Tribuna Ribeirão
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Não podemos entregar o jogo no primeiro tempo!  

José Eugenio Kaça *  
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A educação no Brasil sempre foi direcionada ao topo da pirâmide, e a classe média que orbita em volta do centro de influência dos poderosos. E com isso herdam os mesmos costumes vezos de uma classe que se julga superior, e que traz em seu bojo o preconceito e o ódio contra os pobres.  José Pacheco, grande educador português, criador da Escola da Ponte, um dos projetos educacionais mais exitosos do mundo, afirma categoricamente que o futuro da educação básica está no Brasil, que possui os maiores teóricos e educadores do mundo, que contribuíram com ideias e projetos para que nosso País tivesse uma educação básica pública de alta qualidade, que abarcaria todo o povo em um único projeto educacional, independentemente de sua origem, entretanto os vendilhões da Pátria e lambe-botas dos países colonizadores sempre tramaram para que o Brasil nunca chegue a ser uma Nação. 
 
No Brasil, o Projeto Âncora, que foi implantado na cidade de Cotia, no Estado de São Paulo, reproduz o projeto da Escola da Ponte, com as características brasileiras, e adaptado ao cotidiano da periferia pobre. Um projeto educacional que valoriza o aprendizado autônomo dos educandos, com professores que fazem o papel de educadores, pois o professor pretende ser o disseminador do conhecimento, não admitindo ser contestado, enquanto que o educador conversa e aprende junto. E como o Projeto Âncora há diversos projetos pelo Brasil a fora em escolas públicas que estão mudando o modo pedagógico de ensinar e aprender. A EMEF Desembargador Amorim Lima, na cidade de São Paulo, a EMEF Campos Sales na comunidade de Heliópolis, também na cidade de São Paulo, EMEF André Urany, na comunidade da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro, são exemplos de que uma educação pública de qualidade para as periferias pobres é possível. 
 
Estes projetos exitosos, inspirados nos saberes dos teóricos brasileiros, que desbravaram e abriram os caminhos para uma educação básica pública de qualidade. Anísio Teixeira, idealizador das Escolas Parques na Bahia, Darcy Ribeiro idealizador dos CIEPS (Centros Integrados de Educação Pública) na cidade do Rio de Janeiro, foram dois projetos inspiradores, entretanto foram covardemente atacados por aquela velha “elite” lambe-botas, e aos poucos estes projetos foram sepultados de sucesso, agora querem fazer o mesmo com os projetos das escolas autônomas e inovadoras. O naufrágio das escolas sem partido, e do ensino domiciliar, fizeram com que essa gente de “bem” jogasse suas fichas nas famigeradas escolas cívico-militares, para retornarmos ao passado das escolas presídios. 
 
O descumprimento das leis que regem a educação básica pública é o cerne da questão. E esse descumprimento faz parte de uma política de Estado, que foi planejada para que nada dê certo, e ao longo do tempo este modelo de educação deixou de fazer sentido para a vida das nossas crianças e adolescentes, mas estes problemas só serão resolvidos com projetos pedagógicos libertador. Copiar, decorar e fazer provas, já não atendem as necessidades dos nossos educandos, com diz José Pacheco: “aula não ensina e prova não prova”. Os problemas da educação básica pública vão se resolver com ciência, conhecimento e projetos pedagógicos, onde os professores sejam facilitadores e provocadores, e os educandos tenham liberdade para manifestar seus pensamentos. Essa escola que induz e prepara os educandos para exercer a cidadania na sua plenitude, não é e nunca vão ser as escolas cívico-militares.  
 
O Legislativo de Ribeirão Preto, quando resolve se manifestar sobre a educação básica municipal é um festival de atrocidades. O que aconteceu na Audiência pública realizada no dia 24 do corrente mês, para discutir com a população a implantação das escolas militarizadas, repetiu os mesmos vícios das audiências do Plano Municipal de Educação. Os maus exemplos e a falta de compostura dos parlamentares bolsonaristas no Congresso Nacional chegou ao Legislativo local, repetindo as mesmas atrocidades que maculam a nossa democracia. 
 
A luta dos defensores de uma educação básica pública não pode arrefecer, temos que exigir o cumprimento da Constituição cidadã. Uma educação pública com qualidade, só será possível se a população se conscientizar da importância da luta pela educação básica pública. Não podemos e nem devemos entregar o jogo no primeiro tempo. VAMOS A LUTA! 
 
* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação 
 
 

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