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Brasileiros confiam na vacina contra a dengue 

Segundo o levantamento, a população da Região Sudeste se destaca pelo alto nível de engajamento com o tema. 

A vacinação é direcionada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, em duas doses (Reprodução)

Uma pesquisa inédita, que entrevistou dois mil brasileiros para entender as percepções sobre a dengue e a vacinação em geral, mostrou que 86% das pessoas da Região Sudeste veem a vacinação contra a dengue como uma medida eficaz de prevenção, mesmo diante da ampla exposição a fake news, especialmente nas redes sociais. Na Região Sudeste, formada pelos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, foram ouvidas 860 pessoas. 

O levantamento foi conduzido pelo instituto Ipsos e encomendado pela biofarmacêutica Takeda, com a colaboração da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Segundo a pesquisa, a população do Sudeste se destaca pelo alto nível de engajamento com o tema da dengue, com 81% afirmando buscar informações sobre a doença — acima da média nacional, que ficou em 76%. Além disso, 66% já ouviram falar sobre a vacinação contra a dengue, uma proporção ligeiramente superior à média nacional de 64%. 

Apesar do interesse elevado por campanhas de vacinação, o Sudeste registrou o maior índice de medo em relação às vacinas em geral, com 31% da população expressando essa preocupação, frente a 29% da média nacional. 

Ao serem questionados se receberam alguma fake news ou desinformação sobre vacinas em geral por diferentes canais — internet, redes sociais, WhatsApp, amigos ou familiares e imprensa —, 75% dos entrevistados do Sudeste afirmaram já ter sido impactados por esse tipo de conteúdo, índice superior à população geral, que foi de 74%. 

“A pesquisa demonstra que, apesar do aumento da conscientização sobre os riscos da dengue, muitos brasileiros ainda enfrentam barreiras para se vacinar devido ao impacto das fake news, que atingem 42% dos entrevistados da Região Sudeste relatando o recebimento de informações falsas sobre vacinas em geral pelas redes sociais”, afirma Juliana Siegmann, pesquisadora do Ipsos. 

Hesitação 

Apesar do alto índice de confiança nas vacinas, o estudo revelou que a circulação de fake news impacta diretamente as decisões sobre a vacinação em geral. Ao todo, 42% dos participantes relataram ter recebido informações falsas sobre vacinas nas redes sociais. Quase 30% já deixaram de se vacinar ou recomendaram que outros não se vacinassem devido a dúvidas sobre segurança e eficácia. 

Já 11% decidiram não se vacinar por causa de informações recebidas online ou de amigos e parentes, e 17% não mudaram de opinião, mas ficaram em dúvida por causa das informações recebidas. 

Em contrapartida, 92% afirmam prestar atenção nas campanhas de vacinação, 89% acreditam que as vacinas em geral trazem benefícios e 96% dizem verificar a veracidade das informações sobre vacinas. 

A pesquisa também avaliou os sentimentos despertados pelas informações sobre vacinas em geral nas redes sociais. Entre os entrevistados da Região Sudeste, 75% afirmaram que as informações trouxeram sentimentos positivos, como confiança (42%), tranquilidade (37%) e otimismo (34%). Além disso, mais da metade (52%) demonstrou interesse pelo tema. No entanto, 25% sentiram-se negativamente impactados, relatando ansiedade (17%), desconfiança (14%), medo (13%) e confusão (11%). 

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, a alta taxa de confiança na vacinação é um passo importante na luta contra a dengue. “Mas precisamos combater a desinformação que ainda desencoraja uma parcela significativa da população a levar o público elegível para receber a vacina contra a dengue no Sistema Único de Saúde”, afirma. 

Ribeirão já aplicou mais de 23 mil vacinas contra a dengue 

A Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto já havia aplicado, até o dia 18 de março, 23.490 vacinas contra a dengue, sendo 16.435 primeiras doses e 7.055 segundas doses. A vacinação é direcionada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, em duas doses, e a Secretaria reforça que é imprescindível que os pais ou responsáveis levem os filhos para a segunda dose — só assim a imunização estará garantida. 

No ano passado, Ribeirão Preto registrou a maior epidemia de dengue da história. Foram 44.712 casos, o maior volume já registrado na cidade, além de 263 mortes, o número mais elevado de óbitos. 

Na região, Dumont lidera a vacinação, seguida por Ribeirão Preto, Santa Rita do Passa Quatro e Guatapará. 

O Governo de São Paulo também tem reforçado a importância da vacinação contra a dengue e alertado pais e responsáveis sobre a necessidade de imunizar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A campanha de imunização segue em andamento em 392 municípios paulistas, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde (MS). 

Segundo a Secretaria, desde o início da vacinação, em fevereiro de 2024, até o dia 19 de fevereiro de 2025, foram administradas no estado um total de 670.936 primeiras doses e 268.665 segundas doses, correspondendo a uma cobertura de 27,91% e 11,18%, respectivamente. 

No Estado de São Paulo, foram confirmados, até o dia 26 de fevereiro, 158 mil casos de dengue e 140 óbitos, entre eles o falecimento de duas crianças nas cidades de Nova Aliança e São Paulo. 

Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica indicando que os estados poderiam, conforme a validade dos imunizantes, ampliar a faixa etária para a vacinação contra a dengue. Como resultado, 16 cidades do estado expandiram a faixa etária, agora incluindo o público de 4 a 59 anos. As cidades contempladas são: Santa Branca, Quintana, Macatuba, Agudos, Bariri, Mineiros do Tietê, Lençóis Paulista, Jaú e Capela do Alto. Além disso, os municípios de Reginópolis, Pederneiras, Balbinos, Presidente Alves, Restinga e Lupércio expandiram a vacinação para a faixa etária de 6 a 16 anos. 

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre elas. Para receber a vacina, pais ou responsáveis devem levar a criança ou o adolescente até a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, portando documento de identidade, caderneta de vacinação e comprovante de residência ou escolaridade. 

Se a criança ou o adolescente for diagnosticado com dengue, deve aguardar seis meses para iniciar a vacinação. Caso a infecção ocorra após a aplicação da primeira dose, a segunda deve ser mantida conforme o calendário, desde que haja um intervalo mínimo de 30 dias entre a doença e a segunda aplicação. 

 

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