Os animais de estimação estão cada vez mais próximos das pessoas e são tratados como membros da família. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos Para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil é o terceiro país do mundo com maior população de animais domésticos. São 54,2 milhões de cães, 23,9 milhões de gatos, 19,1 milhões de peixes, 39,8 milhões de aves e mais de 2,3 milhões de outros animais, totalizando 139,3 milhões de animais nos lares brasileiros.

Em muitas situações os animais são tratados como seres humanos, o que segundo a psicóloga e especialista em comportamento animal, Ana Paula Cestari Astrulakis, é um erro.
“Tratar como humano é ruim. Quando tratamos outra espécie como um humano, esquecemos que nossas necessidades comportamentais são diferentes, nossa percepção do mundo é diferente e isso acaba impondo aos animais uma ‘obrigação’ de se adaptar e atender nossas expectativas da forma que nós queremos. Em minha opinião como profissional, tutora e amante dos cães, a melhor forma de demonstrar amor e carinho por eles é lembrar que eles são cães e que enxergam o mundo muito diferente de nós. E isso serve para todas as espécies”, explica a profissional que possui mais de 25 certificações nacionais e internacionais nas áreas de adestramento, comportamento e bem estar animal e trabalha com adestramento de cães há 10 anos.
Comportamento animal

Ana explica que comportamento animal é uma ciência que estuda o comportamento natural das espécies, suas necessidades físicas e emocionais, formas de aprendizagem, memória e tudo que diz respeito ao comportamento em si. “Os animais de estimação se tornaram membros da família e este novo status fez com que cada vez mais pesquisadores se dedicassem a estudar os animais e sua relação com o homem, facilitando assim o acesso a informações que pudessem facilitar e tornar ainda mais prazeroso essa convivência”, ressalta Ana Paula.
A especialista comenta algumas situações que ocorrem com frequência. Uma delas é o fato de dois ou mais animais (cachorro ou gato, por exemplo, da mesma raça – e idade aproximada), que moram num mesmo condomínio e têm comportamentos diferentes.
“Os animais são indivíduos, e mesmo sendo irmãos da mesma ninhada, por exemplo, podem ter personalidades e características diferentes. Assim como nós humanos encontramos características e personalidades muito diferentes dentro de um mesmo núcleo familiar”, salienta.
Outra abordagem é o fato de animais terem um comportamento natural, por exemplo, uma raça de cachorro é mais dócil e outra é menos, mas que sofrem interferências por conta do tratamento recebido.

“Existe uma genética por traz das raças, porém, quando falamos de comportamento, a genética equivale a 30% apenas. O resto é dividido entre o ambiente em que o animal está inserido e o que ele aprende. Então, é muito importante lembrar antes de escolher um cão de raça que não se pode levar em consideração apenas a raça. É preciso caprichar na socialização, proporcionar experiências positivas para esses filhotes e buscar ajuda profissional se ficar inseguro em relação ao comportamento do pet. O período de socialização do filhote diz muito sobre quem ele será quando adulto”, diz a especialista.
Por fim, Ana Paula dá dicas para os donos de animais domésticos sobre comportamento animal. “Se você tem um filhote em casa, busque o adestramento positivo como um investimento na sua relação com seu novo membro da família. Não espere que os problemas apareçam para depois solucioná-los. Se você já está atravessando dificuldades, não espere mais tempo. Busque ajuda. É totalmente possível ter animais de estimação em apartamento ou casa pequena vivendo com qualidade de vida e mantendo sua casa inteira, sem destruição ou necessidades fora do lugar, mas para isso é preciso entender o que ele precisa. E na hora de contratar um profissional, tenha certeza de que o mesmo tenha qualificação para trabalhar com adestramento”, finaliza.
Dia Mundial dos Animais
Nesta segunda-feira (4) são comemoradas duas importantes datas, o Dia Mundial dos Animais e o Dia Nacional de Adotar um Animal. O Dia Mundial tem o intuito de incentivar a reflexão sobre os cuidados com os animais, preservação e a importância que eles têm na vida das pessoas. Já o Dia Nacional de Adotar convida às pessoas a incluírem em suas vidas um pet.

Em 2020, durante a pandemia, de acordo com a AMPARA Animal, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que presta ajuda às ONGs e aos protetores independentes da causa animal, o crescimento no abandono de animais foi de 70%. O levantamento foi feito com 530 instituições e protetores independentes de todo o Brasil.
Com o maior número de abandonos, cresce o número de resgates por ONGs e protetores e superlotam os abrigos. Para ajudar essa situação é muito importante promover a adoção de animais.
De acordo com a gerente de marketing da Cobasi, Daniela Bochi, “a principal forma de combater o abandono e a superlotação de abrigos é o controle populacional, mas a partir do momento que estes animais são resgatados é preciso dar a oportunidades de eles conseguirem uma família. Por isso a Cobasi promove eventos de adoção desde 1998”.
Neste domingo, dia 3, a Cobasi realizará em Ribeirão Preto a Blitz de Adoção. A unidade localizada na avenida Maurílio Biagi, 476 realizará um evento de adoção de gatos com a ONG Só Gatinhos, das 10h às 15h.