Um acidente de moto em dia 22 de novembro de 2009 mudou completamente a vida e o destino da jovem Mariana Garcia, então com 15 anos de idade. Ela estava na garupa e com a colisão fraturou a coluna, uma lesão T4 – quarta vertebra da coluna torácica, e ficou paraplégica. Anos depois, ela deu a volta por cima e conheceu no esporte uma maneira de mostrar sua garra e determinação. O sonho é disputar uma paralimpíada.
Dez anos depois do trágico acidente, Mariana, ou Mari, como é conhecida entre os atletas, conta ao Tribuna como transformou sua vida, seus sonhos e seus objetivos. Lembra que no começo sofreu para se adaptar. “No início foi difícil. Eu tinha 15 anos, uma vida inteira pela frente e passava muita coisa na minha cabeça. Eu ainda não tinha entendido muito bem como ia ser. Tinha muita esperança de voltar a andar. Porque comentaram que existia um período de choque medular e que geralmente demorava uns seis meses para a medula recuperar e desinchar. Então achei um bom tempo e pensei : daqui seis meses estarei correndo (rs)”, conta com tranquilidade.
Ela lembra que ficou muito debilitada por conta da altura da lesão. “Afetou muito o meu equilíbrio de tronco e até hoje não é muito bom, até mesmo a respiração porque eu perfurei os dois pulmões”, ressalta. Além da lesão na T4 e perfuração no pulmão, Mari fraturou uma costela esquerda e as duas clavículas, ficando um tempo sem movimentar os braços. “Mas logo comecei as sessões de fisioterapia e comecei a melhorar. Me reabilitei no hospital Sarah Kubitschek depois de seis meses do acidente”.
Forças para recomeçar
O carinho e a força da família e amigos foram fundamentais para que ela recomeçasse a vida. “Até hoje me sinto muito querida e me dão muita força”. A vida seguiu. Mariana terminou o colegial, depois de um ano tirou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e depois de mais um ano, só se dedicando à fisioterapia, resolveu fazer faculdade. “Me formei em pedagogia, com muito orgulho”, comemora.
Esporte como divisor
Além dos apoios de amigos e familiares e da determinação em seguir em frente, Mari encontrou no paratletismo uma paixão. Em 2013 ela fez natação e competiu por dois anos. “Mas foi em 2015 que tudo mudou e fez a diferença. Quando conheci o paraciclismo, me apaixonei e desde então comecei a treinar, investir em equipamento, competir
e não parei mais”, lembra.
O que o esporte lhe agregou? Mari não esconde as emoções. “São várias sensações, faz muito bem para a mente, além de conseguir superar meus próprios limites e me dar uma sensação de liberdade incrível, o vento no rosto, a velocidade e tudo mais.”
O curioso é que antes do acidente não tinha muitas expectativas como atleta. “Não, antes apenas fazia academia e aula de axé (rs)”. Hoje ela sente-se na melhor forma física. “Dentro das minhas expectativas, acima de tudo é me divertir com o esporte, ter uma vida saudável, e claro não deixar de lado a busca por melhorar o desempenho e obter melhores resultados.
Meu sonho é um dia poder representar o Brasil em uma paralimpíada”.
Engana-se quem pensa que a paratleta fica lamentando o que a vida lhe proporcionou aos 15 anos. “Eu sempre encarei o acidente de uma forma leve. Por ter esperança de me recuperar, fui levando. Não é nada fácil, mas depende da gente tornar o fardo mais leve ou pesado no dia a dia”. Ela diz que atualmente leva a vida “muito bem”. “O esporte faz toda a diferença. Não me vejo sem esporte e sem me movimentar de alguma maneira. Cuidar da minha saúde, do físico e também da minha qualidade de vida”.
Pedimos que ela deixasse um recado para quem passou ou está passando por dificuldades parecidas com a dela. “Eu diria que o sonho nunca acaba, ou seja, existe várias maneiras de recomeçar. Busque algo que goste de fazer, dentro da sua condição física, que melhore sua auto estima, tenho certeza que irá encontrar e ser muito feliz. Eu recomendo alguma prática esportiva. Não desista, se ame e se aceite como você é”, finaliza.