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Memória da cidade

As cidades da Europa, especialmente as que hoje conhecemos como Roma e Atenas, tiveram fortíssima influência da Índia, razão pela qual a estrutura da sua existência é conhecida como “Civilização Indo-europeia” (cf. A Cidade Antiga, de Fustel de Coulanges, Editora Martin Claret).

Tiveram uma nova onda civilizatória já ali instalada tanto pelos cristãos como pelos muçulmanos. Estes últimos trouxeram da Índia o sistema decimal em substituição aos números romanos.

Os autores modernos, que estudam este importante tema, destacam que a civilização caminhou sempre da zona rural para a região urbana. Serve de exemplo a caminhada dos judeus, liderados por Moisés, atraves­sando a península arábica até encontrar Jericó na Terra Prometida. De escravos no Egito alcançaram a soberania conquistando a casa própria.

Com a instalação da época industrial, especialmente, a civilização abandonou os castelos para inaugurar as grandes cidades da Europa.

Afirma-se que, no Brasil, a caminhada da roça para a cidade ainda não terminou. A necessidade de documentação teria levado os primeiros ocupantes a elaborar os documentos que eram colocados em gavetas com grilos vivos que sujavam aqueles papeis, dando a eles a aparência de coisa velha ou antiga. A operação foi batizada com o nome de “grilagem”, sendo até hoje assim conhecida.

Organizada a ocupação do solo, aqui e acolá, inaugurou-se a caminha­da para a instalação da zona urbana com os seus museus, suas escolas, e, bibliotecas. Coube à Inglaterra dar seus primeiros passos nesta rota.

Os nossos tempos testemunham o fenômeno com o aparecimento de equipamentos agrícolas informatizados, acompanhados tanto por peque­nos aviões, como por computadores e até mesmo enormes tratores tendo como resultado social o deslocamento dos trabalhadores rurais e suas famílias para as cidades.

Estas etapas da civilização já ocorreram na Europa, submetida, como já foi dito, pela influência dos hindus, dos cristãos e dos muçulmanos.

Lá como aqui a transformação da população rural em urbana deman­dou especial atenção da sociedade e da administração governamental. Os livros se agigantaram. E infelizmente os segmentos governamentais se apequenaram. Os conflitos eclodiram. Tanto os governamentais, como os sociais e individuais, urbanos e rurais.

Impossível se torna, seguramente, impedir a informatização do cam­po, levando à sua esfera as mais recentes descobertas da ciência humana, especialmente tendo em conta a concorrência internacional. Também sujeita à informatização.

Estão sendo ampliados os poderes governamentais democráticos ou não. Os conflitos individuais, sociais e internacionais multiplicam-se, sendo necessário colocá-los também sob o controle dos regimes informatizados e democráticos. Impossível fugir do cérebro eletrônico e de seus familiares.

Um dos autores mais notáveis sobre a eclosão dos conflitos gerados pela atual convivência, é o espanhol Eduardo Garcia de Enterria que, com extensa reflexão – 908 páginas – deixou o livro “Lecciones de Derecho Urbanístico”.

O grande mestre destacou que é impossível esparramar as visões do “Positivismo Jurídico” sobre as novas relações que assim passam a atrair, dia a dia, as antigas estruturas do Direito Romano e suas propostas inaugurais.

Porém, com certeza, impõem submeter os governantes às novas regras – sob as penas da lei – na construção de uma sociedade urbana solidária e democrática, descendente do grande e enorme esforço dispendido pelas gerações do passado, que transmitiram a marca das suas antigas visões na nossa caminhada para o futuro.

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