João Camargo
Com os avanços tecnológicos e com a população cada vez mais inserida nas redes sociais, os criminosos estão se especializando e se aproveitando das pessoas nessas plataformas. Antigamente, golpes como do “bilhete premiado” eram clássicos. Contudo, atualmente, as principais armadilhas estão relacionadas com aplicativos de mensagens e com o mundo digital. Para esse novo ano, é importante ficar alerta com as artimanhas desenvolvidas pelos golpistas.
Um dos golpes que estão ocorrendo com frequência nos últimos anos é o do falso funcionário de instituição financeira. Neste, a vítima recebe contato de uma pessoa que se passa por funcionário de um banco e relata que a vítima sofreu clonagem no cartão. Outra possibilidade é o criminoso oferecer ajuda para cadastro da chave Pix, induzindo à realização de transferência bancária que será feita, na realidade, para a conta do golpista.
Outra armadilha já bastante conhecida é a do falso sequestro. A pessoa entra em contato com a vítima, afirmando que sequestrou alguém da família e diz que tem um valor a ser pago. Entretanto, esta, também envolvendo Pix, foi aprimorada pelos criminosos.

De acordo com o advogado Gustavo Henrique Cabral, vários golpes e dos mais diversos tipos são feitos diariamente. Para ele, o que mais incomoda nessas situações é o fato de que, em geral, estes ocorrem mais por falha da vítima do que esperteza de quem o pratica.
“O próprio golpe do WhatsApp clonado já deveria ter deixado de existir, pois não é difícil para quem o leva identificar a situação. Teve gente que caiu nesse golpe e transferiu R$ 30 mil para um golpista, acreditando que estaria transferindo para o próprio filho”, comentou Gustavo.
Nesses casos, os golpistas elaboram uma mensagem no WhatsApp informando falsamente que são de empresas com as quais as vítimas têm relacionamentos ou que são familiares que trocaram de números telefônicos. A partir disso, ou solicitam algum código de segurança, enviado por SMS, ou pedem por uma transferência, dizendo precisar pagar uma conta com urgência.
O advogado ressaltou que os bandidos adicionam várias pessoas indistintamente nas redes sociais e, depois, entram em contato pelos mensageiros. A partir disso, começam a identificar o perfil de quem pode cair no golpe. Em 2021, um dos clientes de Gustavo quase foi vítima de uma armação chamada “golpe da novinha” ou “golpe da falsa delegacia”.
Ao se passar por uma menina, o golpista adiciona a vítima nas redes sociais, pedindo e oferecendo nudes. Após a troca dessas fotos íntimas, os golpistas armam uma cena em que se passam por policiais civis, em geral do estado do Rio Grande do Sul, e que conversam com a mãe da suposta menina. Gravando toda a encenação, a mulher diz que gostaria de registrar um boletim de ocorrência e afirma que a “filha” é menor de idade e que encaminhou nudes para a vítima.

No entanto, o golpe não para por aí. Feita a gravação, os criminosos, se passando por policiais, entram novamente em contato com a vítima e oferecem a possibilidade de realizar um depósito na conta do agente para que o caso não seja registrado.
Diante dessas situações, o advogado informou que entre as medidas para evitar ser vítimas de casos como estes é importante adicionar nas redes sociais somente pessoas que conheçam ou que tenham no mínimo amigos em comum. “Não fazer pagamentos. Policial correto não pede dinheiro e pagar para evitar investigação criminal é crime”, disse.
Além disso, caso tenha sido vítima de um golpe, Gustavo comunica que a primeira coisa a se fazer é procurar alguém que tenha mais experiência na área policial ou jurídica, para que possa orientar e tentar evitar o golpe. “Ligue para alguém, conte o que está acontecendo e tente não tomar decisões precipitadas”, finalizou o advogado.
Operação policial
Na última segunda-feira, 10 de janeiro, a Polícia Civil de Ribeirão Preto prendeu 22 pessoas durante uma operação deflagrada para dar cumprimento a mandados de prisão e de busca, visando o esclarecimento de golpes financeiros. As ações foram cumpridas na Capital, Grande São Paulo e Interior. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), os trabalhos da operação denominada “Embuste” foram realizados por policiais da Deic da cidade, que investigava alguns crimes ocorridos entre setembro e outubro de 2021.

Em um dos casos, a vítima recebeu uma mensagem por aplicativo de um perfil idêntico ao do seu irmão, dizendo que havia trocado o número e que aquele novo telefone seria o contato adequado para ser adicionado em sua agenda telefônica do celular, devendo excluir o anterior. Em seguida, o perfil falso afirmou que estava com problemas de acesso em sua conta bancária e contas a pagar, solicitando transferências de diversos valores em diferentes contas e Pix, as quais foram efetuadas somando aproximadamente R$ 650 mil.
A partir do registro deste e de outros casos análogos, as investigações foram prontamente iniciadas, indicando que alguns correntistas haviam cedido ou alugado suas contas bancárias, com pleno conhecimento do caráter ilícito das operações. De acordo com o apurado, os donos dessas contas providenciavam imediatamente os saques ou transferências dos numerários recebidos para os demais integrantes do grupo, mediante o recebimento de parte dos valores, pela participação no golpe.
Também foram usadas contas frias, que são contas criadas pelos criminosos com uso de dados de pessoas falsas ou inocentes. A partir das informações colhidas, foram requisitados mandados de prisões temporárias e de buscas e apreensões, sendo que as ordens foram prontamente deferidas pela Justiça.