José Eugenio Kaça *
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A esperança, que a chegada do século 21, iria trazer um novo tempo, tempo em que a humanidade encontraria a sua redenção, e o tempo das iniquidades e crueldade que o ser humano pratica desde os tempos remotos, iriam se dissipar; sonhos dos otimistas. Entretanto, o terceiro milênio da era cristã ao invés de trazer a luz, trouxe as trevas. e como é mais fácil proliferar o mal, o mal tocou o terror, e o século que seria o século da redenção da espécie humana, está se transformando no século do terror, não o terror que os imperialistas, principalmente o Império do Norte impingem aos que ousam desafia-los, mas um terrorismo disfarçado de legalidade, pois quem tem o poder determina o que é certo e também o que é errado – e assim caminha a humanidade.
E este retrocesso que toma conta do mundo ocidental, impingindo a volta do capitalismo selvagem, (disfarçado de neoliberalismo)e essa roupagem nova do neoliberalismo precisava de um país com magnitude e grandeza e democrático para ser o experimento da extrema direita internacional – e o escolhido foi o Brasil. canalhada internacional da extrema direita, quer um novo modelo de sociedade, onde os direitos da população pobre serão aniquilados, e a repressão violenta vai cuidar de colocar no seu devido lugar aqueles que ousarem se rebelar contra a autoridade estabelecida. E para que este plano possa ser colocado em prática é preciso desmontar a estrutura já combalida da educação básica pública, que com todos os percalços, ainda é o alicerce da cidadania, entretanto a construção deste alicerce que deveria ser apoiado na rocha profunda foi apoiado em terreno arenoso e sem profundidade, e com isso qualquer vento mais forte danifica suas estruturas.
A frase de Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, mostra o valor de uma educação libertadora, no entanto o alicerce raso não está resistido ao ataque do crime organizado institucionalizado. A institucionalização da mentira, e a subserviência ao Império do Norte estão desvalorizando a nossa cultura, e aos poucos querem desmontar o Estado brasileiro, para voltarmos a ser colônia – coisa de “patriota”. Uma educação básica pública, com a qualidade, eleva o conhecimento do povo, e um povo esclarecido não é enganado facilmente, e por saberem disso atacam com toda a virulência a educação básica pública.
A fala do presidente José Sarney, quando Promulgou a Constituição cidadã em 1988, vem produzindo seus efeitos até hoje. “A inclusão de todas as reivindicações corporativas tornou o País ingovernável”, vinte anos depois ele declarou que a Constituição de 1988, não é motivo de orgulho para ele. O ódio aos pobres é o que move esta gente, ver um pobre feliz, e tomando uma cervejinha incomoda demais. Alguns empresários usando a velha tática do “juro que vi”, estão atacando o Bolsa Família, com o argumento que o Programa é responsável pela falta de mão de obra no mercado, pois o pobre prefere receber o Bolsa Família do que arrumar um emprego – puro ódio e preconceito. “Garantir o desenvolvimento nacional. Erradicar a pobreza. Reduzir as desigualdades sociais e regionais. Promover o bem estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Assegurar a prosperidade nacional. Lá se vão quase trinta e sete anos, e o povo pobre continua esperando que a Lei seja cumprida.
Privatizar a educação básica pública, não é coisa recente, já aconteceu na discussão do Projeto da primeira LDBEN, quando os reacionários queriam que todo o dinheiro da educação básica fosse para a iniciativa privada, e o filhos dos pobres receberiam como caridade bolsas de estudos – tudo democrático. Aquele sonho de um dia sermos um Nação livre e democrática vai se perdendo. O sistema financeiro já dominou tudo, e agora ditam as regras, “tudo vai ser de acordo com as vontades do “deus” mercado e dos donos do dinheiro. Não conseguiram implantar as escolas sem partido, e as escolas cívico-militares, (para doutrinar os filhos dos pobres) estão patinando, mas vislumbraram nas privatizações das escolas básicas públicas, o caminho do lucro fácil e da alienação da juventude periférica. Só tem um caminho; é a população tomar as ruas, e exigir o cumprimento da Constituição.
* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação