O deputado federal Baleia Rossi (MDB) usou o Twitter para criticar o presidente Jair Bolsonaro por vetar o repasse de R$ 200 milhões a uma vacina contra a covid-19 que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a empresa ribeirão-pretana Farmacore Biotecnologia e a PDS Biotechnology Corporation, dos Estados Unidos.
O parlamentar classificou o veto como absurdo. “Não há outra palavra para esse erro do atual governo. Vamos fazer todo esforço possível para derrubar esse veto”, diz na rede social. No Orçamento Geral da União de 2021 estavam reservados R$ 207 milhões para o desenvolvimento do imunizante Versamune®-CoV-2FC. Deste total, R$ 200 milhões seriam destinados por meio de emenda do senador Márcio Bittar (MDB-AC), vetada por Bolsonaro.
O desenvolvimento da vacina “100% brasileira” foi divulgado em março deste ano pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O corte acontece apenas um dia após o presidente convidar o ministro Marcos Pontes para participar de sua transmissão semanal nas redes sociais, na quinta-feira, 22 de abril, onde o assunto foi, justamente o imunizante de Ribeirão Preto.
Durante a live, Pontes já se mostrou preocupado com a manutenção do recurso. Segundo o ministro, seriam investidos R$ 30 milhões para a fase 1 e 2, um ensaio clínico com 360 pacientes. Posteriormente, serão necessários mais R$ 310 milhões para a fase 3, com 25 mil pacientes. As fases 1, 2 e 3 envolvem testes em humanos para avaliar a segurança e a eficácia do produto contra o vírus.
No total, o projeto prevê investimento de R$ 350 milhões. O ministro Marcos Pontes também criticou o corte por meio de vídeo divulgado nas redes sociais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pediu mais documentos á USP antes de liberar os estudos clínicos fases 1 e 2 da vacina. As exigências não suspenderam a análise das demais informações apresentadas. O pedido para o início dos testes clínicos (em humanos) foi apresentado à Anvisa em 25 de março, segundo o ministro Marcos Pontes.
A Versamune é desenvolvida em parceria entre o Departamento de Biologia da Faculdade de Medicina da USP, sob supervisão do pesquisador Célio Lopes Silva, da brasileira Farmacore Biotecnologia, de Ribeirão Preto, e a PDS Biotechnology Corporation, dos Estados Unidos. As empresas não foram notificadas pelo MCTI e por isso não vão se manifestar. A vacina é a combinação de uma proteína recombinante do Sars-CoV-2, uma tecnologia patenteada para a ativação do sistema imunológico.
Helena Faccioli, CEO da Farmcacore, disse em março que os testes clínicos devem ser concluídos em nove meses, quando o laboratório pedirá à Anvisa autorização para uso emergencial e a produção da vacina em escala industrial.
Antes do corte, estimava que o imunizante estivesse disponível para a população entre fevereiro e março de 2022. Os resultados pré-clínicos demonstraram potencial para induzir uma resposta imune ampla e robusta.