José Moacir Marin *
A pandemia da COVID 19 representou um divisor da história. Nunca a ciência, a medicina, a economia e a comunicação tinham sido tão estressadas como nesse evento.
A ciência e a medicina conheceram dias tristes nos quais o conhecimento foi deixado de lado. A economia encontrou desafio assustador devido à falta de bom senso do ser humano. Parte dos profissionais de comunicação e pessoas comuns desceram ao abismo, difundindo desinformação em quantidade assustadora.
Especificamente no cenário brasileiro foram desconsiderados fatos recentes levantados no panorama internacional. Estão disponíveis publicamente dois importantes documentos que não foram sequer mencionados por quem produz conteúdo responsável sobre o tema.
O primeiro documento, finalizado em dezembro de 2024, constitui robusto relatório de 520 páginas produzido pelo subcomitê do Congresso dos Estados Unidos, intitulado Final ReportoftheSelectSubcommitteeontheCoronavirusPandemic. O estudo trouxe a luz as decisões de órgãos do governo americano e da Organização Mundial da Saúde (OMS) contestadas desde o primeiro instante por um grupo de pessoas destemidas que colocaram a pessoa humana a frente dos interesses econômicos.
De acordo com esse relatório, em março de 2020, o Center for DiseaseControlandPrevention (CDC) estabeleceu a necessidade de distanciamento de segurança entre as pessoas de seis pés ou dois braços de distância. O referido relatório determinou que não havia nenhum estudo científico para embasar esta recomendação.
O mesmo documento também reporta que não existe clara demonstração da redução em infecções virais respiratórias com o uso de máscaras. Entre os fatos mais controversos relatados estão o “fique em casa” e lockdowns, os quais em última análise afetaram severamente a economia mundial e não trouxeram benefício em conter o espalhamento do vírus.
O relatório do subcomitê também apresentou o fato que as vacinas de mRNA da COVID 19 não preveniram a transmissão entre pessoas e nem preveniram a infecção pelo Coronavírus. O mesmo documento também acusa a administração de Joseph Biden de empregar métodos antidemocráticos e inconstitucionais para combater o que eles alegaram ser desinformação. Existem ainda considerações sobre outros aspectos controversos como a negação da efetividade da imunidade natural frente ao Coronavírus, desinformação sobre drogas de uso ¨öfflabel¨e efeitos adversos das vacinas de mRNA da COVID 19.Documento riquíssimo para ser analisado.
Outro documento importante foi publicado em janeiro de 2025 por Nicolas Hulscher, Mary T. Bowden e Peter McCullough. Apresenta revisão sobre os riscos da vacina de m RNA da COVID 19 e apresenta argumentos para uma solicitação de retirada destas vacinas do mercado. Esse pedido esta baseado na caracterização de segurança das vacinas para os seres humanos e os critérios que são utilizados para a solicitação de recall Class I do FoodandDrugAdministration (FDA) para vacinas. Em 1955 uma vacina para pólio ¨incidente de Cutter¨ foi imediatamente retirada do mercado após a detecção de 10 mortes relacionadas com o imunizante. Da mesma forma a vacina da gripe suína de 1976 foi retirada do mercado após a constatação de 53 casos fatais.
Atualmente estes efeitos adversos nos Estados Unidos são registrados de forma espontânea (não é um registro obrigatório) no Vaccine Adverse EventReporting System (VAERS). Até setembro de 2024 o CDC já havia contabilizado 19.028 americanos (no total 37.544 entre os países que utilizam o VAERS) mortos pelas vacinas de m RNA da COVID 19. Este sistema por não ser de notificação compulsória, já foi identificado como subestimado em 31 vezes, o que pode indicar um número de mortos assustador. Neste sentido o valor médio de solicitação de recall foi ultrapassado em 375.000%, sem que nenhuma providência tenha sido tomada para a solicitação de um recall.
A publicação destes dois documentos recomenda cuidado maior, a partir deste momento, em relação as vacinas de m RNA da COVID 19.Existe um elefante na sala, ele é grande e barulhento, talvez seja melhor prestar atenção.
* Professor aposentado de Genética e Biologia Molecular da USP/ Campus Ribeirão Preto.