Tribuna Ribeirão
Economia

ESTÁCIO DE SÁ – Decisões judiciais barram demissões

Duas decisões judiciais impe­dem a Universidade Estácio de Sá de demitir 1.200 professores. Em Ribeirão Preto, o juiz José Antô­nio Ribeiro de Oliveira Silva, da 6ª Vara do Trabalho, acatou a alega­ção do sindicato da categoria de que a dispensa coletiva ocorreu sem prévia negociação com a entidade, além de ferir princípios trabalhistas constitucionais, ape­sar de estar respaldada pela refor­ma trabalhista.

Na sentença, o juiz afirma que a negociação entre empresa e o Sindicato dos Professores e Auxiliares de Administração Es­colar de Ribeirão Preto e Região (Sinpaee) poderia ter caminhado para solução distinta ou mesmo minimizado os efeitos do corte, tendo em vista que a Estácio de Sá é uma das maiores institui­ções educacionais em Ribeirão Preto. O magistrado determinou a reintegração imediata dos 58 professores demitidos na cidade, sob pena de multa diária de R$ 58 mil – R$ 1 mil por docente.

A empresa pode recorrer da decisão e tem 15 dias de prazo para se manifestar sobre o caso, mas avisa que entrará com recur­so. “A instituição acredita no Judi­ciário e reforça que suas medidas foram tomadas com total amparo da lei”, diz em comunicado. Em sua decisão, expedida na quinta­-feira, 14 de dezembro, Silva criti­ca o artigo 477-A da Consolida­ção das Leis do Trabalho (CLT), que foi incluído pela reforma tra­balhista, afirmando que é incons­titucional e desrespeita tratados e convenções de direitos humanos ratificados pelo Brasil.

A Justiça concedeu mais uma liminar contra as demis­sões. Desta vez, o pedido partiu do Ministério Público do Traba­lho (MPT), e não do sindicato dos professores como as duas primeiras liminares concedidas. A decisão vale para todo territó­rio nacional. A primeira liminar, obtida pelo sindicato dos profes­sores do Rio de Janeiro, foi der­rubada um dia após sua emissão.

A segunda, impetrada pelos sindicatos do Pará e Santa Catari­na ainda está vigente. De acordo com parecer da juíza substituta Tallita Massucci Toledo Foresti, do Tribunal Regional do Traba­lho da 1ª Região, a Estácio terá de suspender as dispensas e as homologações já designadas pelo prazo de 30 dias. As fichas funcionais de todos os professo­res dispensados terão de ser en­tregues em 72 horas, ordenou a juíza. Ela observa que a urgência se deve “já que a prova dos autos indica que novas dispensas ocor­rerão nos dias 15, 16, 17 e 18 de dezembro”, afirmou.

O MPT do Rio de Janeiro diz que encontrou indícios de que a empresa está fazendo dispensa discriminatória por idade. O pro­curador Marcelo José Fernandes da Silva teve acesso a uma lista com 104 professores demitidos e constatou que 81 deles têm en­tre 50 e 81 anos de idade, o que representa 77,8% dos casos. O le­vantamento constatou ainda que 18 dos dispensados têm entre 40 e 49 anos e somente cinco têm menos de 40. Em Ribeirão Preto, na semana passada, cerca de 60 alunos do Grupo Estácio de Sá protestaram no campus da ave­nida Maurílio Biagi, na Zona Sul.

Em São Bernardo do Cam­po, alunos e professores da Uni­versidade e Colégio Metodista, realizaram um protesto contra as demissões de docentes. Se­gundo o Sindicato dos Professo­res do ABC (Sinpro), o número de profissionais desligados já chega a 50, o que representa quase 20% do corpo docente da instituição. A universidade ale­ga problemas financeiros, como a perda de três mil alunos.

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