Adriana Dorazi Especial para o Tribuna Ribeirão
Radioamador, assim escrito junto, é o operador do rádio usado na comunicação entre pessoas. A tecnologia tem muita tradição e desperta paixão para os membros da Casa do Radioamador de Ribeirão Preto (CRRP). Serviço de utilidade pública reconhecido por lei desde 1965, a associação foi fundada um ano antes. Contribui para preservar parte importante da história da comunicação, além de ajudar a salvar vidas!

Gilmar de Moura Gaspar é o coordenador de entidade sem fins lucrativos na cidade. Também integra uma rede estadual de radioamadores ligada à Defesa Civil. Conta que manter o funcionamento da tecnologia é fundamental. “Usamos o rádio em situações de perigo ou calamidade, para salvar quem faz trilhas de jipe ou bicicleta. Também participamos, por exemplo, do socorro às pessoas que foram atendidas no desabamento da gruta Duas Bocas em Altinópolis em 2021”, lembra.
Atualmente são 110 rádios licenciados em Ribeirão Preto, conectados a outros 10 mil no estado de São Paulo. Em todo país são 350 mil operadores, mais de dois milhões em diversos países pelo mundo. “O radioamadorismo é isso, pesquisa, estudo e prática. Aprendemos com os mais experientes um pouco mais de eletrônica, eletricidade, antenas, cabos, outros equipamentos”, detalha o coordenador.
Novas gerações
No último sábado, quando a reportagem do Tribuna Ribeirão foi até a Casa do Radioamador, no bairro Roberto Benedetti, um grupo de escoteiros estava presente para aprender como utilizar a linguagem codificada Morse e manejar os aparelhos que podem alcançar grandes distâncias.

Os jovens testaram na prática as técnicas que já foram usadas em guerras, navios e até para ajudar no salvamento recente das famílias atingidas pelos deslizamentos no litoral paulista graças a uma estação montada em São Sebastião, conectada diretamente com o Palácio dos Bandeirantes.
Fabiano Freire é um engenheiro eletricista membro da Casa do Radioamador. O especialista conta que quando outras tecnologias falham, como celular e internet, os radioamadores estão sempre prontos para atuar. “Cedemos os equipamentos que fazem parte da nossa rede para que os profissionais bombeiros, policiais, Defesa Civil possa manter a operação e agilizar os trabalhos, poupando vidas”, relata.
Preservação do Patrimônio
Durante grande parte de sua história a Casa do Radioamador ficou alojada no Morro São Bento, em prédio tombado com este nome, de acordo com o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, o Conppac. Desde 2018, quando o local já precisava de reparos, foi transferida para outro prédio público em sistema de comodato.
Em nota, a prefeitura não confirma o tombamento oficial do prédio no Morro São Bento. Informou apenas que “a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento está em trâmite o processo de concessão de direito real de uso em face da Casa do Radioamador (prédio atual). O tempo de concessão previsto é de 30 anos”.

Já a Secretaria de Cultura destacou que “está à disposição para apoiar institucionalmente a instituição”, sem detalhar como essa ajuda contribui com o trabalho educativo, cultural e histórico da CRRP.
De acordo com Gilmar o apoio do poder público é apenas este, que tem valor, mas fica muito aquém das necessidades. A associação possui grande acervo histórico de aparelhos e documentos que é preservado graças ao trabalho voluntário dos membros. São eles quem também investem recursos próprios para que a casa receba visitantes todos os domingos.

O prédio histórico no morro, onde havia benefícios de expansão do sinal, foi cedido ao governo estadual. Até o final do ano deverá abrigar uma base da Polícia Militar. A prefeitura não esclareceu como ficará a questão do tombamento. A reportagem do Tribuna Ribeirão questionou a administração municipal sobre o tema, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.
No prédio da rua Benedito Tórtoro, 155, é mantida a “Sala de Memória do Rádio” (composta por equipamentos de radiocomunicação antigos, de vários períodos) e “Sala de Leitura” (com acervo de livros e revistas de eletrônica, eletricidade e radiocomunicação) aberta para visitação do público em geral.
De acordo com o registro histórico, a Casa do Radioamador começou com uma reunião de profissionais de comunicação da cidade em uma choperia tradicional. “Aos pioneiros, outros mais se juntaram e começaram a se reunir em locais gentilmente cedidos pelos simpatizantes do movimento radio amadorístico”, consta no site da entidade.


Radioamador em ação
Os associados realizam reuniões abertas, semanais todo domingo às 10h, promovendo a troca de experiências técnicas e sociais relevantes ao hobby. Há eventos, treinamentos e outras atividades esporádicas que podem contar com a participação de interessados.
Desde a fundação a CRRP promove cursos permanentes em vários níveis, nas áreas de eletrônica, radioeletricidade, telegrafia, e legislação de telecomunicação, abertos à população, direcionados principalmente aos interessados em prestar exame de ingresso e/ou promoção de classes dentro do radioamadorismo.
O coordenador destaca que os membros da casa estão à disposição de empresas, escolas, universidades e grupos de interessados para palestras sobre telecomunicações. Mais informações podem ser obtidas direto com Gilmar pelo telefone 16. 99137-3467.