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FESTÃO DO PEÃO – MPF denuncia clube Os Independentes

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou três pessoas ligadas ao clube Os Independen­tes, responsável pela organização da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, por crimes contra o pa­trimônio público. Os ex-presiden­tes da entidade Marcos Murta e Jerônimo Luiz Muzeti e o conta­dor Albino Luz André são acu­sados de omitir receitas e prestar declarações falsas referentes à edição do evento realizada em 2010, custeada em parte com re­cursos federais. Com as supostas fraudes, os envolvidos teriam deixado de reverter cerca de R$ 4 milhões ao erário.

Os Independentes negam qualquer prática ilegal (leia nota nesta página). Segundo os pro­curadores, naquele ano, a 55ª Festa do Peão recebeu quase R$ 2,2 milhões do Ministério do Turismo (MTur). Além do re­passe, o convênio firmado com a pasta estabeleceu uma contra­partida de R$ 318 mil do clube para a realização do rodeio.

O acordo previa a obrigação da entidade de devolver saldos não utilizados e aplicar na própria festa eventuais ganhos com ativi­dades comerciais, como a venda de ingressos e a captação de patro­cínios. Caso não fosse gasto, esse montante também deveria ser recolhido ao Tesouro Nacional. Por ser custeado com recursos públicos, o evento, classificado como cultural, não poderia render lucros aos organizadores.

A prestação de contas envia­da ao Ministério do Turismo em 2011, no entanto, teria maquiado o saldo financeiro que deveria ser revertido aos cofres públicos, segundo o MPF. O documento assinado pelo então presidente do clube, Marcos Murta, teria omitido pelo menos R$ 4,5 mi­lhões recebidos de patrocinado­res, computando como receitas somente os valores do convênio e da bilheteria. O resultado contábil apresentado indicava um déficit de R$ 245 mil, calculado a partir da declaração de R$ 5,3 milhões em quantias totais obtidas e R$ 5,6 milhões de despesas com a orga­nização da festa.

Reiteração – A ausência de patrocínios foi novamente decla­rada em 2014, quando a entida­de já era presidida por Jerônimo Muzeti, atual diretor financeiro de Os Independentes. Na ocasião, em resposta a questionamentos do Ministério do Turismo quanto à planilha antes apresentada, Mu­zeti informou expressamente que a Festa do Peão não havia obtido esse tipo de receita em 2010. A omissão foi um dos motivos que levaram a pasta a reprovar as con­tas do clube e gerou um processo para o ressarcimento dos valores devidos à União, atualmente em trâmite no Tribunal de Contas da União (TCU).

Após a reprovação das contas, ainda em 2014, Muzeti preparou um novo balanço da festa na ten­tativa de justificar as pendências. Desta vez, embora reconhecesse a existência dos patrocínios, o então presidente do clube não só man­teve a omissão sobre parte desse montante, como também alterou o valor originalmente declarado de arrecadação da bilheteria. O total correspondente à venda de ingressos, antes calculado em R$ 2,8 milhões, passou para R$ 1,3 milhão no novo documento.

O MPF confirmou a arreca­dação de verbas de patrocínio para a festa. Ao menos cinco empresas e entidades privadas responderam a requisições da Procuradoria indicando os va­lores que destinaram à realiza­ção do evento. “Se a 55ª Festa do Peão de Barretos era passí­vel de autofinanciamento, com sobra financeira, inclusive, não havia razão para a obtenção de recursos públicos para seu cus­teio”, escreveu o procurador da República Gabriel da Rocha, autor da denúncia.

O prejuízo ao erário estimado em cerca de R$ 4 milhões corres­ponde à diferença entre o total das receitas obtidas com o evento (R$ 9,6 milhões, conforme apurado) e o das despesas declaradas na prestação de contas entregue ao Ministério do Turismo. Murta foi denunciado pelo crime de estelio­nato, e Muzeti, por falsidade ide­ológica. O contador do clube na época, Albino Luz André, é acusa­do de cometer ambos os crimes, já que auxiliou os dois ex-presidentes na prática das irregularidades.

Por meio de nota, o clube in­forma que “Os Independentes, bem como diversas associações e municípios, receberam recursos do Ministério do Turismo, há vá­rios anos , sendo o último deles em 2010. Vários anos após, o Tribunal de Contas da União alterou sua posição no sentido de que eventos com cobrança de ingressos não poderiam receber recursos públi­cos”, diz.

“Referido entendimento pas­sou a ser aplicado retroativamente, mesmo no caso de prestação de contas já apresentadas e homo­logadas, o que é claramente um absurdo violador da segurança jurídica. “Posteriormente, o Minis­tério Público Federal instaurou In­quérito Policial visando averiguar e investigar se os recursos foram aplicados corretamente ou ocor­reu algum tipo de uso ilegal.

“Assim: a-) não há decisão judicial contra os ex-Presidentes de Os Independentes com impu­tação/acusação de desvio de re­cursos federais; b-) existe apenas denúncia que sequer foi objeto de manifestação ou ciência pela defesa; c-) o próprio juiz federal deixa claro que simples glosa de recursos não caracteriza crime. Deste modo, Os Independentes aguardam o prosseguimento da ação penal, sendo certo que será provada a adequada utilização dos recursos e que ausente a prá­tica de qualquer delito por qual­quer de seus membros”, finaliza.

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