Terminou para o Brasil, como equipe de futebol, o sonho de ganhar a copa feminina de futebol disputada este ano na França. Ainda estamos “vivos” na Copa América, depois dos últimos fracassos em copas do mundo masculina. É certo, todavia, que no futebol, a vantagem do time da casa é um efeito amplamente estudado e bem documentado. Mas, muito interessante é a relação entre este efeito e os aspectos da arbitragem, pois tem sido sugerido que as decisões do juiz, refletidas em mais tiros livres diretos e indiretos, menos cartões amarelo e vermelho, e pênaltis para o time da casa, podem explicar parte do efeito da vantagem do time da casa. Entretanto, sugere-se que isto ocorra devido à influência da torcida do time da casa, dependente ou não do uso do sistema de vídeo-arbitragem (VAR, sigla em inglês de vídeo assistant referee).
Há dois mecanismos pelos quais a torcida pode exercer influência na vantagem do time da casa: (1) via jogadores e (2) via árbitros. Ambos são plausíveis e é provável que cada um contribua para a vantagem global do time da casa. Recentes pesquisas no domínio do futebol têm focado mais o impacto ou vieses dos juízes, com dados sugerindo que árbitros demonstram vieses favorecendo o time da casa em suas decisões referentes a faltas, distribuição de cartões e tempo adicional.
A existência de diferenças individuais entre juízes, em termos de vantagem ao time da casa, pode ser vista como um indicador de que parte desta é devido às decisões dos árbitros. Assim, duas questões podem ser testadas: (1) se há diferenças significativas entre juízes no efeito da vantagem do time da casa; (2), se isto for o caso, pode ser que os juízes respondam diferencialmente à pressão social. Para testar esta última, é necessário examinar se a relação entre o público presente e a vantagem da casa varia entre árbitros. Isto é, são alguns juízes mais suscetíveis à pressão social do que outros?
Usando amplo banco de dados de futebol, contendo informações sobre 37.830 partidas nacionais e internacionais, um estudo analisou uma amostra de 872 juízes de 58 diferentes competições no período de 1994 a 2007. As análises indicaram que o efeito da casa difere significativamente entre árbitros, mesmo após controlar outros fatores explicativos, tais como, tipo de competição, qualidade do time e público. Também, dados revelaram que estas diferenças podem ser parcialmente explicadas por mudanças no tamanho da lotação. Isto é, juízes parecem ser diferencialmente afetados pela pressão social.
Para alguns juízes, a vantagem do time da casa permanece relativamente constante apesar da quantidade de público, enquanto, para outros (e esta é a tendência geral), há uma tendência linear positiva, de modo que quando o tamanho do público aumenta a vantagem da casa torna-se maior. Ademais, outros fatores como a densidade do público no estádio e a distância dos torcedores ao campo de jogo também parecem afetar as decisões dos juízes. Em geral, os dados sugerem que os juízes são um fator contribuinte para a vantagem da casa. Estes achados têm implicações para seleção, avaliação e treinamento dos juízes.