O Bosque e Zoológico Municipal Doutor Fábio de Sá Barreto abriga 45 espécies de animais ameaçadas de extinção – onze são nativas, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e 34 são exóticas, de acordo com levantamentos feitos pelo Estado de São Paulo neste ano. Segundo o médico veterinário do zoo de Ribeirão Preto, César Branco, a espécie mais preocupante é o mutum-do-sudeste.
O animal é nativo desta região. “Como o Estado de São Paulo é um dos mais urbanizados do país, os animais dessa localidade tendem a perder seus habitats com o processo de urbanização, migram para as cidades e acabam atropelados, principalmente”, comenta. Essa também é a explicação pela quantidade de espécies ameaçadas no estado e pela baixa quantidade delas no zoológico ribeirão-pretano.
O macaco bugio está entre as espécies encontradas no zoo de Ribeirão Preto. No Estado de São Paulo, o status é de alerta por causa da ameaça de extinção, mas em outras unidades da Federação o primata já está extinto. “Por causa da febre amarela, essas espécies foram atacadas. Não que elas transmitam a doença, mas sim porque a população sem conhecimento acabou matando vários animais”, explica César Branco.
As onze espécies ameaçadas, segundo o ICMBio, são o mico-leão-de-cara-dourada, bugio-ruivo, arara-azul grande, cervo-do -pantanal, mutum-do-sudeste, ararajuba, jaguatirica, tamanduá -bandeira, gato-do-mato pequeno, onça-pintada e onça-parda. “Os animais predadores, como as onças, estão ameaçados por causa da caça. Outros, como a arara-azul grande, é pelo tráfico, principalmente, mas também pela perda de habitat”, diz o médico veterinário.
Algumas espécies que vivem no Bosque de Ribeirão Preto são formadas por casais, como é o caso das onças-pintadas, terceiro maior felino do mundo. Lilica, no zoo desde 2007, e Spyke, vindo do zoológico do Centro de Integração de Guerra na Selva (CIGS), já foram introduzidos para a reprodução, mas foi impossível. “O sêmen do Spyke foi estudado até no exterior e foi constatado que é inviável”, explica César Branco.
Os animais ameaçados, mas que têm ao menos dois gêneros diferentes no Bosque Fábio Barreto, são colocados para se reproduzirem e assim que nascem as crias são enviadas para programas de reprodução, buscando a preservação das espécies. “Vários animais ameaçados nasceram em cativeiro. É o caso do tamanduá-bandeira e do mutum-do-sudeste. As araras-azuis, que também têm casal, estão para reprodução”, diz o veterinário.
O Bosque Municipal Fábio Barreto abriga 156 espécies, num total de 830 animais. A prefeitura de Ribeirão Preto iniciou estudos para verificar a viabilidade de uma Parceria Público-Privada (PPP) para administração do local, que recebe cerca de 25 mil pessoas por mês – mais de mil por dia, já que não abre às segundas e terças-feiras. A entrada é franca. Está localizado no Parque Municipal Morro do São Bento, um espaço de lazer com 250.880 metros quadrados de muita área verde com Jardim Japonês, lagos, flores, quiosques, pontes, alamedas para caminhadas e um mirante de 45 metros de altura.
O zoo tem 288 peixes de 33 espécies, 233 répteis de 25 espécies, 193 aves de 65 espécies e 119 mamíferos de 33 espécies. Os destaques são os elefantes asiáticos Mayson e Bambi, o urso de óculos Renan, as onças pintadas Lilica e Spyke, as suçuaranas Tito e Tite, os leões Simba e Zeus, a anta brasileira Giovane, o macaco aranha Maya e o mandril Prince, conhecido como Teco. O bosque, criado em 1937, tem 138 recintos para os animais. O local funciona de quarta a domingo, das nove às 16h30. Fica na rua Liberdade s/nº, no bairro Campos Elíseos. Agendamentos escolares e mais informações podem ser solicitadas pelos telefones (16) 3636-2283 e 3636-2513.