Organizado pela Dra. Sueli Ferraz, advogada nota 10, dona de um coração sem tamanho, no último domingo, dia 3 de dezembro, aconteceu a festinha natalina lá no Lar do Jovem Idoso, um asilo que fica na rua Santos nº 1.555, Bairro Tanquinho, fundado pelo saudoso Tio João. Faz mais de vinte anos que frequento este lugar acolhedor de pessoas idosas. No começo eram poucas, hoje são mais de 50.
Conheci o lugar levado pelo meu amigo Sócrates. Em frente existe um centro espírita que era comandado também pelo Tio João – faz alguns anos que nos deixou – e Sócrates ajudou muito o local. Ele adorava o Tio João, que era o nosso Chico Xavier. O que eu vivi ao lado dele agradeço a Deus ter tido este privilégio, era ele quem me dava notícias de meu filho Lucas Bueno que partiu fez 12 anos no último mês de agosto.
Tio João passava pra mim recados ditados pelo Lucas em seu ouvido e eram todos verdadeiros. Impressionante, Tio João era vidente, sua mediunidade era tamanha que nem dirigia mais, pois quando estava ao volante, pessoas passavam na frente e ele não sabia se eram vivos ou espíritos – dirigindo corria o risco de atropelar os vivos.
Tio João tinha uma luz que vou te contar! Ele fornecia – e mesmo com sua partida o lar continua fornecendo uma deliciosa sopa, todas as tardes, para moradores carentes do entorno.
Contou que certo dia, já no meio da tarde a despensa estava vazia e não havia como fazer a sopa diária, pois dinheiro também não havia. Recolheu em sua salinha, onde uma linda imagem de Jesus e outra de Chico Xavier estão na parede, e rezou um “Pai Nosso” com toda sua fé pedindo ajuda.
Voltou a seus afazeres e, depois de uma hora, parou um caminhão em frente ao local. O motorista e seus ajudantes começaram a descarregar alimentos suficientes para o resto do ano. Tio João voltou para a salinha e orou novamente, agradecendo. Faz muitos anos que o Sr. Décio do Varejão Cenourão fornece gratuitamente os legumes e frutas consumidas pelos idosos do lar.
Tio João contou pra mim e pro Sócrates que na avenida Brasil, próximo dali, havia muitos acidentes bem onde ela cruzava com uma rua que leva para o Quintino Facci II, sempre resultava em feridos quando – não era coisa pior. Eram acidentes às vezes inexplicáveis, até que um dia Tio João recebeu orientações espirituais para que fosse até aquele local e, através de seus conhecimentos, removesse um espírito que tinha falecido em um acidente grave bem ali, e que tal espirito que era muito ignorante, agindo de forma a provocar tais acidentes.
Tio João foi lá e convenceu tal espirito a deixar o local, resolveu o problema, hoje tem até uma rotatória “meia-boca”, mas que funciona. Voltando a Dra. Sueli, ela providenciou com colaboradores, presentes para os idosos. Até um Papai Noel voluntário ela conseguiu e convidou-me para alegrar a galera cantando. Como em todos os anos, lá estava eu, violão na mão cantando aqui, cantando ali, até que cheguei a duas voluntárias que faziam as unhas das idosas, estavam na maior alegria embelezando as mãos.
Resolvi cantar para elas, quando se aproximou um senhor com mais de 70 anos e pediu para eu cantar uma música rancheira. Entendi seu pedido e cantei, depois ele me disse que se chama Toninho e tinha sido sanfoneiro de Pedro Bento e Zé da Estrada e que viajou o Brasil todo com a dupla. Eu, curioso, perguntei como ele que teve uma carreira artística ativa estava ali naquela situação, que digo, é muito triste.
Cada um tem sua história e suas razões. Ele disse que estava no lar fazia seis anos e que não gostava, disse também que tem esposa e que sua vida boêmia foi a razão para ela tomar a decisão de ligar para seu irmão, tirá-lo de casa e levá-lo para o Lar do Jovem Idoso, isso depois de chegar em casa pra lá de Bagdá e de madrugada. Disse também que até o Natal sairá de lá. Perguntei pra onde iria, e ele baixou a cabeça e nada respondeu. Percebi que chorava…
Sexta conto mais.