Tribuna Ribeirão
Geral

Larga Brasa

Histórias que a vida escreve todos os dias
Havia um repórter da grande cidade que estava em todos os acontecimentos diuturnamente. Dormia em um Fusca 62, todo encolhido, para não perder as notícias dos plantões policiais, dos hospitais e até mesmo das funerárias, além dos assuntos polí­ticos. Abordava todas as especialidades, “de unha encravada a caspa no cabelo”, como dizia. Na força dos seus 18 anos tinha energia para passar a noite em claro, redigir colunas para o jornal em que trabalhava e também fazer seus programas de rádio, pois não havia muito publico de TV, que ainda era um setor de comu­nicação que se iniciava. Ele acompanhava a polícia em suas blitz, em todos os lugares, nos “Bailes do Esquisito” que era onde o pistão da gafieira tocava e em outros sempre visados pelos guar­das civis, delegados e policiais militares. Também comparecia às chácaras mais conceituadas onde os delegados da época eram recebidos com refeições e bebidas para agradecer a proteção.

Em uma chácara
Certa feita, em uma chácara, o repórter acompanhava uma auto­ridade quando chegaram alguns homens de aparência não muito boa e que motivaram temor por parte das mulheres, mesmo com autoridade no local. Uma das moças se aproximou do repórter e pediu-lhe se ela poderia ficar ao seu lado para sinalizar que es­taria acompanhada. Sem maiores proximidades ela se acertou do jovem profissional da imprensa e ali ficou estática, temerosa de que tivesse que “atender” a um daqueles “clientes”. Baixinho, ela confi­denciou ao repórter que era de um estado distante e que viera enga­nada para aquele local, pois perdera a faculdade de Direito pela per­da do pai que falecera recentemente e diante da situação ficou sem rumo e sem condições para continuar os estudos. Quando o repórter se despedia da moça recém-chegada de longínqua cidade ela lhe pediu: – “Por favor, eu tenho um pouco de dinheiro, mas para mulher sozinha os hotéis não oferecem estada e eu quero sair daqui”. No dia seguinte o repórter conversou com um dono de bom hotel e en­caminhou a mulher para aquele bom hotel, onde ficou abrigada.

Agradeceu a Deus
No dia seguinte, a estudante frustrada foi até a uma igreja da ci­dade agradecer a Deus por ter saído daquele local para onde foi por indicação errada. Estava fazendo suas orações quando ao seu lado um rapaz que também fazia seus agradecimentos. Os dois eram solteiros e a fé os uniu. Se casaram. Ele era advogado e ela estudan­te. Continuou seus estudos e terminou a graduação como exemplar estudante. Seu marido faleceu quando se formou. Fez um concurso em outro estado para cargos mais elevados do Direito e chegou a desembargadora. Nunca mais o repórter, já não tão jovem teve conhecimento da vida daquela que ele encontrou em local tão ini­maginável e se transformou em autoridade respeitada e senhora dona de um maravilhoso lar. Não adianta Dr. Brasil e esposa me perguntarem, que eu não conto os nomes. Grato pela fiel leitura.

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