Tribuna Ribeirão
Política

Bolsonaro troca Silva e Luna por Adriano Pires

MARCELO CAMARGO/AG.BR.

O presidente Jair Bolsona­ro (PL) demitiu Joaquim Sil­va e Luna da presidência da Petrobras. Para o seu lugar, o governo indicou o diretor do Centro Brasileiro de Infraes­trutura (CBIE), Adriano Pires, segundo informações divulga­das nesta segunda-feira, 28 de março, pelo Ministério de Mi­nas e Energia (MME).

A decisão foi tomada no mesmo dia em que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, entregou o cargo ao presidente. Ele é investigado por suspeita de envolvimento com pastores que cobravam propina para inter­mediar recursos para escolas.

O mandato do atual presi­dente da Petrobras vai até março de 2023, mas isso não impede a substituição. Com a queda, Silva e Luna deve deixar de ganhar um salário anual em torno de R$ 2,9 milhões (R$ 223 mil por mês), segundo dados do Ministério da Economia.

De acordo com as regras atu­ais, o presidente da estatal pode receber até 13 salários de bônus caso todas as metas sejam atingi­das. Para a presidência do conse­lho de administração da estatal, o governo Bolsonaro indicou Rodolfo Landim, que também é presidente do Flamengo.

Ele ocupará o lugar do al­mirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que pediu para sair ale­gando razões pessoais. Landim é ex-funcionário da Petrobras, onde trabalhou por 26 anos an­tes de se juntar ao antigo grupo empresarial de Eike Batista.

A União tinha até a última hora no dia 13 de abril, duran­te a assembleia dos acionistas, para indicar seus nomes para o conselho de administração da Petrobras. Como ela é a contro­ladora da estatal, não terá difi­culdade em conseguir o número de votos necessários para eleger seus candidatos.

Este cenário independe da vontade dos acionistas minori­tários. A presença do presidente da companhia no conselho de administração é uma obrigatorie­dade prevista no estatuto social da companhia. Por isso, o substituto de Silva e Luna deve antes ser re­ferendado pela assembleia como membro do colegiado.

Após receber o aval dos acionistas na assembleia, ele, automaticamente, está apto a assumir a presidência da em­presa. Bolsonaro se irritou com com Silva e Luna pelo ‘timing’ no anúncio do mega-aumento dos combustíveis neste mês. A Petrobras pratica a chamada paridade de preços.

Ou seja, paga pelo produto o preço cobrado no mercado internacional e, por isso, repassa eventuais altas para refinarias, o que leva ao aumento de preços para o consumidor final. No dia 10, diante do aumento na cota­ção do petróleo no mercado in­ternacional, reflexo da guerra na Ucrânia, a Petrobras anunciou reajuste de 18,8% para a gasolina e de 24,9% para o diesel.

No dia seguinte, o Con­gresso aprovou e Bolsonaro sancionou um projeto que faz alterações na tributação sobre os combustíveis para tentar aliviar a alta de preços. Para o presidente, o impacto da apro­vação do projeto foi “mitigado” porque a Petrobras fez o anún­cio do mega-aumento antes.

Se confirmada, esta será a segunda vez que Bolsona­ro muda o comando da Pe­trobras. Em fevereiro do ano passado, o presidente demitiu Roberto Castello Branco, tam­bém em um momento em que o preço dos combustíveis im­pactava sua popularidade.

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