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A morte trágica de ‘Daniel Messi’

A polícia de São José dos Pinhais, na região metropoli­tana de Curitiba, prendeu na manhã desta quinta-feira (1) o empresário Edison Brittes Jú­nior, de 38 anos, que admitiu ter assassinado o jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas no último sábado. O agressor afirmou que flagrou Daniel com a esposa e, por isso, perdeu o controle: “Fiquei aterrorizado quando vi ele com a minha mulher. Bati muito nele. Muito, muito. Tirei ele para fora da casa, não sei se estava acordado, desacordado, se só tinha fechado o olho”.

A filha do empresário, de 18 anos, Alana Brittes, e a es­posa, Cristina Brittes foram detidas de forma temporária na investigação da polícia, bem como o empresário. De acordo com Claudio Dalledo­ne, advogado de Edison Brit­tes, seu cliente reagiu a um su­posto ato violento de Daniel.

“Trata-se de um pai de famí­lia que se viu na contingência de ter que reagir a um estupro que estava ocorrendo conta a mu­lher dele. A mulher gritou por socorro. Ele arrombou a porta, e esse indivíduo estava em cima da mulher dele tentando estu­prar essa mulher”, disse.

Ainda de acordo com o ad­vogado, os fatos teriam aconte­cido na festa de aniversário da jovem de 18 anos. Após a agres­são, Brittes disse que colocou o corpo de Daniel no porta-malas do carro para tirá-lo de sua casa.

O corpo do jogador foi en­contrado no último sábado, numa estrada de terra na Co­lônia Mergulhão, em São José dos Pinhais. O empresário ainda afirmou ter assassinado Daniel com uma faca, confirmando a causa de morte identificada no relatório do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba.

A Polícia Civil ainda não in­formou a motivação do crime. As prisões temporárias têm du­ração de 30 dias. Um inquérito policial foi instaurado na delega­cia de São José dos Pinhais, onde está sendo realizada a investiga­ção do crime.

Segundo o delegado Ama­deu Trevisan, da Delegacia de São José dos Pinhais, o jogador não tinha como reagir à agres­são que sofreu dentro da casa onde acontecia uma festa. “Ago­ra, precisamos encontrar mais três pessoas envolvidas,” disse.

Morte violenta
O corpo do meia-atacante Daniel Corrêa Freitas, ex-São Paulo e emprestado ao São Ben­to, foi encontrado mutilado, na noite de sábado (27). Havia perfurações por golpes de faca em várias partes do corpo do jogador de futebol. No pesco­ço, um corte profundo, que por pouco na degolava a vítima. Os requintes da crueldade imposta pelo algoz atingiram a genitália do jovem de 24 anos, decepada durante a verdadeira sessão de tortura a que foi submetido an­tes de morrer. Quem o matou estava com muita raiva.

O corpo de Daniel Corrêa Freitas foi sepultado nesta quar­ta-feira (31), em Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais.

A polícia do Paraná conse­guiu chegar ao acusado de matar o jogador de futebol a partir de um depoimento espontâneo de uma testemunha. O atleta teria se envolvido com uma mulher casada e pode ter sido atraído para uma emboscada, em uma casa, onde foi espancado por quatro pessoas, em um quarto, e depois levado de carro quando já não mais conseguia se manter em pé e apresentava sérias difi­culdades respiratórias. O corpo encontrado nas proximidades da floresta de pinheiros pode ter sido o destino do veículo.

O depoimento que apressou a prisão é de uma testemunha que estava com a vítima na noite do crime. Segundo o advogado Jacob Filho, que levou o amigo de Daniel até a delegacia de po­lícia, o atleta e mais seis pessoas estavam na casa noturna Shed Bar, em Curitiba, quando deci­diram seguir para a casa de uma amiga do meia, onde acontecia uma festa de aniversário da filha dela. A polícia civil já recebeu as imagens das câmaras de segu­rança da boate.

Já na casa, mesmo com o ba­rulho dos convidados, as pesso­as teriam ouvido a mulher gritar por ‘socorro’, de dentro de um quarto, e em seguida viram Da­niel sendo agredido por quatro pessoas, já ensanguentado, qua­se sem poder respirar. De acordo com o advogado da testemunha, não se sabe se a vítima mantinha ali um relacionamento amoroso com a mulher do suspeito ou se tentava violentá-la.

“Daniel pedia para não morrer. Ele estava quase sem respiração e o corpo sem con­dições de locomoção,” diz Jacob Filho. Ainda segundo o advo­gado, o autor do crime procu­rou posteriormente as pesso­as que estavam na casa para montar um álibi mudando as versões dos fatos. “O suspeito encontrou com testemunhas e disse que tentou mudar as ver­sões dos fatos. Ele chegou a usar o termo ‘o elo está fechado’. Foi quando a testemunha procurou a polícia para ser protegida”, in­formou o advogado.

‘Malvadeza’
Para o superintendente da Polícia Civil de São José dos Pi­nhais – município conhecido em todo o país por abrigar uma pe­nitenciária que mantém encar­cerados alguns políticos presos pela Operação Lava Jato, entre eles o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha -, Ed­milson Pereira, um experiente policial acostumado a investi­gar crimes violentos, a morte de Daniel foi dolorosa e o atleta teria agonizado por algum tem­po. “Foi uma coisa com bastante malvadeza. Foi uma morte dolo­rosa. Ele sofreu.”

Daniel era um rapaz tímido, daqueles de bem com a vida e dono de um grande coração. Era filho de uma dentista que vive em Conselheiro Lafaiete (MG) e de um fisioterapeuta de Juiz de Fora (MG), cidade que viu o atleta nascer em 1994.

Formado nas categorias de base do Cruzeiro, o jogador sempre voltava à casa de um dos pais nos períodos de folga. “Eu sempre deixava ele na rodoviária para ele ir ver os pais”, lembra o amigo Matheus Santos, que jo­gou com Daniel nos times infe­riores do Cruzeiro, e se formou com ele no ensino médio, na es­cola que o clube mantinha para seus jogadores.

Transferido para o Botafo­go-RJ, em 2014, ainda na base, Daniel se profissionalizou e fez o melhor jogo de sua carreira no Maracanã, quando a equipe goleou o Criciúma com uma assistência e três gols seus. Essa atuação lhe renderia o apelido de “Daniel Messi”.

‘Menino de futuro’
No final de 2014, o meia foi sondado pelo Palmeiras, chegou a fazer exames médicos, mas a negociação não se concretizou. O São Paulo resolveu contra­tá-lo, assumindo os riscos do tratamento. A estreia demoraria ainda mais alguns meses porque Daniel se machucaria em um acidente doméstico durante as férias de fim de ano.

Fora dos planos do time paulista, o armador foi empres­tado ao Coritiba para ganhar ritmo de jogo. O que não acon­teceu, pois ele logo sofreu uma tendinite no joelho direito, que já havia sido operado durante sua passagem pelo Tricolor.

Em seu retorno ao São Pau­lo, Daniel foi emprestado para a Ponte Preta neste ano, mas não agradou e acabou cedido ao São Bento-SP até o fim da Série B do Campeonato Brasileiro.

“Um menino que tinha um futuro, nunca deu um problema, sempre treinando nos horários”, disse o gerente de futebol Alex Brasil, que conseguiu o emprés­timo do meia do São Paulo ao Coritiba. “Mesmo com a lesão, toda a pressão que recebia, se­guia quietinho trabalhando.”.

“Quem não era amigo de verdade não conhecia ele direi­to”, afirmou o zagueiro Luan Pe­res, que conviveu com Daniel na Ponte e hoje defende o Brugge, da Bélgica. Ele estava empresta­do do São Paulo ao São Bento de Sorocaba (SP), que disputa a Série B do Brasileiro, mas por opção do treinador não jogava desde agosto. Prejudicado por lesões, o atleta tentava recuperar os melhores momentos de sua carreira.

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