aos médicos da rede para receitar, neste momento, a cloroquina e a hidroxicloroquina aos pacientes em tratamento contra a covid-19.
Apesar da grande repercussão na mídia de todo o país sobre a utilização dos medicamentos na prevenção e tratamento precoce ao novo coronavírus, inclusive com defensores como o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Cidade, Onyx Lorenzoni, a pasta se baseou em estudos científicos.
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu as pesquisas com a hidroxicloroquina. A maioria dos médicos e cientistas alertam para os efeitos colaterais graves que esse tipo de medicamento pode causar e descartam sua utilização.
O Ministério da Saúde, porém, seguindo orientação de Bolsonaro, recomenda o uso do medicamento, inclusive para gestantes e crianças. O presidente é defensor deste tratamento e dois ministros da Saúde já deixaram o governo por, entre outros motivos, se oporem ao uso amplo da droga.
Mesmo antes do posicionamento do ministério, médicos já vinham receitando a cloroquina nas redes privada e pública de forma “off label”, fora das recomendações da bula. Para dar respaldo a esta situação, mas sem seguir recomendações científicas, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu, no fim de abril, livrar de infração ética o profissional que prescrever cloroquina contra covid-19.
“A Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, em consenso com o Comitê Técnico de Enfrentamento à doença, não incluirá, neste momento, a sua utilização na rede pública de Ribeirão Preto para pacientes do SUS nas situações citadas, com base nos estudos científicos promovidos por várias instituições no mundo”, diz a nota, citando, inclusive, a Universidade de Oxford.
Sertãozinho
Médicos que integram o Comitê da Covid-19 em Sertãozinho pediram, nesta quarta-feira, o desligamento do grupo que orienta as políticas de enfrentamento à pandemia na cidade. Em carta enviada ao prefeito Zezinho Gimenez (sem partido), eles alegam que o motivo é a adoção, contrária a um parecer do próprio comitê, do uso de cloroquina e azitromicina na rede municipal para tratar pacientes com sintomas de coronavírus.
A prefeitura informou que já tinha conhecimento sobre o posicionamento contrário da equipe de infectologistas, mas que vai manter a decisão do protocolo medicamentoso precoce, seguindo criteriosamente as recomendações do Ministério da Saúde. O medicamento começa a ser receitado nesta quinta-feira (23), mas é preciso prescrição médica.
Segundo o documento assinado pelos infectologistas Marilia Borsari, Renata Abduch, Sheila Cristina Teodoro e Victor Franco Oba, em 1º de julho, o comitê emitiu um parecer técnico em que afirma que não existem estudos que comprovem o benefício dos medicamentos em pacientes graves.