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O desafio de estudar ansiedade (5)

Muitas teorias tentam explicar como a ansiedade é gerada, como ela afeta o comportamen­to e seu papel na vida humana. Quais são os processos neurológicos e∕ou mentais que provo­cam os vários sintomas da ansiedade? Quais são os fatores causais que levam à ansiedade? Por que os indivíduos diferem em sua suscetibilidade à ansiedade? Quais são as conseqüências da ansiedade em termos do funcionamento psicofisiológico, comportamental e social? Ao longo dos anos os estudiosos da ansiedade têm fornecido uma variedade de respostas a estas questões, variando desde a análise da interação entre id e ego em psicanálise até as concepções modernas da neurociência cognitiva.

As teorias da ansiedade são altamente diversas, mas os estudiosos convenientemente agrupam­-nas em três categorias. Na primeira categoria incluem-se a psicanálise freudiana e dois modelos inspirados nas pesquisas com animais. A teoria da aprendizagem supõe que ansiedade reflete os processos de condicionamento básicos. A teoria da motivação, ou impulso, propõe que ansiedade contribui para a força global de motivação de um organismo. Na segunda categoria agrupam-se as modernas teorias psicobiológicas edificadas sobre os novos achados da aprendizagem e baseadas nas teorias da motivação alicerçadas no contexto de nossa compreensão atual e mais profunda acerca dos sistemas neurais que regulam a ansiedade. Uma terceira categoria engloba as teorias cognitivas nas quais os vieses (ou mesmo falhas) no processamento de informação que produzem ansiedade e seus correlatos comportamentais.

Sigmund Freud, o fundador da psicanálise, foi o primeiro a chamar a atenção para o papel fundamental da ansiedade na dinâmica da personalidade e na teoria do desenvolvimento infantil. Freud considerava a ansiedade como fundamental na teoria psicanalítica, identificando-a como o sintoma central na prática clínica. Para Freud, ansiedade aparecia automaticamente em quaisquer condições em que a mente fosse sobrecarregada por um fluxo de estímulos muito grande para ser dominado ou descarregado. Ansiedade, para ele, era um sentimento desconfortável que o indiví­duo que a experiência busca reduzi-la ou eliminá-la, exatamente como alguém que tenta reduzir motivações similares, tais como fome, sede, ou dor. Todavia, Freud acreditava que a ansiedade pudesse também ser adaptativa se o desconforto que a acompanha motiva as pessoas aprenderem novos modos de encarar os desafios da vida.

Freud distinguiu três tipos de ansiedade: (a) ansiedade objetiva (realidade), (b) ansiedade neu­rótica e (c) ansiedade moral. A ansiedade objetiva é enraizada no mundo real e refere-se ao medo e à apreensão de um estímulo que é objetivamente perigoso. Este é um tipo de medo que você experiência quando há um perigo real presente, de vários tipos. A ansiedade neurótica é a raiz histórica do conceito de traço de ansiedade, é um sinal que o material inconsciente está ameaçando entrar na consciência. Ansiedade neurótica emerge quando o ego sente que está sendo sobrecarregado pela urgência libidinal e os impulsos emergem dos impulsos básicos do id (sexo, agressão). Finalmente, a ansiedade moral refere-se à experiência da pessoa quando a mesma sente-se violada, ou quando já têm valores internalizados agredidos ou violados seus códigos mo­rais. A ansiedade moral é gerada pelo conflito entre a urgência biológica do id e os padrões morais e ideais proibitivos do superego.

Para Freud, quando a ansiedade aumenta e as defesas não mais funcionam, sintomas neuró­ticos desenvolvem-se. Sintomas constituem a representação simbólica da experiência traumática, que por sua vez não mais está conscientemente disponível ao paciente.

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