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Psicologia da Saúde Mental (3): Fontes de Informação

Tal como ocorre em quase todas as ciências, os fundamentos do conhe­cimento psicológico também originaram-se da observação do comporta­mento. A partir de estudos de casos, em que indivíduos específicos foram descritos detalhadamente, clínicos habilidosos conseguem apreender muitas informações, utilizando o mesmo método de estudo na avaliação de novos casos. Nesta circunstância específica, ainda que a informação apresentada possa ser enviesada pelo observador, bem como, oferecer pouco poder de generalização, os novos estudos constituem excelentes maneiras de ilustrar o material clínico. Ademais, os estudos de casos podem fornecer suporte para uma determi­nada teoria, em particular, ou alguma evidência negativa que desafie uma idéia prevalecente ou suposição, constituindo-se fontes valiosas de novas ideias e estímulos para pesquisa. Especialmente, podem fornecer “insights” incomuns em condi­ções clínicas que, muito raras, não seriam estudadas de maneira mais sistemática sem que isso ocorresse.

Por sua vez, o estudo rigoroso do comportamento também pode fazer uso de registros verbais ou de auto-relatos verbais das pessoas que deseja­mos conhecer melhor. Neste caso, é possível solicitar que os participantes completem questionários de vários tipos. O clínico, ou pesquisador, per­gunta uma série de questões e então registra o que a pessoa diz. Certamente, apesar de suas limitações, e há várias conhecidas, perguntar para as pessoas registrarem suas experiências subjetivas pode ser um excelente modo de coletar informação profunda delas próprias.

Quando, por outro lado, queremos coletar dados de maneira que não tenhamos que solicitar diretamen­te às pessoas fazerem o auto-relato verbal, podemos fazer uso de uma abordagem observacional. Clínicos treinados podem estudar, e registrar, os comportamentos manifestados por crianças, adultos e idosos em diferentes contextos de laboratórios (condições estruturadas) e em situações naturais, reais, de campo; situações, estas, com elevada validade externa ou ecológica. Neste caso, a observação direta do comportamento para o qual temos interesse clínico ou de pesquisa é uma das ferramentas utilizadas.

Na realidade, em muitos contextos práticos, os clínicos e os pesquisa­dores em saúde mental podem fazer uso de uma mistura dos métodos de auto-registros verbais e observacionais. Importante destacar, neste caso, que observar o comportamento significa muito mais que observar pessoas. Observar pessoas, nesse contexto, refere-se a fazer um cuidadoso escrutínio contínuo, e profundo, da conduta, e da maneira, de indivíduos específicos, a saber, pessoas saudáveis, pessoas com depressão, pessoas com ansiedade e pessoas com esquizofrenia, entre outros.

Finalmente, nós podemos estudar diretamente os cérebros dos pacientes com depressão através das técnicas de imageamento cerebral. Nesta opção, coletar informações sobre variáveis biológicas (incluindo os batimentos cardíacos, ou mesmo sobre as taxas dos hormônios de estresse, tais como cortisol), registrar os imageamentos cerebrais através das técnicas de fMRI, fornecedoras de registros, indicadores e fluxo sanguíneo dos sujeitos de interesse, sejam estes pacientes saudáveis ou não, que realizam tarefas espaciais, mnemônicas, verbais e outras mais ou menos complexas, relevantes para os interesses clínicos de diagnóstico, prognóstico e tratamentos.

Estas diferentes fontes de informação, portanto, podem fornecer-nos dados poten­cialmente valiosos, que se constituem como verdadeiras bases da investigação científi­ca com interesse clínico.

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