Edwaldo Arantes *
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Chamava-o amigo dileto, uma das pessoas importantes na minha trajetória, Joaquim Maria Guimarães Botelho, presidente da União Brasileira de Escritores, romancista, especializado em Jornalismo Internacional pela University of Wisconsin, Web-Jornalismo pela USP e mestre em literatura e crítica literária pela PUC/SP.
Tive a felicidade e o privilégio de conhecê-lo quando dispôs da audaciosa ideia em realizar o Congresso Brasileiro de Escritores da UBE em Ribeirão Preto.
Foi um sucesso inesquecível construído com suor, doação e determinação onde firmamos sólida parceria e amizade.
Ribeirão Preto recebeu uma gama dos mais importantes escritores e intelectuais, com destaque para Ruth Guimarães Botelho uma das mais consagradas intelectuais brasileiras, sua presença foi um júbilo, uma catarse, sabedoria, talento e naturalidade.
Poeta, romancista, cronista, teatróloga, jornalista, notabilizou-se como tradutora da literatura oral no Brasil.
Professora de português por mais de trinta anos em escolas públicas, sua obra e trajetória como educadora são fundamentais e imprescindíveis ao país.
Dentre muitas ações entre a UBE e o Instituto do livro, fomos convidados para a apuração do “Intelectual do Ano” e a consequente entrega do prêmio Juca Pato.
O Juca Pato é entregue pela UBE a uma personalidade que se destaque em qualquer área do conhecimento, desde 1962.
Já contemplou, entre tantos, Jorge Amado, Sérgio Buarque de Holanda, Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina, Conceição Evaristo, Lígia Fagundes Telles, Antônio Cândido, Érico Verissimo e Audálio Dantas.
Acompanhado pelo jornalista, romancista e amigo querido José Fernando Chiavenato, rumamos para tão especial, privilegiada e inédita missão.
Ao lado da Diretoria e intelectuais, com todo o cuidado e zelo, segurei a estatueta que simboliza tão importante premiação.
Ao tê-la nas mãos o coração palpitou descompassado, trêmulo depositei-a sobre a mesa olhando-a atordoado, pasmado e feliz.
Sem perceber, já que meus olhos não vislumbravam mais nada fui fotografado ao seu lado, tal qual menino recebendo o primeiro diploma.
Ao abrir meu e-mail uma enxurrada de mensagens, assustado, não consegui entender nada.
Parabéns Edwaldo Arantes, você merece.
Um orgulho para todos nós. Que alegria com a notícia.
Faz tempo que deveriam escolhê-lo.
“Dona Maricada” está orgulhosa no Céu.
Indevidamente postada a foto foi disseminada como autêntica e incontestável, um sacrilégio traduzido em heresia, insensatez, tolice, disparate e lorota.
Uma vergonha desesperadora assaltou-me, Edwaldo Arantes simples e obscuro rapaz de Minas laureado com o “Juca Pato” como “Intelectual do Ano”, vontade de esconder-me debaixo da cama e jamais sair de lá nem sequer para um pão com manteiga e um cafezinho na padaria do senhor José.
Foi um golpe depredador digno de um nocaute no primeiro segundo por Cassius Marcellus Clay, Muhammad Ali, despertei deitado sobre o ringue da realidade sentindo-me insolente e petulante, apesar de inocente.
Estupefato tentei amainar o desrespeito, ofensa, ultraje, desacato e quase uma profanação contra escritores e intelectuais brasileiros, explicando que o engano foi cometido por alguém ignaro e de boa fé.
Quanto mais desmentia com mais intensidade o bolo dilatava, instigado pelo mais potente fermento que confeiteiro algum jamais imaginou.
Ainda bem que o tempo cuidou de apaziguar.
O enganoso e famigerado episódio passou, “ninguém é de ninguém, na vida tudo passa, ninguém é de ninguém até quem nos abraça”.
Naquele ano onde fui alçado pela falsidade a Intelectual do Ano, elegeu-se um querido e saudoso amigo, sábio, digno e atuante.
Ensinou-me sobre o único milagre existente, estar ao lado dos oprimidos, desvalidos e renegados.
Certa vez, subitamente tive que levá-lo ao Hospital São Lucas, após a pressão arterial regularizada fomos ao Pinguim almoçar.
O Doutor indicou uma salada, arroz com bife na chapa e água.
Meu amigo dirigindo-se ao garçom solicitou chopinhos, Salinas e uma feijoada.
Que saudade, Audálio Dantas.
* Agente cultural