Todo atleta de alto rendimento tem o sonho de disputar uma Olímpiada. Porém, essa sensação não é sentida por todos. Apenas um seleto grupo de esportistas consegue tal feito. O ribeirão-pretano Fernando Ferreira, 26 anos, do salto em altura, garantiu uma vaga em Tóquio e agora faz parte do pequeno grupo de brasileiros que tem o orgulho de poder representar o país nos Jogos Olímpicos.
Cria da Cava do Bosque, Fernando contou em entrevista exclusiva ao Tribuna como começou no atletismo, por influência do ex-atleta André Luís.
“Comecei no atletismo no ano de 2010, a convite do meu padrinho e ex-atleta André Luís. Ele me convidou para ir até a Cava do Bosque fazer um treino e conhecer o esporte. Foi ali o meu primeiro contato, a primeira vez que eu pisei em uma pista de atletismo”, afirmou.

“Fiquei três anos treinando e competindo pela equipe de Ribeirão. Fui campeão Brasileiro Juvenil e vice-campeão Sul-Americano Juvenil ainda pela equipe de atletismo da AAARP”, completou.
A caminhada para Tóquio começou em 2017. Segundo Fernando, após disputar seu primeiro mundial de atletismo, em Londres, e conhecer os principais nomes da modalidade, sua cabeça se voltou completamente para buscar uma vaga nos Jogos.
“A corrida pela vaga olímpica começou logo depois da minha primeira participação em campeonatos mundiais de atletismo, que foi em Londres, em 2017. Lá foi onde eu conheci os melhores saltadores do mundo e principais adversários no Salto em Altura. Ali coloquei na minha cabeça que queria estar nos Jogos Olímpicos de Tóquio”, contou.
Por conta da pandemia, diversos campeonatos foram adiados e cancelados. Além dessas dificuldades, Fernando também passou a ter problemas para treinar, já que alguns espaços de treinamento ficaram fechados por conta dos protocolos sanitários contra a covid-19.
“No começo de 2020 com a Pandemia tivemos várias competições que foram atrasadas ou até mesmo canceladas. Eu que treinava no CPB (Centro Paralímpico Brasileiro), mas perdi o local de treino, pois com a pandemia lá precisou ficar fechado por vários meses. A reabertura veio com muitos protocolos e eu não pude voltar treinar La. Duas vezes por semana saia de São Paulo com o meu técnico, José Antônio Rabaça, para ir até o CNDA em Bragança Paulista para poder treinar”, relembrou.
Quando questionado sobre sua reação ao saber que estava convocado, Fernando brincou e afirmou que sua primeira reação foi chorar. Ainda sim, ele garantiu não estar ansioso e focado nos últimos treinos.
“A minha reação foi chorar. Fiquei bastante feliz em ouvir o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo falar meu nome na lista de convocados. Passou um pequeno filme na minha cabeça de toda a trajetória que eu tive para chegar nesse sonhado momento. Cada dia que antecede os Jogos é bastante importante para a preparação. É claro que só de imaginar que a competição é do outro lado do mundo, dá uma certa vontade para que a viagem chegue logo, mas estou com a cabeça em realizar os últimos treinos com excelência e fazer uma ótima competição”, afirmou.
Em relação à conquista de medalha, Fernando preferiu manter os pés no chão e afirmou que seu objetivo é estar entre os finalistas. Ele também disse que para brigar por pódio, precisa melhorar seu resultado individual.
“A minha expectativa é realizar bons saltos e brigar pela final, que será com 12 atletas. Estou evoluindo a cada dia nos treinos, me sinto bem para brigar por uma vaga na final e fazer bons saltos. Para pensar em medalha devo pensar em melhorar o meu resultado pessoal que é a marca de 2.30m”, finalizou.