Neste momento os olhos do Mundo estão voltados para o leste europeu. A guerra entre Rússia e Ucrânia está mexendo com os ânimos de todo o planeta. Em poucos dias de conflito, já é notório os impactos que esse embate pode trazer, inclusive para o esporte.
A primeira grande medida tomada após o início do embate foi a mudança de sede da final da Uefa Champions League desta temporada, que estava prevista para acontecer na cidade de São Petesburgo, na Rússia. Agora, a decisão do torneio será realizada no Stade de France, em Paris.
As sanções contra os russos não param por aí. Dias depois, a Fifa, em conjunto com a Uefa, anunciou que a seleção russa estava fora da Copa do Mundo. A medida veio após a seleção polonesa, adversária dos russos na repescagem, anunciar que não jogaria a partida como protesto contra a guerra.

A decisão vale também para as seleções de base, equipes femininas e clubes que estavam em disputas internacionais, caso do Spartak Moscou, que estava nas oitavas de final da Europa League e foi desclassificado da competição.
As medidas não partem somente pelo lado das autoridades. Profissionais que são contra o confronto também estão se posicionado. O técnico alemão Markus Gidsol pediu demissão do clube russo Lokomotiv. “Não posso continuar em um país cujo líder é responsável por uma guerra”, afirmou o treinador.
Também há registros de jogadores que pediram rescisão de contrato com times da Rússia. Esse é o caso do zagueiro Pablo, que teve boa passagem pelo Corinthians. Ele já acertou sua saída do Lokomotiv e está livre no mercado de transferências.
O ucraniano Yaroslav Rakitskiy, que defendia o Zenit, principal clube russo, há quatro temporadas pediu rescisão contratual por conta da guerra.
Pesadelo na Ucrânia
O futebol ucraniano é um grande importador do talento brasileiro. Principalmente o Shakhtar Donetsk, que conta com 12 atletas nascidos no Brasil. Um deles, o atacante Júnior Moraes, é naturalizado ucraniano.
Esses jogadores, junto com outros brasileiros que defendem outras equipes na Ucrânia e suas famílias, viveram dias difíceis, escondidos num bunker, esperando ajuda para conseguir deixar o país.

Após dias de terror, atletas como David Neres, Pedrinho, Tetê, Dodô, Marco Antônio e Fernando já deixaram a Ucrânia e estão em segurança. Sem poder atuar por sua equipe, já que a competição foi paralisada, como a circulam rumores de que esses jogadores podem passar um tempo no Brasil.
Entretanto, apesar das especulações, nenhuma negociação está em andamento. Clubes como São Paulo, Corinthians, Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG estão acompanhando de perto a situação.
Futebol já parou por conta de uma guerra
A última vez que o futebol europeu foi obrigado a sair de campo por uma calamidade social, como ocorre neste momento com a pandemia do coronavírus, foi há oito décadas, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial.
O conflito histórico, que deixou entre 70 e 85 milhões de mortos em todo o mundo, devastou a Europa Central de 1939 a 1945. O futebol, naturalmente, sentiu o impacto da guerra, e a bola deixou de rolar nos principais países envolvidos. Com os campeonatos interrompidos, centenas de jogadores profissionais trocaram os gramados pelos campos de batalha.
Por causa da Segunda Guerra Mundial, duas edições da Copa do Mundo (1942 e 1946) e duas Olimpíadas (1940 e 1944) não foram realizadas.
Outros esportes
As sanções contra os russos não afetam somente o futebol. Diversas modalidades também estão sofrendo punições severas.
A Federação Internacional de Esqui (FIS), uma modalidade em que a Rússia é muito forte, decidiu excluir os atletas do país de todas as suas competições. A punição está prevista para valer até o final da temporada 2021/22.
No vôlei, outra disciplina em que os russos possuem fortes times, a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) comunicou que as equipes e seleções do país foram excluídas de torneios continentais. Além disso, a nação europeia não poderá organizar nenhum evento.
A Rússia também foi duramente impactada no rugby. Em uma sanção semelhante à da FIVB, os clubes do país e a seleção russa não possuem mais a permissão de disputarem eventos internacionais, já a federação local ficou de fora da World Rugby.
O conflito na Ucrânia também trouxe impactos negativos para a Rússia em outras modalidades, como ciclismo, atletismo, esgrima, tênis, natação e Fórmula 1, que retirou o Grande Prêmio de Sóchi do calendário da temporada de 2022.