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Pacto Educativo Global, Fraternidade e Educação

A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou na quarta-feira de cinzas, a Campanha da Fraternidade de 2022 que traz o tema “Fraternidade e Educação” e o lema bíblico “Fala com sabedoria, ensina com amor”. O objetivo da Campanha vai além dos problemas na educação e nos convida a também refletir sobre os fundamentos do ato de educar na perspectiva católico-cristã. O Papa Francisco enviou mensagem destacando a necessidade de valoriza­ção das pessoas em integralidade, evitando a cultura do descarte, que coloca os mais vulneráveis à margem da sociedade.

Preocupado com o tema, em 2020 o líder católico já havia con­vocado um Pacto Educativo Global, fundamentado em sete com­promissos: colocar a pessoa no centro de cada processo educativo; ouvir as gerações mais novas; promover a mulher; responsabilizar a família; se abrir à acolhida; renovar a economia e a política e cuidar da casa comum. A proposta é fornecer uma educação humanizada capaz de formar pessoas abertas, integradas e interligadas prepara­das para cuidar melhor do planeta difundindo “um novo modelo re­lativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza”.

A Campanha da Fraternidade e o Pacto Educativo Global estão em total sintonia com nossa realidade, a prova disso foi que, na mesma quarta, foram apresentados os resultados do Saresp – Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo, que serve para diagnosticar a situação da escolaridade básica paulista e orientar os gestores do ensino quanto às políticas para a melhoria da qualidade educacional.

O Saresp analisou a proficiência, ou seja, a habilidade do aluno em cada disciplina e os dados foram alarmantes apontando que em língua portuguesa, o estudante que está no 5º ano apresenta a mesma profici­ência de um aluno do 3º ano do ensino fundamental, no nível adequa­do. Já no 9º ano, a média do conhecimento se encontra no básico, o que seria adequado para o 7º ano. Para piorar, o aluno da 3ª série do ensino médio saiu da escola com proficiência adequada ao estudante do 8º ano do ensino fundamental. É como se um ciclo completo fosse perdido.

Em matemática, o quadro também é desolador com alunos do 5º ano apresentando a mesma proficiência esperada de um estudante do 2º ano. O aluno do 9º ano apresenta conhecimento adequado para o 5º ano. Assim os estudantes da última série do ensino médio, estão recebendo certificados de conclusão de curso, mas com defasa­gem de quase seis anos. O reflexo imediato será quando forem lutar por vagas em universidades ou no mercado de trabalho.

Nos últimos anos o rendimento escolar já vinha em queda e com a pandemia a situação foi consideravelmente agravada. Agora com a retomada das aulas presenciais, será necessário recuperar todo o conteúdo e conciliar os alunos que já estavam em cada ciclo e não aprenderam com os que estão chegando às fases adequadas.

Na contramão, apoiado pelo Congresso Nacional, o governo federal impôs vetos ao orçamento do Ministério da Educação destinado a 2022 com cortes que somam R$ 739,9 milhões. Somente em Educação Bási­ca, infraestrutura e transporte escolar a redução será de R$ 402 milhões, fragilizando ainda mais os programas estratégicos. Para melhoria das condições de formação e capacitação de professores, aquisição de mo­biliários e outras ações que impactam diretamente no bom funcio­namento das escolas, Estados e Municípios terão que se submeter às indicações através das emendas impositivas e de relator.

Um povo educado fala com sabedoria, ensina com amor, é mais cidadão, não produz violência, não destrói a natureza, não incentiva a guerra e, principalmente, sabe escolher melhor seus dirigentes. Que os esforços pela educação não se resumam ao período da quaresma e que a triste realidade apontada pelos resultados do Saresp seja urgente­mente superada. Parafraseamos o Papa, com nosso desejo de que as sementes lançadas ao longo deste caminho frutifiquem “em ações concretas a favor de uma educação integral e de qualidade”.

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