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Olhar também para a vida

Recentemente, a epidemiologista Jennifer Nuzzo, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, disse que a decisão de reabrir escolas não pode ser tomada com base apenas na ten­tativa de impedir a transmissão de covid-19, e apontou como necessário ter uma visão holística do impacto do fechamento da escola nas crianças e nas famílias. De acordo com ela, o ensino a distância pode fornecer temporariamente às crianças uma rotina, mas acrescentar mais alguns meses a isso poderia prejudicá-las permanentemente, principalmente as que já estão com dificuldades para aprender ou absorver conteúdos.

Isso porque, conforme apontam médicos e especialistas, o confinamento prolongado tem o potencial de gerar diversos problemas nas crianças, que são vulneráveis e podem mostrar irritabilidade, ansiedade, falta de sono e apetite, atrasos no desenvolvimento e outros. Esse novo contexto acendeu um importante sinal de alerta para o estresse tóxico, advertiu a própria Sociedade Brasileira de Pediatria, quea tensão diária gerada pela situação de pandemia “pode acarretar em dife­rentes transtornos”.

As análises não podem ser só em cima de números, pro­jeções matemáticas e estatísticas de mortes. Se, por um lado, se pensa com propriedade em questões como nível de trans­missão, possibilidades de contágio, por outro é necessário se considerar a saúde física e mental dos pequenos, que estão em quarentena junto com adultos, grupos de risco, idosos com mais de 60 anos há mais de 120 dias.Essa balança tem dois lados e não apenas um.

A partir de estudo com 605 crianças (menores de 15 anos) na França, durante o confinamento, o seu coordena­dor, o pediatra e infectologista Robert Cohen, afirmou que as crianças parecem ser menos infectadas e contagiosas, com apenas 1,8% delas com resultado positivo (PCR), levando à conclusão de que seriam os adultos que infectam as crianças e não o contrário. “As crianças precisam voltar a ter uma vida de criança”, ressalta.

No estado de São Paulo, por exemplo, conforme o levan­tamento diário publicado em seu site, o governo estadual apurou e divulgou no último dia 03/08, que a faixa de idade de menores de 10 anos é a penúltima (a 8ª) da lista de infec­tados, com 11.675 casos: apenas 2,08% do total, e a menor mortalidade (31).

Decidir-se olhando somente para esses números – de manter o fechamento das escolas para tentar impedir a transmissão, é pesar só de um lado da balança. Tirar o ne­cessário equilíbrio da equação, que seria também o de levar em consideração o que está ocorrendo com as famílias e os pequenos. Recentemente, o infectologista David Uip disse­que “não há risco zero” e que a volta às aulas seria “extrema­mente necessária”.

E é isso o que realmente importa, olhar para a vida. E não só para a morte. É o nosso compromisso com as famílias, crianças, enfim, toda a comunidade escolar, desde o início da pandemia. Compromisso com o equilíbrio necessário entre o menor risco e a volta às aulas, com o acolhimento fundamen­tal às crianças e jovens, de forma segura. Compromisso com a vida, pois toda vida importa.

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