Murilo Bernardes
Depois de quase sete anos, o torcedor ribeirão-pretano vai poder sentir o gostinho de prestigiar um clássico Come-Fogo novamente. Ainda pela televisão, pois o retorno do público nos estádios não foi liberado. O compromisso entre Botafogo e Comercial está marcado para terça-feira (21), às 15 horas, no estádio Santa Cruz.
Desta vez, os clubes chegam para a partida em situações completamente diferentes. O Botafogo venceu e convenceu na estreia. Bateu o Velo Clube fora de casa, com dois a menos, por 3 a 0. Já o Leão do Norte, perdeu em casa do Votuporanguense pelo mesmo placar.
Outra diferença é a divisão em que os clubes sem encontram. Em 2014, ano do último encontro, o Tricolor estava na elite do Paulistão – ainda segue por lá – e o Leão do Norte foi rebaixado naquele campeonato para a Série A2.
De lá para cá, o Botafogo se manteve na elite do futebol paulista, subiu para a Série B do Campeonato Brasileiro e atualmente disputa a terceira divisão nacional. Já o Comercial, passou por anos sombrios, chegou à última divisão do futebol paulista em 2018 e desde então está na Série A3, brigando por dias melhores.
Histórico do Confronto
A história do clássico Come-Fogo é centenária. O primeiro duelo foi um amistoso, que aconteceu no antigo estádio da Rua Tibiriçá, no dia 1º de agosto de 1920. Nesta data, também foi registrado o maior placar do confronto. O Leão do Norte venceu por 8 a 0.
O último encontro aconteceu no dia 6 de setembro de 2014. Na ocasião, o Comercial também venceu, com o placar de 3 a 0, gols de Guilherme Camargo, Marcelo Santos e Mateus Borges.
No total, o clássico registra 167 partidas. O Botafogo venceu 61, o Comercial venceu 49 jogos e outros 57 empates foram registrados. O Pantera anotou 212 gols. Já o Alvinegro da Joia mandou 208 bolas na rede.
No último clássico
A vitória acachapante do Leão do Norte no último Come-Fogo foi presenciada pelo goleiro João Lucas, que foi titular do Pantera naquela partida. Em entrevista exclusiva ao Tribuna, ele revelou ter lembranças não tão boas daquele jogo.
“Eu não tenho boas lembranças do último Come-Fogo. Em 2014, a gente perdeu lá no Palma Travassos por 3 a 0, era um jogo de Copa Paulista. Foi um jogo em que as duas equipes tiveram muitas oportunidades, mas eles acabaram aproveitando melhor as chances que criaram. Foi um jogo também que ficou marcado por conta de brigas na torcida”, relembrou.
“Senão me engano, a gente estava em primeiro lugar do grupo e acabamos perdendo o clássico. Em primeiro ou em último, a obrigação é vencer, senão a cobrança vem”, completou.
Formado na base do Pantera, João Lucas defendeu o clube por mais de 10 anos. Segundo ele, o clássico muda os ânimos dentro da cidade e a rivalidade é a mesma inclusive nos jogos da base.
“É o clássico da cidade, não tem jeito. O bacana disso é que ele é tratado da mesma forma desde a escolinha até o profissional, a rivalidade é estimulada. Eu que cheguei no clube ainda no sub15, posso te garantir que a cobrança é a mesma, tanto na base quanto no profissional quando o assunto é Come-Fogo. Você tem que ganhar. É uma partida diferente, que tem uma preparação diferente. Na semana do clássico a cidade muda. Tudo fica diferente”, disse João Lucas.
Já do lado do Comercial, o gerente de futebol Acleisson também esteve em campo no último clássico. Agora em outra função, como dirigente, ele falou sobre as lembranças do jogo de sete anos atrás.
“Eu tive a oportunidade de estar jogando as duas partidas daquela Copa Paulista, no primeiro que a gente empatou na casa deles e depois nos 3 a 0 aqui no Palma Travassos. A lembrança que vem é do bom futebol, de gols bonitos. A gente vivia um momento até que parecido, não vínhamos tão bem e a gente não estreou bem esse ano, mas nós entendemos que clássico não se joga bonito, clássico se vence”, contou.
“O Come-Fogo é um clássico forte, pesado do interior de São Paulo. Após sete anos a cidade pode reviver essa partida. A expectativa e muito boa, a gente vem trabalhando forte pra poder fazer um bom jogo e continuar forte dentro da Copa Paulista”, finalizou.
Atualmente, o Botafogo lidera o Grupo 1 ao lado do Votuporanguense, com três pontos e mesmo saldo de gols. Já o Leão do Norte é lanterna do grupo junto com o Velo Clube, que também foi derrotado na estreia.
Curiosidades do Come-Fogo
Maior invencibilidade do Botafogo: 17 jogos
Maior invencibilidade do Comercial: 12 jogos
Maior Artilheiro do Botafogo: Geraldão, 8 gols
Maior Artilheiro do Comercial: Paulo Bin e Jair Bala, 7 gols
Gol mais rápido: Jairzinho (Botafogo), a 1 minuto do primeiro tempo, no dia 26 de fevereiro de 1967
Jogador que mais atuou pelo Botafogo: Manoel, 30 jogos
Jogadores que mais atuaram pelo Comercial: Paulo Bin e Piter, 23 jogos
Goleiro que mais atuou: Machado, 18 jogos (Botafogo, 16) e (Comercial, 2)
Treinador que mais trabalhou: Alfredinho, 29 jogos (Comercial, 21) e (Botafogo, 8)
Árbitro com mais participações: Dulcídio Wanderley Boschilia, 12 jogos
Maior Público (pagante) no Estádio Santa Cruz: 31.369, Botafogo 1 a 0, 1º de maio de 1977
Maior Público (pagante) no Estádio Palma Travassos: 24.253, 0 a 0, 23 de abril de 1978
Histórico do Confronto
Botafogo: 61 vitórias
Comercial: 49 vitórias
Empates: 57
Números do Botafogo no Santa Cruz
52 jogos
23 vitórias
19 empates
10 derrotas
44,23% de aproveitamento
Números do Comercial no Palma Travassos
58 jogos
14 vitórias
23 empates
21 derrotas