Tribuna Ribeirão
Artigos

A regulamentação da IA nos Estados Unidos

Luiz Paulo Tupynambá *
[email protected]

Já foi dito aqui que “Conhecimento é Poder”. No mundo da Inteligência Artificial essa máxima é fundamental. Os países ou grupos que detiverem o máximo de conhecimento e possibilidade de uso da IA na nova economia mundial terão o domínio econômico e estratégico do planeta no futuro próximo. Estabelecer regras para o desenvolvimento da Inteligência Artificial em âmbito nacional ou pluri-nacional (como é o caso da União Europeia) é tarefa inadiável para as nações importantes no cenário geoestratégico.

Não é diferente nos Estados Unidos, onde o Congresso estadunidense, liderado pelo Senador Chuck Schumer, Democrata eleito por Nova Iorque, iniciou o processo de proposição de uma lei específica para regulamentar o desenvolvimento da IA dentro da soberania local. Em um país em que a autorregulamentação é sagrada, a urgência colocada pelo senador nesta convocação surpreendeu. Em junho foram chamados especialistas para colocar os senhores congressistas a par, pelo menos, do básico sobre o que é a Inteligência Artificial e o que ela representa como o instrumento de uma revolução econômica e social no mundo. Pois é, lá como cá, os senhores legisladores não são assim tão conectados com os assuntos do mundo de hoje. Enfim, especialistas escutados, chegou a hora de ouvir aqueles que pesam mesmo nas decisões parlamentares: os senhores donos do dinheiro, do conhecimento e por extensão, donos do poder real, que são os empresários envolvidos no desenvolvimento e aplicação da IA.

Dia 13 de setembro aconteceu uma reunião entre o comitê legislativo do Senado estadunidense encarregado do tema com os principais executivos das empresas produtoras de software e de mídias sociais sediadas nos Estados Unidos. Também participaram os principais fabricantes de equipamentos eletrônicos destinados ao uso com IA. É uma novidade, pois anteriormente se discutia muito mais sobre aplicativos para IA, deixando um pouco de lado um dos componentes mais importantes da IA, que são os computadores, processadores, periféricos e interfaces capazes de entregar o que é demandado pelos bots e ambientes de Inteligência Artificial. E para surpresa geral, todo mundo que é relevante na indústria estava na reunião.

Até mesmo desafetos declarados como Elon Musk e Mark Zuckerberg compareceram, sentando cada um num canto oposto da mesa. Também os CEOs de todas as Big Techs como Meta, Google, OpenAI, Nvidia e IBM e outros menos cotados. Bill Gates, embora afastado dos negócios, compareceu ao lado do comandante atual da Microsoft. Junto a eles estavam sessenta senadores e representantes da sociedade civil, como líderes sindicais, artistas e ativistas de direitos humanos e do meio ambiente. Como se vê, essa primeira reunião demonstrou que os Estados Unidos estão seriamente preocupados com a evolução da IA no mundo todo.

Mas, no fundo, essa preocupação toda reflete o temor de que eles percam a ponta do desenvolvimento da IA, o que no futuro pode significar um dano incalculável na supremacia estadunidense sobre a economia mundial. A regulamentação e a consequente desaceleração do desenvolvimento da IA em setores que não interessam aos Estados Unidos no mundo todo é um dos objetivos ocultos nesse movimento inusitado que está reunindo grandes adversários, que não hesitam em estraçalhar ou devorar concorrentes mais fracos, num mercado que já vale trilhões de dólares. No futuro próximo, o domínio do mercado da IA e das novas fontes de energia serão os dois coringas no jogo do poder econômico. Lembre-se de que qualquer produto ou serviço que já tenha sido regulamentado nos Estados Unidos, só poderá ter um similar ou concorrente importado se cumprir as mesmas regras.

Por outro lado, Maya Wiley, presidente e CEO da Conferência de Liderança sobre Direitos Civis e Humanos, entidade composta de mais de duzentas organizações civis, disse: “Faremos o possível para garantir que seja um processo verdadeiramente democrático, com plena voz, transparência, responsabilidade e equilíbrio e que cheguemos a algo que realmente apoia a democracia; apoia a mobilidade económica; apoia a educação; e inova da melhor maneira possível e garante que isso proteja os consumidores e as pessoas no front-end – e apenas não tente consertar depois de terem sido prejudicados.” (fonte: CNN).

Não foi debatida ou sequer mencionada, qualquer regulamentação do desenvolvimento e aplicação da IA para uso militar. É um assunto considerado estratégico e extremamente confidencial pelos Estados Unidos. Vai continuar na nebulosidade das especulações e teorias conspiratórias. Mas com certeza não vai resultar em desarmamento e pombas da paz artificiais, pode apostar.

Até o final do ano a legislação europeia sobre IA entra em vigor, mas com uma abordagem bem mais voltada para a defesa da cidadania do que para a defesa dos negócios. Em outubro ou novembro virá a primeira cúpula mundial sobre Inteligência Artificial, em nível de Estado, chamada e coordenada pela Inglaterra, onde a posição do chamado mundo anglo-saxão (Estados Unidos, Grã Bretanha e Austrália) começará realmente a definir seu posicionamento geo-estratégico no nova realidade mundial.

Semana que vem falarei sobre os novos chips em desenvolvimento e o supercomputador que fez a Tesla, de Elon Musk, acrescentar seiscentos bilhões de dólares ao seu valor de mercado. Até lá.

* Jornalista e fotógrafo de rua 

 

Postagens relacionadas

Perda de referenciais!

Redação 1

Samba ‘Regra Três’ foi feito para Toquinho

Redação 1

Falta de educação

Redação 5

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com