A Petrobras informa que sua diretoria executiva, em reunião realizada na tarde desta quarta-feira, 23 de maio, decidiu reduzir em 10%, equivalente a R$ 0,23 por litro – pode chegar a R$ 0,25 –, o valor médio do diesel comercializado em suas refinarias. Com isso, o preço médio de venda da Petrobras nas refinarias e terminais sem tributos será de R$ 2,10 por litro a partir desta quinta-feira (24). Este preço será mantido inalterado por período de 15 dias. Após este prazo, a companhia retomará gradualmente sua política de preços aprovada e divulgada em 30 de junho de 2017.
Esta decisão será aplicada apenas ao diesel e tem como objetivo permitir que o governo e representantes dos caminhoneiros tenham tempo para negociar um acordo definitivo para o contexto atual de greve e, ao mesmo tempo, evitar impactos negativos para a população e para as operações da empresa. A medida é de caráter excepcional e não representa mudança na política de preços da Petrobras. Com esta decisão, a companhia acredita que seja possível ao governo e aos representantes dos caminhoneiros encontrar uma solução que tenha impacto definitivo nos preços do diesel comercializados no Brasil.
A Petrobras também anunciou que, com o reajuste que entrará em vigor nesta quinta-feira, o preço médio do litro da gasolina sem tributo nas refinarias será de R$ 2,03, com queda de 0,62% em relação à média atual de R$ 2,04. “Na visão da Petrobras, esta negociação passa necessariamente pela discussão de reduções da carga tributária federal e estadual incidente sobre este produto, uma vez que representam a maior parcela na formação dos preços do combustível”, afirmou a empresa.
O abastecimento nos postos de Ribeirão Preto também está comprometido. Nesta quarta-feira (23) já faltava combustível em alguns revendedores e em outros houve majoração nos preços – aumento entre R$ 0,08 e R$ 0,10 por litro de diesel. Nas bombas, o produto custa R$ 3,67 (R$ 3,669) nos postos sem-bandeira e R$ 3,90 (R$ 3,897) nos bandeirados, variação de 6,26% e diferença de R$ 0,23.
Segundo a última pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 108 cidades paulistas entre 13 e 19 de maio, o valor médio ao consumidor é de R$ 3,570 (mínimo de R$ 3,459 e máximo de R$ 3,699). Na região, três terminais distribuem diariamente cerca de 3,5 milhões de litros de gasolina etanol e diesel, mas nesta quarta-feira os manifestantes fizeram bloqueios nestes locais e o abastecimento foi prejudicado em várias cidades da região.
Muita gente passou por dois, três postos e não conseguiu encher o tanque. Filas se formaram e os motoristas levaram até três horas para chegar a bomba. Por enquanto, o desabastecimento é pontual, mas a situação pode se agravar se a greve continuar nos próximos dias. Preocupados com o risco de faltar combustível devido à greve dos caminhoneiros, consumidores já causam uma corrida aos postos de abastecimento em várias regiões do Estado de São Paulo. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, essa corrida pode causar uma falta generalizada de combustível, com consequências graves para a população.
Diante da grande mobilização dos caminhoneiros, a Força Sindical convocou um ato para esta quinta-feira, em frente à sede da Petrobras em São Paulo, na avenida Paulista, para demonstrar apoio ao movimento dos motoristas de caminhão e para tentar incluir a pauta da redução do preço do botijão de gás de cozinha no debate sobre a política de preços da estatal. Para o ato, sindicalistas pedem que manifestantes levem botijões vazios para a Paulista. Outras centrais, como a União Geral dos Trabalhadores, também devem participar.
Os caminhoneiros protestaram ontem pelo terceiro dia consecutivo em todo o País contra o reajuste nos preços do diesel, mesmo após o governo dizer que pode zerar a Contribuição sobre o Domínio Econômico (Cide) se o Congresso aprovar a reoneração da folha de pagamento. As manifestações já provocaram impacto no abastecimento, inclusive de alimentos.
Entre as entidades que apóiam a greve estão a Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Carga em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens), Confederação Nacional dos Transportadores Autonômos (CNTA), Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) e União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam).