Valdir Avelino *
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O Brasil, no geral, e a região de Ribeirão Preto, em particular, passam por ondas de calor advindas do bloqueio atmosférico que surgiu no final do inverno e começo da primavera de 2023. E a tendência é que as temperaturas extremas continuem! Como a projeção para o mês de outubro é que se faça mais calor do que o mês de setembro, é bem provável que o calor volte com força total após uma redução na temperatura prevista para sua primeira semana do próximo mês.
Preocupado com a saúde de todos os trabalhadores públicos municipais diante da onda de calor atípica, o Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis exerceu a sua função preventiva e expediu ofícios para todas as autoridades cobrando a adoção de um sistema de monitoramento de calor e medidas para garantir a integridade física dos nossos servidores.
Além da cobrança formal, nossa diretoria tem feito uma força tarefa de visitas aos locais de trabalho da Prefeitura Municipal e às atividades laborais externas executadas pelos nossos trabalhadores fora das dependências físicas do Município. Nessas visitas, temos encontrado locais de trabalho precários, falta de água, energia elétrica e instalações sanitárias que apresentam graves problemas.
Não encontramos um só local com infraestrutura adequada e itens considerados necessários para que a prestação dos serviços públicos se desenvolva de modo satisfatório, sobretudo se considerarmos que parte dos nossos servidores estão sendo submetidos a condições precárias, sob calor excessivo.
É um quadro desalentador e esperamos que o governo municipal tenha (e demonstre através de atitudes concretas) sensibilidade com nossos trabalhadores. A precariedade das condições de trabalho no serviço público municipal se tornou um problema generalizado e não pode continuar sendo negligenciado. Até mesmo em muitas escolas municipais ou postos de saúde, os nossos trabalhadores se veem obrigados a desenvolverem suas atividades em condições bem próximas àquelas consideradas degradantes.
Nestas visitas, identificamos que a sobrecarga de trabalho, em condições precárias, tem produzido um profundo estresse dentro do ambiente público municipal. Eu não tenho a menor dúvida de que a infraestrutura inadequada e a falta de itens básicos de trabalho representam uma das principais barreiras à eficiência dos serviços públicos municipais. Diante de uma onda de calor insuportável, é evidente que as condições materiais e estruturais do serviço público desempenham um papel crucial.
Esperamos que nos próximos dias o governo municipal responda efetivamente aos pedidos do Sindicato e adote medidas efetivas para prevenir o silencioso e ininterrupto desgaste da saúde do trabalhador público municipal em razão da carga de calor sob a qual está sendo obrigado a trabalhar, sem as imprescindíveis condições de trabalho.
* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis