Luiz Sérgio Rizzi
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Em boa hora nos chega a primeira edição dos poemas e crônicas, com o título: Escritos de uma vida, do médico e professor Luiz Roberto de Oliveira, publicado em 2024na cidade de Botucatu, onde, por longos anos, o autor foi professor da Faculdade de Medicina da Unesp.
Com este livro, de agradável leitura, o autor reuniu poemas e crônicas que não haviam sido publicadas em revistas, revistas-livros ou jornais de Botucatu ou Ribeirão Preto.
Nascido em Altinópolis, Luiz Roberto veio fazer seus primeiros estudos em Ribeirão Preto. Aqui, ganhou destaque como aluno do Ginásio Otoniel Mota, sempre lembrado como “Luizinho”. Ingressou, posteriormente, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo realizando todo seu curso como aluno da décima terceira turma.
Mais tarde passou a integrar o quadro de professores da Faculdade de Medicina de Botucatu da UNESP. Foi nesta cidade que começou a escrever poemas e crônicas, muitas das quais reunindo fatos tão bem presentes em sua memória e ocorridos em cidades do interior.
Os poemas e crônicas são concisos, e esse” designer” de texto, nas palavras do autor, resultou de sugestão da emérita professora Maria Alice Garcia.
A emérita professora Maria Alice Garcia, na apresentação da obra, escreveu sobre o autor: “Pessoa admirável, de facetas incomuns. Médico e Professor da Unesp de Botucatu. Ativista social comprometido com as campanhas ligadas à Educação, à Cultura, à Arte. Poeta, escritor e musicista de mão cheia. Acima desses méritos, um ser humano que permeou sua vida pela via do afeto e da compaixão, sentimentos presentes na relação com a amada Nair”.
“Duas palavras – acrescentou a ilustre professora – me vêm à mente quando evoco a figura do Luiz: ELEGÂNCIA e ÉTICA.
A elegância no proceder. O homem discreto, de fala suave, sorriso cálido transmitia serenidade nas crises e alegria nas reuniões.
Mas que ninguém se engane: em Luiz a elegância se alia à ética, e por seus princípios ele transmudava. E qual herói mítico defendia as causas ainda que perdidas. Tenaz, obstinado, irredutível. Um lutador”.
Essas qualidades do autor, quer como homem público ou simples eleitor, transparecem em seus poemas e em suas crônicas.
Luiz Roberto integrou a décima terceira turma da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto Unidade que contou com professores de projeção internacional aqui lembrados os professores Lyson, Covian, Moura Gonçalves, Pedreira de Freitas, Pereira Barreto, Rocha e Silva, Köberle, Hélio Lourenço, Bechelli, Dutra de Oliveira, Woyski, Ferreira Santos, Forjaz e Marcondes.
Muitos alunos da décima terceira turma, no sexto ano da faculdade, foram representantes de laboratórios, outros davam aulas particulares ou em Cursinhos, digitavam apostilas e tinham alguma atividade que rendesse algum recurso.
Há registro que nesse mesmo sexto ano do curso, o autor, juntamente com Amábile, Jose Maurício e Mércia foram plantonistas nos fins de semana e nas festas do Clube de Regatas de Ribeirão Preto. É sempre lembrada uma reivindicação de melhoria do pró-labore mensal, no Clube. Nesse empenho, uma cena foi marcante e provocou risos mais tarde. No calor da discussão com o Diretor do Clube um dos plantonistas, com dedo em riste, inquisitorial, reafirmou a pretensão do benefício salarial, ao qual, o Diretor reagiu, energicamente, gritando “Não aponte o dedo para mim, rapazinho”. O que para todos os alunos causou apreensão. O que fazer diante do mal-estar criado e que poderia pôr água abaixo a pretensão, se não o pedido de desculpa? Foi o que fez o autor. Não havia litígio, nem circunstância sem saída que justificasse aquela encenação. Concluiu o autor que há gestos e atitudes extremas que só devem ser tomadas se houver condições de lhes darmos consequência. Para ele foi de grande valia e confirmou-se ao longo da vida mediante observação e acesso a relatos de outras experiencias individuais e coletivas bem e malsucedidas.
Luiz Roberto adentrou o mundo da docência universitária por via do seu talento e da sua disciplina e nesta obra aponta para a multiplicidade do seu pensamento, multi escritor e multiartista, ele não foi acolhido por academias, mas, em torno da beleza, muito foi dito por ele.
Em um de seus poemas, para alegria e esperança nossas, registrou:
“Volta-me, de novo
A vontade de escrever.
Ao rever o pouco que fiz
E o muito que há por fazer
Algo se agita dentro de mim
A me dizer: prossegue, isto te seduz!
A estrada é estreita, mas feita, no fim,
Do jeito que esperas ter: muito ar e luz!”
Hoje, temos somente a possibilidade de realizar a leitura das poesias e crônicas do médico e professor de medicina neste belo livro, a revelar que os médicos também sabem escrever – e muito bem – poemas e crônicas.
* Procurador do Estado aposentado