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IPM pode ter novo ‘teto’ em fevereiro

ALFREDO RISK

O projeto da prefeitura de Ribeirão Preto que estabelece um teto para o valor das apo­sentadorias pagas pelo Instituto de Previdência dos Municipiá­rios (IPM) aos novos servidores municipais, que serão contrata­dos a partir da criação da nova lei, terá de ser votado até 14 de fevereiro. Nesta data, por determinação do artigo 42 da Lei Orgânica do Município (LOM), os vereadores serão obrigados a analisar a propos­ta, pois terá terminado o prazo legal de 45 dias para apreciação.

Como deu entrada no Le­gislativo em 20 de novembro de 2018, descontando-se o período de recesso parlamentar e as fé­rias de final de ano, a data limite para votação será na sessão do dia 14. Atualmente, o projeto está na Comissão de Constitui­ção, Justiça e Redação (CCJ) da Câmara, que terá seus novos in­tegrantes definidos em votação marcada para a primeira sessão do ano, em 5 de fevereiro – a composição de todas as 22 co­missões permanentes será esco­lhida neste dia.

A prefeitura também pode­ria optar por, ao final do recesso parlamentar e após a definição das comissões permanentes, de­terminar a algum vereador da base de apoio ao governo Duar­te Nogueira Júnior (PSDB) que peça urgência para votação. Isso obrigaria a CCJ a analisar o caso e emitir parecer, favorável ou contrário à proposta do Execu­tivo. Entretanto, este trâmite não deverá ser adotado porque há o risco de a Comissão de Justiça barrar o texto. Neste caso, o pro­jeto seria engavetado antes ser levado ao plenário.

Já sem o pedido de urgência e com o esgotamento do prazo de 45 dias, a proposta terá que ser levada para votação, mes­mo sem o parecer da CCJ. Neste caso, a aprovação ou não dependeria da postura dos 27 vereadores da Casa de Leis. Ribeirão Preto tem atualmen­te 9.103 servidores na ativa e 5.747 inativos – são 4.414 apo­sentados e 1.333 pensionistas. A folha mensal do IPM é de R$ 36,66 milhões e o pagamento atrasou em dezembro – foi de­positado em 8 de janeiro.

O projeto da prefeitura
A proposta da administra­ção municipal é que o teto das futuras aposentadorias do IPM seja o mesmo pago pelo Insti­tuto Nacional do Seguro Social (INSS), que atualmente é de R$ 5.839,45. A intenção do Exe­cutivo é que se desejar receber mais, o servidor faça a adesão a um plano de aposentadoria complementar. Desta forma, o IPM ficaria responsável pelo pa­gamento até o limite do INSS e, a partir deste teto a aposentado­ria aumentaria de acordo com a contribuição complementar feita pelo servidor para esta previdência privada. O fundo previdenciário proposto pela prefeitura é o da Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo, que vai ad­ministrar e executar o plano de benefícios de caráter previdenci­ário complementar.

Quando o projeto deu en­trada na Câmara, o Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto protocolou ofício na presidência solicitando a sua rejeição, argumentando que a proposta viola o direito dos novos funcionários públicos, bem como impõe prejuízos irreparáveis ao equilíbrio fi­nanceiro e atuarial do Regime Próprio da Previdência Social do Município ao criar a pos­sibilidade de transferência de recursos financeiros do Fundo da Previdência do IPM para sis­tema privado de aposentadoria.

“O que contraria a Consti­tuição Federal, a Constituição Estadual de São Paulo, bem como as Instruções Normativas do Ministério da Previdência Social, a moralidade adminis­trativa e a razoabilidade, pro­porcionalidade e o interesse público”, diz parte do texto. O documento ressalta ainda que não há qualquer estudo, avalia­ção ou projeção de caráter atu­arial que possa ser extraída do projeto ou de sua justificativa, que demonstre a necessidade ou a viabilidade da instituição do Regime de Previdência Comple­mentar para o Município.

Recente levantamento feito pelo Tribuna junto ao Instituto de Previdência dos Municipiá­rios de Ribeirão Preto revelou que 36,2% dos aposentados e pensionistas municipais rece­bem acima do teto máximo de R$ 5.839,45, pago por mês pela Previdência Social para quem se aposenta pelo INSS. Isto significa que dos 5.747 aposentados e pensionistas do município, 2.083 recebem benefícios acima deste valor. Já dos 14.850 servidores – in­cluindo os da ativa, aposentados e pensionistas –, 6.547, ou seja, 44% recebem acima do teto da Previdência Social.

Para cobrir o déficit do Ins­tituto de Previdência dos Mu­nicipiários previsto para 2019, a Prefeitura garante que terá que repassar R$ 320 milhões este ano para o Instituto. Diz ainda que o déficit atuarial, apurado já supera os R$ 15 bilhões. Déficit atuarial corresponde à insufici­ência de recursos para cobertura dos compromissos dos Planos de Benefícios, caso todos servi­dores municipais se aposenta­rem de uma vez.

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