Tribuna Ribeirão
Política

Comércio volta a fechar no dia 15

ALFREDO RISK

O aumento de 100% no nú­mero de mortes por covid-19, o avanço dos casos do novo co­ronavírus e a alta taxa de ocu­pação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) leva­ram o governo do Estado a res­tringir as atividades comerciais e de prestação de serviços em Ribeirão Preto e nas demais 25 cidades da área de atuação do 13º Departamento Regional de Saúde (DRS XIII).

A partir de segunda-feira, 15 de junho, o atendimento presencial será proibido nas lojas do comércio central (cal­çadão e adjacências), de bair­ros (Vila Virgínia, Vila Tibério, Adelino Simioni, Quintino Facci I e II, Lagoinha, Igua­temi e Ribeirão Verde, entre tantos outros) e importantes corredores comerciais como os das avenidas Dom Pedro I (Ipiranga) e Saudade (Campos Elíseos), na Zona Norte, e do Boulevard, na Zona Sul.

O atendimento nos quatro shopping centers da cidade – RibeirãoShopping, Santa Úrsula Shopping, Shopping Iguatemi e Novo Shopping – também vai ficar restrito aos serviços de “delivery” e “drive thru”, siste­mas que valem também para o comércio em geral. Concessio­nárias de veículos, imobiliárias e escritórios de arquitetura, en­genharia, advocacia e contabili­dade, entre outros, também não poderão mais atender até o fim da quarentena.

Nesta quarta-feira (10), o go­vernador João Doria (PSDB) de­cretou a extensão da quarentena, que em sua quinta etapa vai de 15 a 28 de junho e foi batizada de heterogênea porque, na maioria do Estado, a flexibilização foi permitida – apenas as regiões de Ribeirão Preto, Barretos e Presidente Prudente sofreram restrições mais drásticas. A me­trópole saiu da zona “laranja” e voltou para a “vermelha”, em que apenas os serviços essenciais po­derão atender presencialmente.

Entre eles estão os super­mercados, padarias, açougues, bares, lanchonetes e restaurantes (desde que não haja consumo no local), farmácias, drogarias, bancos (seguindo as regras de distanciamento e higienização), postos de combustíveis, serviços de limpeza, segurança, transpor­te (ônibus, táxis e aplicativos) e abastecimento.

O prefeito Duarte Noguei­ra Júnior (PSDB) afirmou, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, que a pre­feitura executou todas as ações para a retomada das atividades econômicas. Citou como um dos exemplos a disponibiliza­ção do número de leitos em UTI e enfermarias para pa­cientes com covid-19 nos hos­pitais da cidade.

O prefeito destacou, porém, que com o início da flexibili­zação em 1º de junho, parte da população não aderiu ao dis­tanciamento social e a outras medidas preventivas, levando o município ao estado de alerta máximo. Na nova avaliação, Ribeirão Preto apresentou pio­ra em três dos cinco critérios técnicos do Plano São Paulo.

No período mais recente de sete dias, o número de mortes por covid-19 na região foi de 24 pacientes. No intervalo se­manal imediatamente anterior, houve doze óbitos pela doença. Ou seja, o índice de mortes por coronavírus subiu 100% entre os períodos. Já a variação nas inter­nações apresentou um aumento de 51% – ontem já havia supera­do 75%. No período mais recen­te, houve 364 novas internações. No intervalo semanal anterior, esse número foi de 241.

Em relação ao número de casos, o crescimento foi de 75%, passando de 421 para 736 no­vos casos. Além de Ribeirão Preto, compõem o DRS XIII os municípios de Altinópolis, Barrinha, Batatais, Brodowski, Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Cravinhos, Dumont, Guariba, Guatapará, Jaboticabal, Jardinó­polis, Luis Antônio, Monte Alto, Pitangueiras, Pontal, Pradópolis, Santa Cruz da Esperança, Santa Rosa de Viterbo, Santo Antônio da Alegria, São Simão, Serra Azul, Serrana e Sertãozinho.

Nogueira elogiou o traba­lho preventivo realizado pelos comerciantes e pelos emprega­dos do setor neste período. O decreto municipal que volta a restringir as atividades na ci­dade foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) desta quarta-feira. Indústria e construção civil continuam com funcionamento normal em todo o Estado.

“Temos uma das menores letalidades em comparação às cidades paulistas com mais de 500 mil habitantes. Nossos in­dicadores de leitos de UTI para tratamento de covid-19, quanti­dade de leitos de UTI para cada 100 mil habitantes e número de novos casos estão bem avaliados, mas a quantidade de internações e óbitos nos últimos sete dias fi­zeram com que o município regredisse de fase, ficando em alerta máximo”, disse Nogueira.

O Boletim Epidemiológi­co desta quarta-feira aponta 53 mortes e 2.028 casos de Sars­-CoV-2 na cidade – leia no ca­derno de Geral. “Em Ribeirão Preto, já realizamos mais de sete mil testes e a casuística da doen­ça aponta que de todos os regis­tros de covid-19 na cidade, 90% são casos leves e 10% são casos graves”, acrescenta o secretário de Saúde, Sandro Scarpelini.

“Vamos continuar com todo o planejamento estratégico, olhando duas semanas à frente, e vamos intensificar a campanha ‘Todos Contra a Covid’, porque sem a colaboração da população será impossível vencer essa luta. Se tivermos esse comportamen­to do uso da máscara e evitar­mos deslocamentos e aglome­rações desnecessários, tenho certeza, sem dúvida nenhuma, que avançaremos de fase”, finali­za o prefeito.

Comércio da cidade critica o retrocesso
Sobre a restrição de atividades comerciais e de prestação de serviços a partir de segunda-feira (15), a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) manifestou seu descontentamento com o governo do Estado no que diz respeito a transparência dos dados e critérios que basearam a decisão. Isso porque, segundo a entida­de, regiões com piores números tiveram a classificação mantida, enquanto a cidade de Ribeirão Preto foi rebaixada.

“A Acirp entende que os comerciantes cumpriram com seu papel na reabertura, respeitando todos protocolos sanitários determinados, e segue defendendo que seja realizada uma comunicação clara e antecipada de indicadores evolutivos para que o plano proposto pelo governo do Estado seja de fato efetivo.Estes critérios e estatísticas devem ser públicos para gerar previsibilidade, uma vez que, como estamos vendo, a retomada ou fechamento das atividades não é um processo que as empresas realizam facilmente”, afirma.

De acordo com a entidade, comunicação como a realizada nesta quarta-feira (10) pegam desprevenidos milhares de empreendedores que, quando da decisão pela reabertura, se viram obrigados a resga­tar o relacionamento com seus fornecedores, investir na adequação aos protocolos sanitários e redefinir relações trabalhistas.

“Soma-se a isso a falta de coesão nos critérios das medidas de distanciamento, que se mostram ineficientes. Está claro, por exem­plo, que restrições no transporte público e redução dos horários de atendimento do comércio só contribuem para a aglomeração nos veículos e nas lojas e seus entornos!”, completa.

Já o Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região (Sinco­varp) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-RP) também lamentaram a classificação da região na zona “vermelha” e confirmaram que continua­rão trabalhando na construção de soluções para que a metrópole volte à classificação laranja e continue evoluindo até a reabertura total.

“Seja trabalhando no Grupo de Transição e Retomada onde represen­tamos o comércio varejista, na campanha de conscientização junto com entidades parceiras seja realizando ações práticas para ajudar a alavancar vendas no setor lojista, não vamos desistir! E a população precisa ajudar também!”, afirma Paulo César Garcia Lopes, presiden­te das duas entidades.

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