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Companheiros e amigos, mas não são gente.

ALFREDO RISK

Os animais de estimação estão cada vez mais próximos das pessoas e são tratados como membros da família. Segundo a Associação Brasi­leira da Indústria de Produtos Para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil é o tercei­ro país do mundo com maior população de animais domés­ticos. São 54,2 milhões de cães, 23,9 milhões de gatos, 19,1 mi­lhões de peixes, 39,8 milhões de aves e mais de 2,3 milhões de outros animais, totalizando 139,3 milhões de animais nos lares brasileiros.

Adestramento positivo como um investimento ajuda na relação com o “novo membro da família”

Em muitas situações os animais são tratados como seres humanos, o que segun­do a psicóloga e especialista em comportamento animal, Ana Paula Cestari Astrulakis, é um erro.

“Tratar como humano é ruim. Quando tratamos outra espécie como um humano, esquecemos que nossas neces­sidades comportamentais são diferentes, nossa percepção do mundo é diferente e isso acaba impondo aos animais uma ‘obrigação’ de se adaptar e atender nossas expectativas da forma que nós queremos. Em minha opinião como pro­fissional, tutora e amante dos cães, a melhor forma de de­monstrar amor e carinho por eles é lembrar que eles são cães e que enxergam o mundo mui­to diferente de nós. E isso serve para todas as espécies”, explica a profissional que possui mais de 25 certificações nacionais e internacionais nas áreas de adestramento, comportamen­to e bem estar animal e traba­lha com adestramento de cães há 10 anos.

Comportamento animal

Ana Paula Cestari Astrulakis é psicóloga e especialista em comportamento animal

Ana explica que compor­tamento animal é uma ciência que estuda o comportamento natural das espécies, suas ne­cessidades físicas e emocio­nais, formas de aprendizagem, memória e tudo que diz res­peito ao comportamento em si. “Os animais de estimação se tornaram membros da famí­lia e este novo status fez com que cada vez mais pesquisa­dores se dedicassem a estudar os animais e sua relação com o homem, facilitando assim o acesso a informações que pu­dessem facilitar e tornar ainda mais prazeroso essa convivên­cia”, ressalta Ana Paula.

A especialista comenta algumas situações que ocor­rem com frequência. Uma delas é o fato de dois ou mais animais (cachorro ou gato, por exemplo, da mesma raça – e idade aproximada), que moram num mesmo condo­mínio e têm comportamen­tos diferentes.

“Os animais são indivídu­os, e mesmo sendo irmãos da mesma ninhada, por exemplo, podem ter personalidades e características diferentes. As­sim como nós humanos en­contramos caracterís­ticas e personalidades muito diferentes den­tro de um mesmo nú­cleo familiar”, salienta.

Outra abordagem é o fato de animais terem um comportamento natural, por exemplo, uma raça de cachorro é mais dócil e outra é menos, mas que sofrem interferências por conta do tratamento recebido.

A melhor forma de demonstrar amor e carinho por eles é lembrar que eles são cães e que enxergam o mundo muito diferente de nós

“Existe uma genética por traz das raças, po­rém, quando falamos de comportamento, a gené­tica equivale a 30% ape­nas. O resto é dividido entre o ambiente em que o animal está inserido e o que ele aprende. En­tão, é muito importante lembrar antes de escolher um cão de raça que não se pode levar em consi­deração apenas a raça. É preciso caprichar na socia­lização, proporcionar expe­riências positivas para esses filhotes e buscar ajuda pro­fissional se ficar inseguro em relação ao comportamento do pet. O período de socia­lização do filhote diz muito sobre quem ele será quando adulto”, diz a especialista.

Por fim, Ana Paula dá di­cas para os donos de animais domésticos sobre comporta­mento animal. “Se você tem um filhote em casa, busque o adestramento positivo como um investimento na sua re­lação com seu novo membro da família. Não espere que os problemas apareçam para de­pois solucioná-los. Se você já está atravessando dificulda­des, não espere mais tempo. Busque ajuda. É totalmente possível ter animais de esti­mação em apartamento ou casa pequena vivendo com qualidade de vida e manten­do sua casa inteira, sem des­truição ou necessidades fora do lugar, mas para isso é pre­ciso entender o que ele preci­sa. E na hora de contratar um profissional, tenha certeza de que o mesmo tenha qualifica­ção para trabalhar com ades­tramento”, finaliza.

Dia Mundial dos Animais
Nesta segunda-feira (4) são comemoradas duas importantes datas, o Dia Mundial dos Animais e o Dia Nacional de Adotar um Animal. O Dia Mundial tem o intuito de incentivar a reflexão sobre os cuidados com os animais, preservação e a importância que eles têm na vida das pessoas. Já o Dia Nacional de Adotar convida às pessoas a incluírem em suas vidas um pet.

Dia Mundial tem o intuito de incentivar a reflexão sobre os cuidados com os animais, preservação e a importância que eles têm na vida das pessoas

Em 2020, durante a pandemia, de acordo com a AMPARA Animal, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que presta ajuda às ONGs e aos protetores independentes da causa animal, o crescimento no abandono de animais foi de 70%. O levantamento foi feito com 530 instituições e proteto­res independentes de todo o Brasil.

Com o maior número de abandonos, cresce o número de resgates por ONGs e protetores e superlotam os abrigos. Para ajudar essa situação é muito importante promover a adoção de animais.

De acordo com a gerente de marketing da Cobasi, Daniela Bochi, “a principal forma de combater o aban­dono e a superlotação de abrigos é o controle populacional, mas a partir do momento que estes animais são resgatados é preciso dar a oportunidades de eles conseguirem uma família. Por isso a Cobasi promo­ve eventos de adoção desde 1998”.

Neste domingo, dia 3, a Cobasi realizará em Ribeirão Preto a Blitz de Adoção. A unidade localizada na avenida Maurílio Biagi, 476 realizará um evento de adoção de gatos com a ONG Só Gatinhos, das 10h às 15h.

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