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Inteligência e seus descontentes (29): Há um limiar do QI

Até onde conheço, é aparente que alta inteligência é benéfica para pessoas funcionaram na escola, no trabalho e em suas vidas cotidia­nas. Geralmente, QI é positivamente correlacionado com desfechos benéficos e negativamente correlacionado com desfechos desfavorá­veis, embora sempre haja exceções. Não obstante, essas correlações não são perfeitas, de modo que sempre há exceções para regra, razão pela qual há indivíduos brilhantes que experienciam desfechos desfavoráveis, tais como desemprego, encarceramento e saúde frágil. Inserido no debate acerca do valor do QI no sucesso na vida, há alguns estudiosos que disputam a hipótese que de que a relação entre inteligência e desfechos favoráveis não é constante ao logo de toda a escala contínua do QI. Estes especialistas acreditam que, num certo nível de alta inteligên­cia, os benefícios entre pessoas que possuem uma inteligência muito elevada e pessoas que estão meramente acima em inteligência média, em relação aos desfechos de vida, seriam mínimos.

Esta ideia é denominada Hipótese do Limiar porque ela sugere a existência de um nível de limiar do QI onde uma inteligência aumentada não leva à benefícios adicionais. Por exemplo, alguns supõem que o provável valor deste limiar do QI situa-se por volta de 120 e, portanto, 9,2% da população com um QI mais alto não vivenciam quaisquer benefícios destacados comparados às pessoas com o QI de 120. Outros estudiosos afirmam que o limiar é cerca de 150, incluindo apenas 0,04% da população. Vamos ver, todavia, o que as evidências nos mostram. Baseado nas melhores pesquisas dispo­níveis a hipótese do limiar é incorreta.

Dados de grandes amostras de pessoas com QI altos mostram que provavelmente os desfechos benéficos de vida continuam a aumentar quando as pessoas se tor­nam mais brilhantes. Mesmo pessoas muito brilhantes que se situam no topo 1%, cerca de QI de 135 ou mais elevado, da po­pulação acabam tendo mais benefícios sociais, econômi­cos, escolásticos à medida que progridem na trajetória da vida. Não parece haver qualquer limiar aparente onde a probabilidade de que qualquer realização, seja ela: acadêmica, profissional e pessoal seja nivelada ou diminua.

Para além dos desfechos na carreira ocupacional, profissional e educacional, alguns especuladores têm postulado que um QI muito alto pode criar problemas sociais. Por exemplo, se alguém é muito mais inteligente do que seus pares, então pode ser difícil formar amizades porque as pessoas brilhantes podem sentir que outros não os entendem e, também, seu modo complexo de pensamento. Dados dos melhores estudos acerca desta hipótese revelam que a mesma não é corroborada, pois pessoas com QI muito elevado não se mostraram com maiores problemas sociais e emocionais. A verdade é que crianças com QIs acima de 130 e 140 não tiveram problemas sociais e emocionais mais freqüentes e intensos do que crianças com QIs cerca de 110 e 120, ou entre ambos os valores.

A verdade é que pessoas brilhantes necessitam de oportunida­des educacionais que as permitam desenvolver suas habilidades e expertise, e pessoas altamente inteligentes são incapazes de alcançar alta produtividade e eminência se elas não tiverem um ambiente ou emprego que as possibilitem manifestarem seus talentos. Devemos também consi­derar que estes desfechos benéficos são probabilísticos e que não há qualquer ga­rantia que uma pessoa muito brilhante terá experiências positivas nos desfechos de vida, não importante o quão elevado seja seu QI.

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