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RP tem 205.225 inadimplentes

JF PIMENTA/ARQUIVO

Levantamento da Associa­ção Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) aponta que sete em cada dez ribei­rão-pretanos (70%) possuem dívidas e que cerca de um em cada três está com parcelas em atraso (quase 30%). De acordo com os dados apurados pelo Instituto de Economia Maurí­lio Biagi, departamento de es­tatísticas da entidade, 28,27% da população da cidade – um total de 205.225 pessoas – pos­suem dívidas atrasadas e estão inadimplentes.

A vencer
Além disso, 77,62% dos moradores de Ribeirão Pre­to têm débitos a pagar, mas que ainda não venceram. São 563.469 trabalhadores com algum “papagaio” pela frente. A Acirp considera para o cál­culo a base populacional da Boa Vista SCPC, de aproxima­damente 725.900 habitantes, mas levantamento parcial do Censo Demográfico do Insti­tuto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que são 702.739 ribeirão-pretanos.

Vai pagar?
A perda do controle dos gastos é tal que dos ribeirão­-pretanos endividados, cerca de 36,4% apresentam risco de não conseguirem quitar suas dívidas. O cartão de crédito permanece como o principal tipo de dívida e é um problema para 53% dos moradores com pendências no município.

Gastos
Os principais gastos no car­tão foram de subsistência e do­mésticos, incluindo compras em supermercados (alimentos), produtos como roupas, cal­çados, eletrodomésticos, etc., medicamentos, alimentos por delivery e gastos com transporte (principalmente combustível).

Os analistas do IEMB apon­tam pelo menos três grandes motivos para o aumento da inadimplência e do endivida­mento registrado, começando pela inflação nos últimos três anos, que estava em 4,52% ao ano em 2020, mais que dobrou em 2021, batendo 10,06% du­rante o auge da pandemia.

Inflação
Ano passado, o Índice Na­cional de Preços ao Consumidor Amplo – o indexador oficial de preços no país – ficou em 5,79%, ainda bastante impactante para a economia, acima da meta es­tabelecida pelo Conselho Mo­netário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC), que era de 3,5%, com teto de tolerância de 5%.

Consequência da inflação, o segundo motivo foi o cresci­mento dos juros, que influen­ciou diretamente na concessão e operações de crédito bancá­rio (financiamento, emprésti­mo, cartão de crédito e etc.). “A alta da inflação impacta direta­mente no bolso dos consumido­res, visto que corrói o seu poder de compra. Para controlar esse aumento, a alternativa é aumen­tar o juros”, diz Lucas Ribeiro, analista de economia da Acirp.

Selic
Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de dezembro, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 6,0% em 2022, 5,0% em 2023 e 3,0% para 2024. O colegiado manteve a Selic em 13,75% ao ano pela terceira vez seguida. Arrematando o quadro proble­mático, há ainda um terceiro fa­tor da crise: o desemprego.

“Sem um emprego, a popu­lação não conseguiu gerar renda e recorre mais ao crédito rotati­vo. Vira uma bola de neve. Por essa razão, a Acirp trabalha por um melhor ambiente de negó­cios que reduza custos e incen­tive a inovação e o investimento por parte do empresariado lo­cal, fatores imprescindíveis para manter a retomada do emprego”, afirma Carlos Ferreira, gestor de Marketing e Relações Institucio­nais da Acirp.

Pesquisa
Conforme a Pesquisa de En­dividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de de­zembro, a proporção de famílias brasileiras endividadas fechou o ano passado em 77,9% do to­tal, recorde da série histórica da Peic, iniciada em 2011. A média anual de 2022 ficou 7,0 pontos percentuais (p.p.) acima da mé­dia de 2021.

Na comparação com a mé­dia de 2019, antes da covid-19 se abater sobre a economia, a alta de 2022 é de 14,3 p.p. Em 2018, a Peic havia registrado o menor endividamento pela média anu­al, com 60,3% das famílias rela­tando possuírem dívidas. Os dados anuais apontam ainda que 17,6% dos entrevistados na Peic se consideraram “mui­to endividados”, também o maior nível da série histórica.

Renda
Segundo a CNC, isso sig­nifica que, a cada dez famílias brasileiras, em torno de duas comprometem mais da metade de sua renda como pagamento de dívidas. O perfil da pessoa endividada no Brasil é de uma mulher, com menos de 35 anos e ensino médio incompleto, mo­radora das regiões Sul ou Sudes­te, cuja família recebe até dez sa­lários mínimos (R$ 13.020, com base no valor atual de R$ 1.302).

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