O esporte ribeirão-pretano já foi nacionalmente reconhecido por conta do futebol. Comercial e Botafogo tem histórias centenárias, recheadas de grandes feitos e com a passagem de grandes nomes do futebol pelas equipes.
Sócrates, Emerson Leão, Raí e tantos outros astros que vestiram as cores da dupla Come-fogo são alguns exemplos. Mas, de alguns anos para cá, outra modalidade tem levado o nome da cidade pelo Brasil e também por outros países, principalmente na América do Sul, o ciclismo de estrada.
Pentacampeã do circuito brasileiro de estrada, a equipe ribeirão-pretana é referência dentro da modalidade. Comandada por Marcelo Donnabella, que também é técnico da Seleção Brasileira, o time de Ribeirão Preto vem colecionando grandes feitos e títulos históricos dentro do esporte.
Para 2020, com uma equipe completamente remodelada e a contratação do atual campeão brasileiro de estrada, André Gohr, que é uma das maiores promessas do ciclismo brasileiro, a equipe de RP esperava alçar voos ainda maiores.
Porém, o cenário que era positivo, foi completamente arrasado por conta da pandemia do novo coronavírus, que atingiu todo o planeta e complicou o andamento de todas as modalidades esportivas.
Em entrevista ao programa Esportcast, André Gohr falou sobre a complexidade que existe na retomada das atividades dentro da modalidade e destacou sua ansiedade para estrear pelo time ribeirão-pretano.
“A volta das competições é uma questão bem complexa. Cada vez que eu converso com algum amigo ciclista, até companheiros de equipe, surge um novo ponto. A minha opinião é a seguinte, para um esporte como o ciclismo, que acontece ao ar livre, mas que tem uma questão de controle mais difícil em relação ao público e isolamento, é um pouco complicado voltar”, afirmou Gohr.
“Não é somente a CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo) conseguir elaborar um protocolo para a volta das competições. Tem que se pensar qual cidade no Brasil vai autorizar um evento como o Campeonato Brasileiro, que reúne atletas de todo o país. Os atletas precisam ser testados, apenas dois por quarto no hotel, é uma complexidade muito grande. Infelizmente, acredito que o Brasil não está na fase de conseguir retomar o ciclismo de estrada. O futebol é diferente, envolve muito dinheiro e realizado num local fechado”, completou o atual campeão brasileiro André Gohr.

Quem também falou sobre o retorno das competições foi o técnico Marcelo Donnabella. Para ele, apesar de existirem campeonatos marcados para os meses de outubro e novembro, ainda não é possível garantir que essas disputadas vão, de fato, acontecer.
“Não tem uma previsão de volta. Tem competições marcadas para a gente em outubro, novembro, mas não tem uma garantia de que essas competições vão acontecer, de que vai chegar na data e elas vão ocorrer. Nós estamos aguardando”, disse Donnabella.
O cenário completamente inesperado atrapalhou, inclusive, a estreia de André Gohr com a camisa da equipe ribeirão-pretana. O atleta comentou como foi sua chegada à cidade e reiterou sua ansiedade para competir pelo time pentacampeão nacional.

“A equipe de Ribeirão sempre foi uma referência no cenário do ciclismo. Eu sempre tive muito contato com o Donnabella e já tem uns dois ou três anos que a gente vinha conversando aos finais de temporada, mas por um motivo ou outro não tínhamos acertado ainda.
Esse ano eu quis mudar de ares, e essa nova mentalidade da equipe em apostar em jovens acabou combinando com minha vontade de competir por uma nova equipe. Infelizmente ainda não pude representar a equipe este ano. Na semana em que eu faria a estreia, estourou a pandemia no Brasil. Estou me preparando e espero que possa competir ainda esse ano”, finalizou Gohr.
A Confederação Brasileira de Ciclismo mantém as datas das competições ativas, mas não se pronunciou de forma oficial, nem garantiu que essas competições vão, de fato, acontecer em 2020.