Quando se olha para a relação dos grandes provedores de serviços de computação na nuvem e se compara com a lista das chamadas Big-Techs, chama a atenção a ausência da Meta, empresa que controla o Facebook, o Whatsapp e o Instagram. Entre as cinco maiores da lista, em número de clientes e faturamento, estão: Amazon Web Services (AWS) em primeiro lugar e, na sequência, Microsoft Azure, Google Cloud Platform (GCP), Alibaba Cloud e Oracle Cloud.
Note que na lista temos duas empresas que basearam seu crescimento no comércio eletrônico (Amazon e Alibaba), uma que começou com fornecimento de sistemas operacionais e softwares de produtividade (Microsoft), uma plataforma de busca e disponibilização de vídeo (Google) e uma especializada em gerenciamento de banco de dados (Oracle). A gigante das mídias sociais, a Meta, não aparece na lista, nem mesmo abaixo do décimo lugar.
Aí está a explicação para a colaboração recíproca anunciada no dia 18 de julho de 2023, entre a Microsoft, que controla a OpenAI, produtora do ChatGPT e a Meta. A companhia de Mark Zuckerberg tem um ambicioso projeto de desenvolvimento de diversos aplicativos e plataformas para o uso de Inteligência Artificial. O nome desse projeto era Llama I, que chegou a uma encruzilhada em seu desenvolvimento justamente pela necessidade de ser testado e melhor configurado em um ambiente de big-cloud. Assim, agora com a chegada do Llama 2 e devido ao acordo com a Azure (Microsoft), tem o seu código aberto para que desenvolvedores, pesquisadores e startups desenvolvam aplicativos para uso acadêmico ou comercial, dentro de um ambiente de nuvem compatível. Esse tipo de computação na nuvem, disponibilizado pelo acordo entre as duas empresas, é conhecido como Plataforma como Serviço (PaaS), que dá aos desenvolvedores as ferramentas necessárias para criar e hospedar aplicativos Web.
Com essa parceria a Microsoft ganha o acesso de potenciais clientes para o Azure e passa a oferecer alternativas e novos serviços, complementares aos seus, disponibilizados pela plataforma de Inteligência Artificial da Meta.
A computação em nuvem é um mercado que cresce exponencialmente, devendo chegar a 1 trilhão de dólares por volta de 2027, no total. No ano passado, o faturamento da AWS (Amazon) chegou a 29 bilhões de dólares, 21,5 bilhões da Azure (Microsoft) e 7,3 bilhões da Google Cloud. De longe é o ramo que mais dará lucro no futuro para as empresas envolvidas com Inteligência Artificial.
Outra notícia boa para a Microsoft foi a aprovação, nos Estados Unidos, da sua compra da produtora de games Activision-Blizzard por “modestos” 70 bilhões de dólares. Essa aprovação estava emperrada desde o começo de 2023. Em maio deste ano, a comissão europeia que regula esse tipo de transação já havia aprovado a compra da produtora de games como “Call of Dutty” e “Warcraft”. Isso torna o X-box, a plataforma de games da empresa, a maior do mundo. A assinatura para uso de plataformas de games, similar à assinatura de streamings de vídeo, garante um fluxo ininterrupto de capital (e muito) para as empresas do setor. Como se vê, a Microsoft vai encontrando o caminho para se tornar a empresa líder, com folgas, da era da Inteligência Artificial.
Enquanto isso, Mark Zuckerberg, que de bobo não tem nada e de lobo dos negócios tem tudo, aplicou uma bela rasteira no desafeto Elon Musk, ao lançar o Threads. Ele é concorrente direto, com cara e feição, como dizem os mineiros, do Twitter, propriedade de Musk. Só nos quatro primeiros dias do Threads, cem milhões de pessoas se inscreveram no serviço. Um recorde. Porém, ao que parece, foi mais por curiosidade mesmo, pois mais de cinquenta por cento deles está inativo na plataforma Threads. Uma das explicações para que o número de usuários ativos não fosse mantido é o bloqueio de acesso de usuários que usam VPNs para mascarar seu número de IP, coisa que o Twitter não faz. Mas para Zuckerberg, a “chinela” aplicada no ego do adversário já deve ter valido a pena.
Bem, enquanto uns poucos contam bilhões, nós, meros terráqueos subalternos, continuamos a contar os caraminguás de cada dia. Semana que vem tem mais, até lá.