Não me pergunte se superei, é só olhar para dentro dos meus olhos que você verá a maior de todas as dores. Estas palavras me chegaram pelo Faceboock e representa exatamente meu dia a dia e o de Sonia, minha primeira-dama. Impressionante como as coisas chegam até nós. Cruzamos dia desses com uma antiga amiga e ela foi logo perguntando: “Como vocês estão de pé”?
As pessoas não sabem, mas não tem um dia em que não choramos. Ninguém vê, apenas a gente neste nosso mundo de pais que perderam seus dois filhos. Quando estamos em casa e uma coisa qualquer nos faz lembrar de nossos meninos, impossível conter as lágrimas. Muitas vezes isso acontece pelas ruas e do nada vem a lembrança de Lucas ou Paulo.
Vivo ali aquele momento tão meu, a emoção aflora, choro, às vezes um choro rápido, mas não escondo de ninguém, sempre que isso acontece me vem também um certo conforto, como se eles tivessem me fazendo um afago. Pelo meu conhecimento espiritual, sei que basta você pensar na pessoa querida que já partiu e ela já está pertinho da gente.
Não sentimos o toque, mas sem dúvida, a presença espiritual deles é algo que me deixa leve como uma pluma. Tio João, que também já nos deixou e no qual Sócrates e eu considerávamos nosso Chico Xavier de Ribeirão Preto, disse pra nós em sua salinha de orações o que escrevi acima. O tempo parece um vendaval e, neste dia 30 de junho de 2019, domingo, vai fazer dois anos que meu filho Paulo Bueno teve que partir, após cumprir sua missão aqui na Terra. A partida de Lucas Bueno, em 17 de agosto, fará 14 anos.
Cristiane Torloni e Denis Carvalho, que perderam um filho num acidente quando ela retirava o carro de sua garagem, sentem o mesmo que a gente, passe o tempo que for, é tudo muito presente. Cruzei recentemente com Marcos Papa, vereador, nos corredores da TV Thathi e como temos a mesma crença religiosa, ele disse ter ido a uma palestra espírita cujo assunto era “Pais que perderam seus filhos”.
Papa lembrou-se de mim na hora e o palestrante falou que lá na espiritualidade tem vários casais cuja missão é uma das mais árduas que se pode imaginar. Eles visitam outros casais perguntando se aceitam serem pais, mas explicando que seus filhos irão partir antes deles, e completou dizendo: “Bueno, você e sua esposa concordaram, e pra quem não conhece o assunto, essa conversa se passa entre espíritos”.
Chegando em casa, fui ler mensagens psicografadas enviadas por Lucas, e essa conversa minha com Papa foi o que eu precisava para entender com clareza o que Lucas quis dizer. Paulo ainda não mandou, mas passou recados lindos através do Lucas. Em algumas mensagens, Lucas nos agradece por tê-lo aceito como filho, mesmo sabendo que ele iria embora mais cedo, pois ele precisava resgatar uma dívida de sua estada por aqui em vida anterior. Lucas, sempre que escrevia suas mensagens psicografadas, nos agradecia e dizia que o ajudamos a tirar um pesado fardo de suas costas. Sempre repetia: “Pai, tinha que ser assim”.
E a vida vai passando, eu e Sonia agradecemos a Deus pelos filhos que ele nos confiou, temos certeza que não decepcionamos, pois os dois foram e continuam mais amados que antes, somos gratos pelo carinho que todos têm conosco. Ribeirão Preto nos deu e continua nos dando colo, amigos queridos sempre próximos e vamos em frente…
Quando ouvimos o som de um piano vamos até Lucas, quando faço minha barba lembro-me dele pequenino do meu lado querendo fazer o mesmo, então eu passava minha espuma de barbear em seu rostinho. Tudo isso tão vivo dentro de mim, da mesma forma que vejo Paulo com três aninhos, eu chegando do trabalho e Sonia dizendo: “Paulo, meu filho, papai está chegando”. Ele sentava em sua cadeirinha no portão, de longe o avistava balançando os bracinhos, fazendo a maior festa e eu todo orgulhoso ganhava dele seu mais gostoso e puro abraço.
Inventaram remédios pra muitas dores, mas ainda não inventaram o remédio pra dor da saudade.
Vamos em frente. Sexta conto mais.