Li, recentemente, em jornal paulistano, o resultado de uma pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial e, mesmo antevendo que os resultados não deveriam ser bons para o Brasil, fiquei horrorizado: tratava-se da confiança do povo nos políticos, do nível de confiança de cada população em seus políticos. Dentre 137 países do mundo, o Brasil está em último lugar!! Isto, apesar de me entristecer, não me surpreendeu: se perguntarmos nas ruas, sem citar nomes, o que o povo pensa da classe política, a maioria vai dizer “é gente que não presta”, “são ladrões”, “são corruptos”. É este, lamentavelmente, o conceito da Nação quanto aos seus políticos.
Mas quem, entretanto, elege os políticos? São os eleitores, o povo. Neste ano, teremos eleições. Será uma grande chance de o eleitor fazer uma limpeza na política. A política está suja? É verdade. Então, vamos limpá-la… Mas como? Em primeiro lugar, cada partido deve escolher gente boa e o eleitor, dentre os bons candidatos, deve preferir os melhores!
A questão partidária, no Brasil – eis um entrave –, está lastimável. Temos mais de 35 partidos oficiais recebendo verbas do chamado Fundo Partidário e mais 68 pedindo registro. Se todos forem aprovados, o Brasil será campeão mundial no número de partidos: terá quase 100 partidos políticos. Agora, se perguntarmos qual a filosofia, quais os princípios defendidos por cada partido, vamos encontrar um imenso vazio porque a maioria dos partidos, na realidade, só existe para tirar vantagens.
Para mudar essa situação eu defendo uma grande reforma política no Brasil, a começar pela diminuição do número de parlamentares. Lá em Brasília, por exemplo, eu fui deputado federal; eu era um entre 513. Calculem: se cada um apresentar dois projetos por ano, serão mil projetos. Quando esses projetos serão discutidos e votados no Parlamento nacional? Nunca.
Mesmo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) somos 94 deputados. Defendo uma redução no número de parlamentares com a divisão do estado de São Paulo em dez regiões político-administrativas e cada uma podendo eleger três deputados estaduais. Seriam 30. Mas podemos, porém, aumentar um pouco: em vez de 94, reduzir pela metade e, assim, estaríamos reduzindo pela metade o custo da Assembleia Legislativa, hoje chegando a perto de um bilhão de reais por ano.
Também acho necessário diminuir o número de partidos. Não precisaríamos mais do que quatro ou cinco. Defendo, assim, eleições distritais e a adoção do parlamentarismo, bem como a proibição da reeleição de quem esteja no poder Executivo porque estabelece-se uma concorrência desigual com quem esteja de fora.
Defendo , enfim, uma grande reforma política neste País para eliminar esse conceito de que “nenhum político presta”, de que a classe política está desmoralizada e para dar lugar a representantes conceituados, bem escolhidos e dignos da confiança da população.
Para recuperar sua credibilidade, a classe política precisa aprender a conquistar e a merecer – através de atitudes e compromissos explícitos – a confiança dos seus eleitores!!!