Em maio de 2011, o Poliesportivo do Botafogo Futebol Clube foi arrematado em leilão por R$ 4,6 milhões para quitar 106 dividas trabalhistas do clube que se arrastavam há 15 anos. O comprador, Juscelino Lima Soares, de Brasília, tinha o objetivo de construir um condomínio no local. Ribeirão Preto vivia o chamado “boom imobiliário”. Mas, por ironia do destino, essa “bolha” desacelerou e o projeto não vingou. Fechado desde setembro daquele mesmo ano, o Poli do Bota está parado e trancado. Um projeto para transformá-lo em centro esportivo foi apresentado à prefeitura de Ribeirão Preto.
História e decadência – O Poliesportivo do Botafogo faz parte de um período da rica história do clube. Lá, no antigo estádio Luis Pereira, o Tricolor viveu tempos de glória, até 1967. O campo virou piscina olímpica de 50 metros, uma das três existentes na cidade, e era ponto de encontro dos torcedores e de famílias ribeirão-pretanas. O declínio foi gradual. Enfrentou os mesmos problemas financeiros que outros clubes enfrentaram. Queda de sócios e consequentemente perda de arrecadação.
“Os novos condomínios foram surgindo e oferecendo as mesmas estruturas dos clubes, como quadras, área de churrasco, piscinas, áreas de lazer. As pessoas preferem hoje ficar em casa. Outro fato é que antes as pessoas dificilmente trabalhavam nos finais de semanas e feriados. Hoje isso é normal. Esse público deixou de frequentar”, diz André Trindade, vereador pelo DEM em Ribeirão Preto, que foi o último a assumir a direção do pole quando era torcedor e presidente de uma torcida organizada do Bota. “A torcida assumiu em 2009, fizemos melhorias e um trabalho de resgate dos sócios. Mas tivemos que entregar as chaves após o leilão”, diz.
Trindade afirma que o poli é cuidado por um caseiro e se encontra nas mesmas condições de antes. “Claro que precisa de manutenção e melhorias para ser reativado”, fala. A reativação faz parte de uma proposta de permuta entre o comprador e a prefeitura, intermediada por Trindade. “Procuramos o comprador que tem interesse em outras áreas da cidade. Procuramos a Prefeitura e mostramos que é viável. O projeto está sendo estudado. O prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) viu e gostou, as secretarias de Esportes e de Planejamento também. Agora está em fase de estudos para viabilização”, confia o vereador.
As pastas são comandadas por Ricardo Aguiar (Esportes) e Edsom Ortega (Planejamento e Gestão Pública). A permuta seria por outra área do mesmo tamanho, 12 mil metros quadrados. “Não seria uma estrutura do Botafogo, mas a história do clube seria preservada. A cidade ganharia um centro esportivo para formação de atletas”, finaliza.