Começou na manhã desta quinta-feira, 25 de janeiro, a montagem da estrutura para receber o 26º Encontro Nacional de Folia de Reis de Ribeirão Preto, um dos mais tradicionais eventos do Brasil que será realizado no próximo domingo, dia 28. Organizado pela prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Cultura, a festa será na praça José Rossi, na Vila Virgínia, das nove às 21 horas, e a expectativa é receber cerca de 20 mil pessoas. A entrada é franca.
O local já começou a receber a instalação das tendas e banheiros químicos. No sábado (27), haverá os últimos ajustes. As festividades começam com a celebração da Santa Missa, seguida pela cerimônia da bênção das bandeiras de reis. Logo em seguida, às onze horas, começam as apresentações musicais que se estendem durante todo o dia com as 45 companhias de várias cidades de diversos estados.
“O Dia de Reis, comemorado em 6 de janeiro, é quando as companhias retornam as casas com suas bandeiras, após longa peregrinação, atendendo os devotos que os recebem para pagar suas promessas. Preocupadas em preservar essa cultura popular de fé e tradição, as companhias de reis criaram encontros pelo Brasil para resgatar e valorizar suas tradições”, explica a responsável pelo evento ribeirão-pretano, Carminha Rezende.
Uma das mais tradicionais comemorações da cultura popular folclórica, a folia de reis celebra de maneira diferente o nascimento do menino Jesus e a visita dos três reis magos (Gaspar, Melchior – ou Belchior – e Baltazar), reunindo milhares de devotos e voluntários. O homenageado deste ano será Eurípedes Pereira da Silva, mais conhecido como “Sapinho”. Carminha Rezende explica que a homenagem é merecida, pois durante anos ele tem colaborado com a organização do Encontro, sendo seu “braço direito”.
Após a missa e o hasteamento da bandeira, será a vez das apresentações das companhias de reis e congadas. Às 17 horas haverá encenação do Grupo de Teatro de Reisado, com direção da Carminha Rezende. O encerramento será às 21 horas. A folia de reis tem como objetivo resgatar raízes e preservá-las como bem imaterial da cidade. O encontro oferecerá aos visitantes uma completa infraestrutura com segurança, banheiros, água e ambulância.
Em 2017, apesar do público fiel, o número de companhias diminuiu em função da crise enfrentada pelas prefeituras – foram 30, sendo que em 2016 a cidade recebeu quase o dobro. No ano passado, a festa teve muita comida boa. Foram servidas cerca de duas mil refeições no salão da Igreja Paroquial Santa Maria Goretti, e o cardápio variado tinha arroz, feijão, carne, macarronada, salada e, claro, muita fartura, como manda a tradição.
Os visitantes também tiveram uma estrutura de primeira com barracas de comida, churrasquinho, artesanato, brinquedos espalhados no entorno da praça Jose Rossi. A Secretaria Municipal de Cultura recepcionou os foliões como uma tenda na entrada, o Departamento de Água e Esgotos (Daerp) distribuiu água, a Empresa de Trânsito e Transporte Urbano (Transerp) organizou o trânsito e a Coordenadoria de Limpeza Urbano (CLU) providenciou lixeiras no ecoponto da praça, além da instalação de banheiros químicos.
A história da folia de reis
Festejo de origem portuguesa, foi trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural nacional e ainda hoje se mantém vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país. Ligado às comemorações do catolicismo, faz parte do ciclo do Natal, quando são feitas as comemorações do nascimento de Jesus com festas populares como congados, folia de reis, império do divino, reinado do rosário e pastorinhas.
Conhecida como reisado, também tem caráter folclórico (espécie de folguedo). Segundo a tradição católica, no momento que os reis magos avistaram no céu a Estrela de Belém, foram ao encontro de Jesus e levaram incenso, ouro e mirra. Por trás dos presentes levados havia uma simbologia: a realeza (ouro), a divindade ou a fé (incenso) e a imortalidade (mirra).