A atração deste mês do Clube do Livro – projeto da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, coordenado pela bibliotecária Gabriela Pedrão – será “O olho mais azul”, da escritora norte-americana Toni Morrison (1931- 2019), Prêmio Nobel de Literatura de 1993 por seus romances fortes e pungentes que relatam as experiências de mulheres negras nos Estados Unidos durante os séculos XIX e XX.
O debate será neste sábado, 30 de outubro, às 16 horas. A atividade será transmitida pela plataforma de reuniões Zoom e replicada na plataforma e YouTube da fundação. Toni Morrison, nascida Chloe Ardelia Wofford, foi escritora, editora e professora. Seu livro de estreia, “O olho mais azul”, de 1970, é um estudo sobre raça, gênero e beleza – temas recorrentes em seus últimos romances.
“Amada” (1987), o primeiro romance de uma trilogia que inclui “Jazz” (1992) e “Paraíso” (1997), ganhou o Pulitzer de melhor ficção e foi escolhido pelo jornal americano The New York Times como “a melhor obra da ficção americana dos últimos 25 anos”. Morrison escreveu peças, ensaios, literatura infantil e um libreto de ópera.
“O olho mais azul”, obra escolhida para o encontro do Clube do Livro neste mês de outubro, chama a atenção para dois temas importantes da atualidade: o racismo e a padronização da beleza feminina. Narrado sob o ponto de vista de uma menina negra, Pecola Breedlove, o livro é considerado um dos mais impactantes escritos por Toni Morrison.
“É um livro bastante pesado e triste, que desperta, ao mesmo tempo, uma simpatia profunda pela personagem principal, Pecola, e revolta pela opressão que ela (e quase todos os personagens) sofrem”, diz Gabriela Pedrão, mediadora do encontro e curadora do grupo.
Sobre essa correlação dos temas do encontro, Gabriela diz que todas as mulheres sofrem com padrões arbitrários de beleza. “Contudo, quando esses padrões interagem com o racismo, os efeitos negativos são muito mais nefastos”, argumenta. A bibliotecária destaca, ainda, que o romance trata dos desdobramentos dessa interação em todos os aspectos das vidas das mulheres negras presentes no enredo.
Para Gabriela, o que fica de “O olho mais azul” é uma mensagem importante para o leitor: “O nosso modo de vida está tão impregnado de racismo e desses padrões opressivos de beleza que até as coisas mais banais do dia a dia são contaminadas por eles, afetando as relações sociais e nossa autopercepção das mais diversas maneiras”.
Sinopse
Conta a história de Pecola Breedlove, uma menina negra que sonha com uma beleza diferente da sua. Negligenciada pelos adultos e maltratada por outras crianças por conta da pele muito escura e do cabelo crespo, ela deseja mais do que tudo ter olhos azuis como os das mulheres brancas – e sonha com a paz que isso lhe traria. Mas, quando a vida de Pecola começa a desmoronar, ela precisa aprender a encarar seu corpo de outra forma. Uma poderosa reflexão sobre raça, classe social e gênero, “O olho mais azul” é um livro atemporal e necessário.
O Clube do Livro já discutiu neste ano “A Peste” (do franco-argelino Albertt Camus, 1913-1960), “1984” (do britânico George Orwell, 1903-1950), “Flores para Algernon” (do americano Daniel Keyes, 1927-2014), “A filha perdida” (da italiana Elena Ferrante), “Torto arado” (do baiano Itamar Vieira Junior), “A vida pela frente” (do francês Romain Gary, 1914-1980), “Sobre os ossos dos mortos” (da polonesa Olga Tokarczuk), “O Deserto dos Tártaros” (do italiano Dino Buzzati, 1906-1972) e “A elegância do ouriço” (da francesa Muriel Barbery).
O projeto vai até dezembro. O debate será transmitido na plataforma de reuniões Zoom (https://us02web.zoom.us/j/82993931880), com link disponível também na BIO do Instagram da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. Com transmissão ao vivo também pela plataforma digital da instituição (www.fundacaodolivroeleiturarp.com) e YouTube (www.youtube.com/user/ FeiraDoLivroRibeirao).