O aumento de 100% no número de mortes por covid-19, o avanço dos casos do novo coronavírus e a alta taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) levaram o governo do Estado a restringir as atividades comerciais e de prestação de serviços em Ribeirão Preto e nas demais 25 cidades da área de atuação do 13º Departamento Regional de Saúde (DRS XIII).
A partir de segunda-feira, 15 de junho, o atendimento presencial será proibido nas lojas do comércio central (calçadão e adjacências), de bairros (Vila Virgínia, Vila Tibério, Adelino Simioni, Quintino Facci I e II, Lagoinha, Iguatemi e Ribeirão Verde, entre tantos outros) e importantes corredores comerciais como os das avenidas Dom Pedro I (Ipiranga) e Saudade (Campos Elíseos), na Zona Norte, e do Boulevard, na Zona Sul.
O atendimento nos quatro shopping centers da cidade – RibeirãoShopping, Santa Úrsula Shopping, Shopping Iguatemi e Novo Shopping – também vai ficar restrito aos serviços de “delivery” e “drive thru”, sistemas que valem também para o comércio em geral. Concessionárias de veículos, imobiliárias e escritórios de arquitetura, engenharia, advocacia e contabilidade, entre outros, também não poderão mais atender até o fim da quarentena.
Nesta quarta-feira (10), o governador João Doria (PSDB) decretou a extensão da quarentena, que em sua quinta etapa vai de 15 a 28 de junho e foi batizada de heterogênea porque, na maioria do Estado, a flexibilização foi permitida – apenas as regiões de Ribeirão Preto, Barretos e Presidente Prudente sofreram restrições mais drásticas. A metrópole saiu da zona “laranja” e voltou para a “vermelha”, em que apenas os serviços essenciais poderão atender presencialmente.
Entre eles estão os supermercados, padarias, açougues, bares, lanchonetes e restaurantes (desde que não haja consumo no local), farmácias, drogarias, bancos (seguindo as regras de distanciamento e higienização), postos de combustíveis, serviços de limpeza, segurança, transporte (ônibus, táxis e aplicativos) e abastecimento.
O prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) afirmou, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, que a prefeitura executou todas as ações para a retomada das atividades econômicas. Citou como um dos exemplos a disponibilização do número de leitos em UTI e enfermarias para pacientes com covid-19 nos hospitais da cidade.
O prefeito destacou, porém, que com o início da flexibilização em 1º de junho, parte da população não aderiu ao distanciamento social e a outras medidas preventivas, levando o município ao estado de alerta máximo. Na nova avaliação, Ribeirão Preto apresentou piora em três dos cinco critérios técnicos do Plano São Paulo.
No período mais recente de sete dias, o número de mortes por covid-19 na região foi de 24 pacientes. No intervalo semanal imediatamente anterior, houve doze óbitos pela doença. Ou seja, o índice de mortes por coronavírus subiu 100% entre os períodos. Já a variação nas internações apresentou um aumento de 51% – ontem já havia superado 75%. No período mais recente, houve 364 novas internações. No intervalo semanal anterior, esse número foi de 241.
Em relação ao número de casos, o crescimento foi de 75%, passando de 421 para 736 novos casos. Além de Ribeirão Preto, compõem o DRS XIII os municípios de Altinópolis, Barrinha, Batatais, Brodowski, Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Cravinhos, Dumont, Guariba, Guatapará, Jaboticabal, Jardinópolis, Luis Antônio, Monte Alto, Pitangueiras, Pontal, Pradópolis, Santa Cruz da Esperança, Santa Rosa de Viterbo, Santo Antônio da Alegria, São Simão, Serra Azul, Serrana e Sertãozinho.
Nogueira elogiou o trabalho preventivo realizado pelos comerciantes e pelos empregados do setor neste período. O decreto municipal que volta a restringir as atividades na cidade foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) desta quarta-feira. Indústria e construção civil continuam com funcionamento normal em todo o Estado.
“Temos uma das menores letalidades em comparação às cidades paulistas com mais de 500 mil habitantes. Nossos indicadores de leitos de UTI para tratamento de covid-19, quantidade de leitos de UTI para cada 100 mil habitantes e número de novos casos estão bem avaliados, mas a quantidade de internações e óbitos nos últimos sete dias fizeram com que o município regredisse de fase, ficando em alerta máximo”, disse Nogueira.
O Boletim Epidemiológico desta quarta-feira aponta 53 mortes e 2.028 casos de Sars-CoV-2 na cidade – leia no caderno de Geral. “Em Ribeirão Preto, já realizamos mais de sete mil testes e a casuística da doença aponta que de todos os registros de covid-19 na cidade, 90% são casos leves e 10% são casos graves”, acrescenta o secretário de Saúde, Sandro Scarpelini.
“Vamos continuar com todo o planejamento estratégico, olhando duas semanas à frente, e vamos intensificar a campanha ‘Todos Contra a Covid’, porque sem a colaboração da população será impossível vencer essa luta. Se tivermos esse comportamento do uso da máscara e evitarmos deslocamentos e aglomerações desnecessários, tenho certeza, sem dúvida nenhuma, que avançaremos de fase”, finaliza o prefeito.
Comércio da cidade critica o retrocesso
Sobre a restrição de atividades comerciais e de prestação de serviços a partir de segunda-feira (15), a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) manifestou seu descontentamento com o governo do Estado no que diz respeito a transparência dos dados e critérios que basearam a decisão. Isso porque, segundo a entidade, regiões com piores números tiveram a classificação mantida, enquanto a cidade de Ribeirão Preto foi rebaixada.
“A Acirp entende que os comerciantes cumpriram com seu papel na reabertura, respeitando todos protocolos sanitários determinados, e segue defendendo que seja realizada uma comunicação clara e antecipada de indicadores evolutivos para que o plano proposto pelo governo do Estado seja de fato efetivo.Estes critérios e estatísticas devem ser públicos para gerar previsibilidade, uma vez que, como estamos vendo, a retomada ou fechamento das atividades não é um processo que as empresas realizam facilmente”, afirma.
De acordo com a entidade, comunicação como a realizada nesta quarta-feira (10) pegam desprevenidos milhares de empreendedores que, quando da decisão pela reabertura, se viram obrigados a resgatar o relacionamento com seus fornecedores, investir na adequação aos protocolos sanitários e redefinir relações trabalhistas.
“Soma-se a isso a falta de coesão nos critérios das medidas de distanciamento, que se mostram ineficientes. Está claro, por exemplo, que restrições no transporte público e redução dos horários de atendimento do comércio só contribuem para a aglomeração nos veículos e nas lojas e seus entornos!”, completa.
Já o Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região (Sincovarp) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-RP) também lamentaram a classificação da região na zona “vermelha” e confirmaram que continuarão trabalhando na construção de soluções para que a metrópole volte à classificação laranja e continue evoluindo até a reabertura total.
“Seja trabalhando no Grupo de Transição e Retomada onde representamos o comércio varejista, na campanha de conscientização junto com entidades parceiras seja realizando ações práticas para ajudar a alavancar vendas no setor lojista, não vamos desistir! E a população precisa ajudar também!”, afirma Paulo César Garcia Lopes, presidente das duas entidades.